42% das mães empreendedoras são chefes de domicílio no Bahia, aponta pesquisa do Sebrae
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42% das mães empreendedoras são chefes de domicílio no Bahia, aponta pesquisa do Sebrae

42% das mães empreendedoras são chefes de domicílio no Bahia, aponta pesquisa do Sebrae Foto: Darío G. Neto para ML Comunicação

Resumo da notícia

  • Pesquisa do Sebrae aponta que 42% das mães empreendedoras são chefes de domicílio, muitas sem outra fonte de renda, evidenciando a força do empreendedorismo feminino na Bahia, majoritariamente formado por mulheres negras.
  • Conciliar maternidade, cuidados com a casa e negócios é um desafio constante, marcado pela sobrecarga da “economia do cuidado”, que reduz o tempo dedicado aos empreendimentos.
  • Especialistas destacam a importância de definir prioridades, ser flexível e delegar tarefas; relatos pessoais mostram a pressão social e emocional enfrentada por mães que empreendem sozinhas.

Todas as atenções se voltam para a família em dezembro, com a chegada do Natal e do Ano Novo. O último mês do ano traz sabor de reunião familiar, aconchego e muita troca de afeto. Para as mulheres que empreendem e lideram seus lares, o desafio é constante. De acordo com a 2ª edição da pesquisa do Sebrae “Maternidade e Negócios: a força das mães empreendedoras baianas”, lançada este ano, 42% das mães empreendedoras são chefes de domicílio e 32% fazem tudo sozinhas para manter os cuidados com a casa e os filhos.

O estudo revela que, para 37% das empreendedoras que chefiam famílias, trabalhar com o que gosta ou realizar um sonho foi o principal motivo que as levou ao empreendedorismo; e 60% das mães empreendedoras dedicam, em média, até 45 horas por semana ao negócio. O levantamento mostra, ainda, que 51% das respondentes indicaram que não possuem nenhuma outra fonte de renda. E mais, de acordo com o IBGE, as mulheres representam 35% do total de donos de negócios na Bahia, e desse grupo, 79% são mulheres negras. Esses números evidenciam a força do empreendedorismo feminino no estado.

Conciliar o papel de mãe, dona de casa e ser empreendedora é um desafio real. A coordenadora estadual do Programa Sebrae Delas na Bahia, Rosângela Gonçalves, aponta que para resolver essa questão não existe fórmula exata, mas oferece algumas sugestões que auxiliam a enfrentar esse desafio. “Esse é um fenômeno muito comum no empreendedorismo feminino, que é a economia do cuidado. Por conta disso, as mulheres dedicam menos tempo aos negócios e com isso a competitividade do negócio se mostra mais vulnerável”, explica.

Como primeira dica, a gestora aponta que a empreendedora deve assimilar que não tem a obrigatoriedade de dar conta de tudo. “As mulheres devem escolher as prioridades de cada fase de suas vidas. Em alguns momentos o negócio irá exigir mais, em outros a família irá exigir mais delas. Isso não significa fracasso, mas sim que ela está utilizando uma estratégia”, aponta. Rosângela Gonçalves também frisa que é importante ser flexível para encarar as rotinas do dia a dia. “Um bom exemplo é aproveitar o tempo em que os filhos dormem para realizar algo na empresa. Usar as ferramentas de gestão de tempo é fundamental”, aconselha, lembrando que saber delegar evita o acúmulo de tarefas e otimiza a gestão do negócio.

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A CEO da Rainha Extraordinária – empresa de treinamento comportamental -, Sumaya Laís Lima Machado, é especialista em autoimagem, solteira e tem um filho de 11 anos, que fica com o pai a cada 15 dias. Ao se autoanalisar, é enfática em dizer que sente o peso da cobrança da sociedade, mas, sobretudo, admite que se cobra bastante, não apenas com relação à empresa, mas também no que diz respeito à criação do filho, Caio Victor. “A gente quer que o filho dê certo na escola. Se vem com nota baixa a gente não se sente boa o suficiente como mãe”, reflete.

Sumaya Machado diz que tem atuado muito no modo “guerreira”, mas na verdade quer ocupar a posição de “rainha”. “O pai do meu filho nunca levou ele ao médico, nem em atendimento de emergência, nem quando ele teve que se submeter a uma cirurgia, e com isso tudo eu me sinto sobrecarregada. Não ter um homem presente para compartilhar a vida é desafiador”, diz e completa: “Quando a mulher está empreendendo, começa a ser bem sucedida e soluciona a própria vida, alguns homens se assustam e se afastam”.

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