Colapso do banco digital Ueno desencadeia processo de impeachment contra presidente do Paraguai, Santiago Peña
Por Yasmin Mota | 06/11/2026 07:39 e atualizado em 06/11/2026
Foto: Reprodução/ Vídeo
Resumo da notícia
- O presidente do Paraguai, Santiago Peña, enfrenta um processo de impeachment em meio à crise do Ueno Bank. A Câmara aprovou a abertura do processo por unanimidade, com 78 votos favoráveis e nenhum contrário. A decisão final cabe ao Senado.
- O banco foi liquidado após apresentar insuficiência de recursos, deixando cerca de 3 milhões de clientes sem acesso ao dinheiro. A instituição administrava aproximadamente 850 milhões de dólares em depósitos, incluindo recursos públicos.
- Peña foi acionista do grupo proprietário do banco até março de 2025 e é acusado pela oposição de conflito de interesses e possíveis irregularidades. Ao anunciar a renúncia, o presidente também poderia obter uma cadeira vitalícia no Senado, prerrogativa prevista para ex-presidentes pela Constituição paraguaia.
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, enfrenta uma grave crise política e pode perder o mandato após o colapso de um dos principais bancos digitais do país, o Banco Ueno.
Com cerca de 3 milhões de clientes, o Ueno era o maior emissor de cartões de crédito do país e administrava aproximadamente R$ 4,63 bilhões em recursos públicos, incluindo verbas do Instituto de Previdência Social (IPS) e de outros fundos de aposentadorias e benefícios.
Nesta quinta-feira (5), em meio à pressão política, Peña anunciou sua renúncia à Presidência por meio de um vídeo. No entanto, a Câmara dos Deputados decidiu dar continuidade ao processo de impeachment contra o chefe de Estado.
A abertura do processo foi aprovada por 78 votos favoráveis e nenhum contrário. Agora, a decisão está nas mãos do Senado paraguaio, que marcou uma sessão para esta sexta-feira (6), às dez horas da manhã, para analisar o caso e ouvir a defesa do presidente.
O pedido de impeachment também foi apresentado contra o vice-presidente Pedro Alliana, mas acabou rejeitado. Foram 48 votos contra o afastamento e 30 a favor. Com isso, Alliana permanece na linha sucessória para assumir a Presidência caso Peña deixe o cargo.
A crise começou após o Banco Central do Paraguai determinar a liquidação do Ueno Bank, na terça-feira (3). A instituição tinha aproximadamente três milhões de clientes, que ficaram sem acesso às próprias contas e ao dinheiro depositado.
A situação ganhou repercussão política, porque Santiago Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até março de 2025. A oposição acusa o presidente de conflito de interesses, manipulação de regras e possível desvio de recursos previdenciários. As acusações ainda estão sob investigação.
O caso também provocou a renúncia do presidente do Banco Central paraguaio e levou à abertura de investigações contra dirigentes da instituição financeira. Oito executivos foram alvo de mandados de prisão, e 27 pessoas ligadas ao banco foram formalmente acusadas, segundo as informações divulgadas pelo governo e pela imprensa.
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Enquanto isso, a tentativa de renúncia de Peña também enfrenta obstáculos. A sessão do Congresso que analisaria o pedido foi suspensa depois que parlamentares governistas deixaram o plenário. Eram necessários pelo menos 41 parlamentares presentes, mas apenas 40 permaneceram.
Pela Constituição paraguaia, o Senado precisa de pelo menos dois terços dos votos, ou seja, 30 dos 45 senadores, para considerar Peña culpado e determinar seu afastamento definitivo.
Até a manhã desta sexta-feira, Santiago Peña continuava oficialmente na Presidência do Paraguai, enquanto aguardava o julgamento político.
Presidente tenta se “blindar”
O presidente do Paraguai, Santiago Peña tenta se blindar ao renunciar o cargo, visto que pela constituição do país quem se torna ex-presidente tem direito vitalício a um cargo no senado.
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