Do campo à mesa: por que reduzir agrotóxicos é uma questão de saúde pública
Por Dandara Barreto | 08/09/2025 11:26 e atualizado em 08/09/2025
Foto: Alan Suzart
Resumo da notícia
- O presidente Lula assinou decreto que institui o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara), com foco em pesquisa, monitoramento, assistência técnica e incentivo ao uso de bioinsumos, especialmente na agricultura familiar.
- Especialistas alertam para os impactos dos agrotóxicos, que vão de doenças graves em trabalhadores rurais e consumidores até danos ambientais como contaminação da água, do solo e redução da biodiversidade.
- A discussão sobre agrotóxicos não se limita ao campo; afeta todos os brasileiros. Produzir alimentos livres de veneno é visto como um ato de proteção à saúde, à soberania alimentar e ao futuro sustentável do país.
A discussão sobre o uso de agrotóxicos muitas vezes parece distante da vida cotidiana, mas começa exatamente no que vai para o prato de cada brasileiro. O país figura entre os maiores consumidores de agrotóxicos do mundo, e resíduos dessas substâncias já foram encontrados em alimentos in natura, processados e até na água consumida diariamente.
Diante desse cenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o decreto que institui o Programa Nacional de Redução de Agrotóxicos (Pronara). O programa reúne pesquisa, informação, monitoramento de resíduos, assistência técnica, extensão rural e incentivo ao uso de bioinsumos. O objetivo é diminuir a dependência dos agrotóxicos e fortalecer a produção sustentável, com foco na agricultura familiar.
Impactos diretos e indiretos
Para a bióloga Sâmia Oliveira, reduzir agrotóxicos vai muito além de uma decisão individual. “A redução de agrotóxicos não é apenas uma questão de escolha, é um ato de proteção da saúde da população, uma garantia da soberania alimentar e também uma forma de assegurar um futuro sustentável para o país. O que consumimos em casa começa no campo e cada decisão, pública ou privada, afeta milhões de pessoas. Trabalhadores rurais estão sujeitos a doenças respiratórias, neurológicas, reprodutivas e até câncer em função da exposição direta. Já os consumidores são atingidos pela ingestão de alimentos contaminados, e os grupos mais vulneráveis, como crianças, gestantes e idosos, sofrem ainda mais.”
Samia destaca também os danos ambientais, como a contaminação da água e do solo, a redução da biodiversidade e o comprometimento de polinizadores, além do efeito cumulativo das substâncias ao longo da cadeia alimentar.
Samia destaca também os danos ambientais, como a contaminação da água e do solo, a redução da biodiversidade e o comprometimento de polinizadores já proibidas em outros países. Para ela, o tema precisa ser tratado como prioridade de saúde pública.
“O Brasil hoje é campeão no consumo de agrotóxicos e abriu espaço para o uso descontrolado dessas substâncias. Os estudos mostram a ligação direta com doenças graves como câncer, problemas neurológicos, intoxicações e até impactos na formação do feto. O que está em curso é um processo contínuo de envenenamento da população. Produzir alimentos livres de veneno é defender a vida, as novas gerações e o futuro. Reduzir agrotóxicos é cuidar da saúde, é cuidar do povo, é cuidar da população brasileira.”
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Entre a produção e a mesa
O debate sobre agrotóxicos não diz respeito apenas a agricultores ou especialistas em agroecologia. Ele envolve toda a população, já que cada refeição é uma porta de entrada para substâncias que impactam diretamente a saúde e a qualidade de vida. Programas como o Pronara buscam abrir caminho para um futuro mais saudável, no qual o alimento que chega à mesa seja também sinônimo de proteção e sustentabilidade.
O MOC atua nesse propósito ao desenvolver ações de fomento à produção orgânica através da agricultura familiar, fortalecendo iniciativas que garantem alimentos saudáveis, livres de veneno e acessíveis à população.
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