“Até o dia da morte é dia de viver”: Fábio Tristão fala ao Transnotícias sobre Setembro Amarelo e saúde mental em cuidados paliativos
Por Dandara Barreto | 29/09/2025 06:15 e atualizado em 29/09/2025
Foto: Dandara Barreto
Resumo da notícia
- O psiquiatra Fábio Tristão participou do programa Transnotícias na Transbrasil FM durante o Setembro Amarelo, abordando temas como prevenção do suicídio e cuidados com pacientes em fim de vida.
- Tristão destacou o aumento dos transtornos mentais, os impactos negativos das redes sociais e a importância dos vínculos reais para o bem-estar emocional.
- O psiquiatra integra a equipe da Resiliar, especializada em cuidados paliativos e acompanhamento pós-UTI, com ênfase na escuta qualificada e apoio humanizado.
No ar pela Transbrasil FM, o Transnotícias recebeu o psiquiatra Fábio Tristão para uma conversa franca sobre prevenção do suicídio no Setembro Amarelo e a valorização da vida de pacientes em cuidados paliativos. Ao longo da entrevista, Tristão refletiu sobre o aumento dos transtornos mentais, a pressão social das redes, a importância de vínculos reais e o papel da escuta qualificada no fim da vida. Ele integra a equipe multidisciplinar da Resiliar, com foco em cuidados paliativos e acompanhamento pós-UTI.
Escute a entrevista na íntegra:
Por que o Setembro Amarelo ainda é necessário?
Porque ele nos lembra de fazer a pergunta mais simples e poderosa: “Posso te ajudar com alguma coisa?” O suicídio é a ponta mais trágica do sofrimento. Mas o recado vale para toda forma de dor, especialmente quando falamos de finitude.
O que explica mais diagnósticos de ansiedade, depressão e burnout?
Há mais procura por cuidado e também mais adoecimento. Vivemos uma “sociedade do cansaço”. Trabalho excessivo, insegurança, despersonalização. Relações sociais enfraquecidas pioram o quadro. Longevidade tem muito a ver com bons vínculos, não só com dinheiro ou dieta.
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Redes sociais ajudam ou atrapalham?
Há benefícios, mas o malefício é visível. Vidas guiadas por expectativa e performance. Quando a realidade chega, vem a desorientação. Falta presença, no próprio prato, na própria rotina, nas próprias relações.
Como isso impacta quem está em cuidados paliativos?
Esses pacientes lidam com dor, limitações e muitas vezes perda de propósito. Sonhos do presente e do futuro ficam em suspensão. A ideação suicida pode surgir dessa sensação de terminalidade e desesperança.
O que é paliar?
Não é “não fazer nada”. Paliar vem de “cobrir com manto”. Significa aconchegar, acolher, aliviar. É fazer muita coisa para que a pessoa sofra menos e viva melhor o tempo que tem.
Como oferecer uma escuta qualificada, na prática?
Deixe a pessoa falar. Evite interromper. Pergunte “como foi?”, “como você se sente?”, sem julgamento. Muitas vezes, em 15 minutos, o paciente entrega o diagnóstico com sua própria narrativa. Se a gente não o interromper.
E a família, que também adoece?
Quase sempre adoece junto. Existem dinâmicas antigas, culpas, sobrecargas, privação de sono. É a “síndrome do cuidador ferido”. Quando o papel de cuidar consome a vida de quem cuida. É preciso olhar e cuidar de quem cuida.
Comunicação clara e humanizada muda o quê?
Tudo pode ser dito, com boas palavras. Nada de jargão. Diga o que está acontecendo de modo compreensível para a história daquela pessoa. Esconder o diagnóstico aumenta o sofrimento.
Como funciona o atendimento que você integra?
Atendo em clínica e numa equipe multidisciplinar com psicologia, psiquiatria, medicina da dor, fono e fisioterapia. Fazemos visitas domiciliares quando a locomoção é difícil e acompanhamos também quem sai de terapia intensiva com perdas funcionais importantes.
Qual mensagem você deixa neste Setembro Amarelo?
Amar. Tratar com carinho, atenção e tempo. O tempo do paciente em fim de vida está se extinguindo. Que ele se encerre de forma bonita e digna. Um lema dos paliativos resume: “Até o dia da morte é dia de viver.” Vamos cuidar uns dos outros. É mais fácil assim.
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