Ataques dos Estados Unidos levam 100 brasileiros a deixar Venezuela pela fronteira com Roraima
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Ataques dos Estados Unidos levam 100 brasileiros a deixar Venezuela pela fronteira com Roraima

Ataques dos Estados Unidos levam 100 brasileiros a deixar Venezuela pela fronteira com Roraima Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Resumo da notícia

  • Cerca de 100 brasileiros que estavam na Venezuela cruzaram a fronteira com o Brasil, em Roraima, após ataques dos Estados Unidos; não há registro de vítimas.
  • Itamaraty monitora a situação da comunidade brasileira, mantém fronteira aberta e orienta quem quiser sair a procurar as representações diplomáticas.
  • Governo brasileiro condenou a ofensiva dos EUA, reafirmou defesa do direito internacional e participará de reuniões da Celac e do Conselho de Segurança da ONU.

O governo brasileiro informou neste sábado (3) que cerca de 100 brasileiros que faziam turismo na Venezuela cruzaram a fronteira com o Brasil, em Roraima, após os ataques dos Estados Unidos contra o país sul-americano.

Segundo a ministra interina do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Maria Laura da Rocha, o Itamaraty segue monitorando a situação da comunidade brasileira em território venezuelano. De acordo com ela, até o momento não há registro de vítimas entre os brasileiros.

“Nossa embaixada em Caracas segue acompanhando com atenção não apenas o desenrolar dos acontecimentos, mas também a situação da comunidade brasileira naquele país. Não havendo qualquer relato de vítimas ou feridas na comunidade brasileira”, afirmou a ministra interina.

Maria Laura substitui o chanceler Mauro Vieira, que estava de férias, mas interrompeu o descanso e retornou a Brasília ainda neste sábado para acompanhar os desdobramentos da crise envolvendo a Venezuela.

A ministra falou com a imprensa no Itamaraty após a segunda reunião emergencial do dia sobre a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos. O encontro foi coordenado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contou com a participação dos ministros da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, da Secretaria de Comunicação do Planalto, Sidônio Palmeira, e da Defesa, José Múcio.

Também participaram da reunião a ministra interina da Casa Civil, Miriam Belchior, a embaixadora do Brasil em Caracas, Glivânia Maria de Oliveira, e representantes da Secretaria de Relações Institucionais.

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O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que a fronteira entre os dois países segue aberta e tranquila e orientou brasileiros que desejarem deixar a Venezuela a procurarem as representações diplomáticas.

“Da maneira que está tudo calmo, as fronteiras estão abertas, não há nenhuma restrição. O brasileiro que estiver lá pode vir, procure o seu embaixador, o embaixador ajudou, a vice-cônsul brasileira lá também tem ajudado bastante, de maneira que nós estamos só de plantão para ver se surgem novos acontecimentos”, disse Múcio.

Questionada sobre quem o Brasil reconhece como chefe de Estado da Venezuela, Maria Laura afirmou que o país considera a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina. “Na ausência do atual presidente, Maduro, é a vice-presidente. Ela está como presidente interina”, disse.

A ministra interina do MRE informou ainda que o Brasil participará da reunião ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), marcada para este domingo (4), e da reunião do Conselho de Segurança da ONU, prevista para a próxima segunda-feira (5). Em ambos os encontros, será discutida a ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela.

“O Brasil continua sendo a favor do direito internacional, que é a posição tradicional brasileira contra qualquer tipo de invasão territorial, é pela soberania dos países”, afirmou Maria Laura.

Mais cedo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um comunicado condenando os ataques dos Estados Unidos, classificando a ação como uma violação do direito internacional.

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