‘Uma experiência que fica para sempre’: feirenses contam como foi receber bênção do Papa Francisco
Por Dandara Barreto | 21/04/2025 16:55 e atualizado em 21/04/2025
Foto: Acervo pessoal
A morte do Papa Francisco na segunda-feira (21) deixou o mundo em silêncio. Para muitos católicos e até mesmo para pessoas sem religião definida, o pontífice foi mais do que um líder espiritual: foi um símbolo de transformação, acolhimento e coragem diante de estruturas rígidas da própria Igreja. Em Feira de Santana, alguns moradores tiveram a rara oportunidade de vê-lo de perto — e compartilharam com emoção o que viveram ao lado do primeiro Papa latino-americano da história.
Geovane Mascarenhas: ‘ele pregava o amor e justiça’
Diretor de teatro, dramaturgo e professor, Geovane Mascarenhas lembra com nitidez do dia em que esteve bem próximo do Papa, durante uma missa de Corpus Christi celebrada em Roma, em 2017. A viagem à Itália foi feita com amigos e a visita ao Vaticano era um desejo coletivo.
“Brincávamos: estamos em Roma, não podemos sair sem ver o Papa”, conta.

Geovane Mascarenhas esteve no Vaticano em 2017 | Foto: Acervo pessoal
Na Praça de São Pedro, o Papa aparecia pequeno, distante, “lá da janelinha do Vaticano”. Mas foi durante a missa em uma igreja fora dos muros vaticanos, mais afastada e menos lotada, que Geovane pôde ver Francisco passar bem perto. A emoção tomou conta quando ele notou uma amiga ao lado chorando.
“Não aguentei, comecei a chorar também”, lembra. “Ver aquele Papa, tão importante não só para a religião, mas para o mundo, com ideias progressistas, que pregavam o amor à justiça, foi um momento único.”
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Flávia Reis: ‘me arrepiei do início ao fim’
Mesmo sem se identificar com nenhuma religião, a professora Flávia Reis sempre admirou a postura moderna, humana e firme do Papa Francisco. Por isso, quando visitou o Vaticano em outubro de 2024, ela não pensou duas vezes: dedicou a manhã de domingo à Praça São Pedro para ver o pontífice.
O lugar estava completamente lotado, repleto de bandeiras de diferentes países. Francisco falou sobre amor, fraternidade e sobre as dores do mundo.

Flávia Reis em outubro de 2024 acompanhou cerimônia no Vaticano | Foto: Acervo pessoal
“Ele fez preces, falou sobre o Oriente Médio, sobre a Ucrânia. E, no final, saudou com muito carinho as bandeiras das nações — quando ele falou do Brasil, eu chorei. Foi inevitável.”
Para ela, o momento foi de renovação e paz. “Mesmo sem religião definida, ali eu senti a fé revelada nos encontros humanos, no gesto, na palavra, até no timbre da voz. Ver o Papa foi uma das coisas mais emocionantes da minha vida.”
Thandara Teles: “uma união da humanidade”
A feirense Thandara Teles esteve em uma das últimas missas celebradas por Francisco após a saída do hospital universitário católico Gemelli, onde esteve internado por 38 dias. Ela conta que já havia um clima de comoção em Roma, pois havia rumores de que o Papa estava gravemente doente.
“Qualquer oportunidade de estar perto dele era vista como um privilégio.”



Thandara Teles esteve em uma das ultimas celebrações públicas do papa Francisco | Foto: Acervo pessoal
Na multidão de fiéis vindos de diversos países, línguas e culturas, ela sentiu algo maior do que o momento religioso. “Ali, eu vi uma união da humanidade. Todas aquelas pessoas estavam unidas por algo que ia além da religião”.
O que mais a tocou foi o contraste entre a opulência do Vaticano e a simplicidade do Papa. “Mesmo em um lugar tão rico, ele era uma figura humilde, serena, humana. Isso me pegou forte. Senti que qualquer pessoa — mesmo não sendo católica — queria estar ali só para vê-lo.”
Amali Mussi: ‘um dos momentos mais honrosos da minha vida’
A reitora da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), Amali Mussi, esteve com o Papa em setembro de 2023, como parte de uma missão de reitores e reitoras da América Latina e do Caribe. Durante vários dias, o grupo participou de estudos no Vaticano, refletindo sobre temas como educação, cultura, sociedade e meio ambiente.
Ao final da imersão, os representantes entregaram ao papa uma carta de compromissos com metas para um mundo mais justo e sustentável.
“Foi um encontro simbólico, mas muito significativo”, afirma Amali, que também presenteou o Papa com lembranças da cidade e uma camisa do Fluminense de Feira. O pontífice é conhecido também pela paixão pelo futebol e era torcedor declarado do time argentino San Lorenzo de Almagro.


Amali Mussi é reitora da UEFS e esteve com o Papa em 2023 | Foto: Acervo pessoal
“Foi uma das experiências mais ricas da minha trajetória pessoal e profissional”, diz a reitora. “Papa Francisco merece todo o nosso respeito. Que seu legado continue inspirando a transformação social e o compromisso com um planeta mais humano”, finalizou a reitora.
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