Mais de mil denúncias de violência sexual contra crianças foram registradas neste ano na Bahia
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Mais de mil denúncias de violência sexual contra crianças foram registradas neste ano na Bahia

Mais de mil denúncias de violência sexual contra crianças foram registradas neste ano na Bahia Crédito: Divulgação

A morte de Aisha Vitória Santos da Silva, de 8 anos, em Pernambués, acende o alerta para a violência que atinge crianças em todo o país. Os laudos periciais ainda vão confirmar, mas a suspeita é que a menina foi vítima de violência sexual. Na maior parte dos casos de abusos sexuais, os agressores são familiares ou pessoas próximas. Mais de 1 mil denúncias de crimes sexuais contra crianças e adolescentes foram registradas na Bahia neste ano.

Foram 1.191 denúncias de violações desse tipo no estado, através do Disque 100. Dessas, 84,2% ocorreram em locais frequentados pelas vítimas: casas da vítima, familiares ou do suspeito. As informações fazem parte do painel on-line do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDH).

A ocorrência desse tipo de crime se relaciona à cultura do estupro – formas de comportamento que silenciam e violentam, especialmente, mulheres de todas as idades. “A cultura do estupro está relacionada com a ideia de que o corpo da mulher não é uma propriedade dela, mas que pode ser acessado por todos os homens”, explica Izaura Santiago da Cruz, coordenadora do grupo de pesquisa em Ciência, Gênero e Educação do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (Neim/Ufba).

“O estupro é, então, uma forma de demonstração que os homens têm poder sobre o corpo da mulher, mesmo que ela não concorde. Não tem nada a ver com a roupa da mulher ou com a roupa que ela estava, mas com a demonstração de poder sobre elas”, completa a professora. Izaura Santiago ressalta ainda que a cultura do estupro se materializa no cotidiano em episódios de assédio e importunação.

Joseilson Souza da Silva, 43, preso após confessar ter matado e abusado da menina Aisha Vitória, tentou estuprar uma criança de 7 anos, em São Gonçalo dos Campos, em 2015. Ele chegou a ficar preso durante 10 dias, mas foi liberado pela Justiça. A família de Aisha desconfiou que algum vizinho tivesse relação com a morte dela, antes de o homem confessar o crime à polícia.

Para a professora Izaura Santiago, zelar pela segurança de crianças deve ser uma missão compartilhada por todos. “Uma sociedade que se propõe a cuidar do bem-estar coletivo tem o papel fundamental de proteger as crianças, para que elas possam crescer com liberdade, segurança e sem medos. A educação precisa promover uma cultura de combate à violência”, afirma.

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