André Mendonça afasta Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal
Por Yasmin Mota | 08/09/2026 10:57 e atualizado em 08/09/2026
Foto: Divulgação
Resumo da notícia
- O ministro André Mendonça, do STF, determinou o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, delegado Leandro Almada.
- Mendonça também proibiu a produção e circulação de relatórios de inteligência sobre atos ligados às funções do Judiciário, da Advocacia Pública e da Polícia Judiciária. A decisão será analisada pela Segunda Turma do STF.
- A medida ocorre após relatórios da PF apontarem mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e autoridades, incluindo referências a Andrei Rodrigues. O caso envolve as investigações sobre o Banco Master e supostas fraudes no INSS.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal. A medida também atingiu o delegado Leandro Almada, afastado da diretoria de Inteligência da corporação.
Segundo Mendonça, as decisões buscam garantir que ministros do STF, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e integrantes da Polícia Federal possam desempenhar suas funções sem sofrer “constrangimentos ilegais”. O ministro afirma ainda que está sendo monitorado pela PF há mais de 30 dias.
Além dos afastamentos, Mendonça proibiu a produção, elaboração ou circulação, inclusive internamente, de relatórios de inteligência voltados à análise de atos relacionados às funções constitucionais do Judiciário, da advocacia pública e da polícia judiciária.
Segundo informações do Globo, na decisão, o ministro argumentou que o afastamento temporário de servidores públicos pode ser adotado quando houver elementos concretos que indiquem risco à investigação ou possibilidade de uso indevido das prerrogativas dos cargos. Para Mendonça, a restrição seria menos prejudicial do que eventuais interferências na coleta de provas, na atuação dos órgãos de investigação ou em procedimentos destinados a apurar os mesmos fatos.
A decisão será submetida à análise da Segunda Turma do STF. Mendonça pediu ao presidente do colegiado, ministro Luiz Fux, a convocação de uma sessão virtual extraordinária ainda nesta terça-feira, entre 10h e 23h59.
A determinação ocorreu após Alexandre de Moraes utilizar relatórios de inteligência atribuídos à Polícia Federal para acusar Mendonça de abuso de autoridade, crime de responsabilidade e improbidade administrativa na condução das investigações envolvendo o Banco Master e fraudes no INSS.
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O caso chegou a Mendonça a partir de uma solicitação do partido Novo, que pediu medidas para preservar a independência e a integridade das investigações. Um relatório de cerca de 200 páginas teria identificado referências a Andrei Rodrigues no celular do banqueiro Daniel Vorcaro. Embora o partido tenha solicitado a prisão do diretor-geral da PF, Mendonça optou pelo afastamento cautelar.
Na segunda-feira, o ministro encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um relatório da PF com mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes. Em uma delas, o banqueiro menciona a necessidade de contar com a ajuda de “Andrei e Paulo”, em referência a Rodrigues e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Em outra mensagem, enviada antes da primeira prisão de Vorcaro, em novembro de 2025, o banqueiro pediu a Moraes que tentasse convencer Andrei a adiar uma operação. Segundo a investigação, em outro contato, Vorcaro questionou se seria possível reverter a situação com Paulo ou Andrei.
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