Morre aos 91 anos jornalista Mino Carta, fundador das revistas Veja e Carta Capital
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Morre aos 91 anos jornalista Mino Carta, fundador das revistas Veja e Carta Capital

Morre aos 91 anos jornalista Mino Carta, fundador das revistas Veja e Carta Capital Foto: Ricardo Stuckert/PR

Resumo da notícia

  • Mino Carta, jornalista ítalo-brasileiro, morreu aos 91 anos. Fundador e diretor de redação da Carta Capital, também esteve à frente da Veja, IstoÉ, Jornal da Tarde e Jornal da República, deixando grande impacto no jornalismo brasileiro.
  • Reconhecido por sua postura progressista, criticava o jornalismo corporativo e a influência das redes sociais, defendendo a busca corajosa pela verdade mesmo frente a pressões econômicas.
  • Mino Carta alertava para a persistência de desigualdades estruturais e da elite tradicional (“Casa-Grande”), acreditando que o país enfrentava desafios profundos sem perspectivas de melhora significativa.

Morreu nesta terça-feira (2), em São Paulo, o jornalista Mino Carta, aos 91 anos. Fundador e diretor de redação da revista Carta Capital, o profissional marcou a história do jornalismo no Brasil. Ele lutava contra problemas de saúde, “com idas e vindas ao hospital”, segundo informou a publicação que liderava.

Mino começou a carreira na revista Quatro Rodas, da editora Abril, especializada em automóveis, “mesmo sem saber dirigir nem diferenciar um Volkswagen de uma Mercedes, como se orgulhava de dizer”, contou a Carta Capital.

O jornalista ítalo-brasileiro, nascido em Gênova, veio ao Brasil após a 2ª Guerra Mundial, aos 13 anos. Mino dirigiu e lançou a revista Veja, em 1968, a revista IstoÉ, em 1976, e a Carta Capital, em 1994.

A Carta Capital é uma revista conhecida por manter uma visão mais “progressista” dos acontecimentos, em contraste com as publicações de tom mais “conservador” ou “liberal”. A publicação se propõe a ser “maior referência em jornalismo progressista no Brasil, em qualquer plataforma”.

O profissional ainda esteve à frente da equipe fundadora do Jornal da Tarde, em 1966, e do Jornal da República, em 1979. Nesse último, fundado em parceria com o jornalista Claudio Abramo, Mino tentou aproveitar a abertura política iniciada pela ditadura militar, mas o projeto não vingou por questões econômicas e políticas. Segundo Mino, o Jornal da República “sofria a oposição dos jornalões”.

Em uma rede social, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que recebeu “com muita tristeza” a morte do “meu amigo Mino Carta”.

“Em meio ao autoritarismo do regime militar, as publicações que dirigia denunciavam o abuso dos poderosos e traziam a voz daqueles que clamavam pela liberdade”, disse Lula.

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Redes sociais

Em entrevista recente ao jornalista Lira Neto no contexto da publicação do livro do Lira Memória do Jornalismo Brasileiro Contemporâneo, Mino Carta faz dura crítica à subordinação do jornalismo profissional à dinâmica das redes sociais controladas pelas big techs.

Para ele, a internet limitou o jornalismo e passou a pautar os jornais. “Em lugar de praticar um jornalismo realmente ativo, na busca corajosa pela verdade, a imprensa está sendo engolida e escravizada pelas novas mídias. Veja a tragédia do celular. Com ele, o homem emburrece, não progride”.

Carta era um crítico do jornalismo empresarial, chamada de “grande mídia”, e reconhecia que a independência editorial tinha preço.

“As revistas são, essencialmente, sustentadas por publicidade. Eu poderia estar muito rico, ter me vendido de várias maneiras. A única coisa que tenho na vida é esse apartamento que estou tentando vender, porque não tenho mais dinheiro”, revelou.

Futuro do Brasil

Mino Carta, ainda na entrevista a Lira Neto, afirmou que nem o Brasil, nem o jornalismo brasileiro, teriam alguma perspectiva futura de melhoria.

“Este país não tem saída, graças aos que o governaram e à permanência de um pensamento medieval representado pela Casa-Grande”, vaticinou.

Casa-Grande refere-se a uma elite escravocrata que colonizou o Brasil a partir de 1.500 por meio da escravização de africanos e da usurpação das terras dos povos indígenas, que também foram escravizados. O termo foi imortalizado pelo sociólogo pernambucano Gilberto Freire em sua obra Casa Grande e Senzala que pretendeu explicar a formação social do país.

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