Antes de reunião com Donald Trump, Lula critica tarifas e defende o Brics
Por Yasmin Mota | 25/10/2025 15:10 e atualizado em 27/10/2025
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Resumo da notícia
- Durante discurso na Universidade Nacional da Malásia, ao receber o título de Doutor Honoris Causa, o presidente Lula destacou o compromisso do Brasil em ampliar o diálogo e a cooperação entre os países do hemisfério sul.
- Lula condenou tarifas impostas por nações ricas, afirmando que não devem ser usadas como coerção — em referência às sobretaxas aplicadas pelos EUA a produtos brasileiros.
- O presidente ressaltou o papel do Brics na construção de uma ordem internacional mais justa e criticou a desigualdade de poder no FMI e a paralisia da OMC.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (25) que o Brasil está trabalhando para fortalecer o diálogo e a cooperação entre os países do hemisfério sul global. As declarações foram feitas pelo presidente em seu discurso de aceitação do título de Doutor Honoris Causa em Filosofia e Desenvolvimento Internacional e Sul Global concedido pela Universidade Nacional da Malásia. As informações são do portal InfoMoney.
Lula ainda fez criticas a tarifas impostas por nações contra outras. A fala em questão ocorre às vésperas da primeira reunião do petista com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impôs uma série de taxações contra o Brasil. Desde agosto, produtos brasileiros se tornaram alvo de sobretaxas que somam 50%.
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“Somos a maioria da população mundial e compartilhamos do mesmo desejo de justiça e superação das desigualdades. Rejeitamos a lógica da guerra como continuidade da política. Tarifas não são mecanismos de coerção. Nações que não se dobraram ao colonialismo e à dicotomia da Guerra Fria não se intimidarão diante de ameaças irresponsáveis”, disse Lula.
O presidente brasileiro ainda ressaltou o papel do Brics (bloco econômico formado por nações como Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Indonésia e Emirados Árabes) “ator fundamental na luta por um mundo multipolar, menos assimétrico e mais pacífico”.
“A defesa de uma ordem baseada no diálogo, na diplomacia e na igualdade soberana das nações está no cerne da proposta brasileira de reforma das Nações Unidas. (…) O recrudescimento do protecionismo e a paralisia da Organização Mundial do Comércio impõem uma situação de assimetria insustentável para o Sul Global. É hora de interromper os mecanismos que sustentam, há séculos, o financiamento do mundo desenvolvido às custas das economias emergentes e em desenvolvimento. É inaceitável que os países ricos tenham nove vezes mais poder de voto no FMI do que o Sul Global”, disse.
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