Bahia ocupa oitava posição com maior número de acidentes com elevadores no nordeste
Por Yasmin Mota | 11/09/2025 06:26 e atualizado em 11/09/2025
Foto: Divulgação/CBMMG
Resumo da notícia
- Estudo da UFBA revelou que entre 2010 e 2014, mais de 3 mil pessoas sofreram acidentes com elevadores, com 81 mortes registradas. Entre 2010 e 2020, os casos aumentaram 63,8%, com destaque negativo para a Bahia.
- Especialistas alertam que os números oficiais são apenas uma parte do problema, já que muitos casos não são notificados. Acidentes recentes, como os de Salvador, reforçam preocupações com segurança e cumprimento das normas trabalhistas.
- O MPT, em parceria com o Instituto de Saúde Coletiva da UFBA, tem promovido encontros e estudos para investigar causas dos acidentes, especialmente os relacionados ao trabalho. O objetivo é subsidiar políticas públicas e fortalecer a fiscalizaçã
A queda do elevador da Glória, em Lisboa, reacendeu a polêmica sobre a segurança desses equipamentos no Brasil. Estudo realizado pelo Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA) revela um crescimento acelerado no número de acidentes envolvendo elevadores no Brasil. O levantamento, apresentado semana passada em reunião com diversos órgãos e entidades na sede do Ministério Público do Trabalho (MPT), aponta que 3.131 pessoas sofreram algum tipo de consequência por acidentes envolvendo o uso desse tipo de equipamento de transporte entre 2010 e 2014. Desses, 81 morreram. A Bahia aparece com os maiores números do Nordeste e na oitava posição entre os estados do país pelos dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), com 70 acidentes. O estado registrou 14 mortes.
Os números também revelam claramente o avanço no número de acidentes ano a ano. De 2010, quando teve 119 acidentes pelos registros do Sinan, a 2020, o total cresceu 63,8%. E esse aumento disparou nos últimos anos, chegando a 485 casos, um crescimento de 307%. Os dados foram apresentados em reunião na sede do MPT com a presença de representantes do Corpo de Bombeiros, do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), do Centro de Referência Saúde do Trabalhador (Cerest Salvador) e do Departamento de Polícia Técnica (DPT). Novos encontros serão promovidos para atacar o problema e buscar a reversão dos dados.
“Esses números são só a pontinha do iceberg, são os casos notificados formalmente”, pondera o professor e pesquisador Cleber Cremonese. O quadro revelado pela investigação que ele lidera preocupa o MPT por sua faceta relacionada ao trabalho. Casos recentes ocorridos em Salvador acenderam o alerta sobre o respeito a normas de saúde e segurança do trabalho nesses equipamentos, como as mortes de dois trabalhadores em um elevador de prédio residencial no Horto Florestal em agosto de 2024 e de nove operários da construção civil vítimas de um equipamento que despencou do 20º pavimento em uma obra no Caminho das Árvores em 2011.
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Os dados reunidos pela equipe de pesquisadores do ISC da Ufba também apontam que o Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, registrou 212 mortes decorrentes de contato com elevadores entre 2010 e 2023. Os acidentes de trabalho respondem por 65% desse total, com 139 registros. O procurador do Trabalho Ilan Fonseca acredita que é preciso avançar no estudo para identificar se esses índices são decorrência de fatores como pejotização, busca de metas arrojadas, alta rotatividade e baixo nível de capacitação de profissionais de manutenção.
A parceria do ISC com o MPT para a produção de dados sobre trabalho e saúde tem rendido diversos frutos, como o mapeamento das condições dos trabalhadores das praias e o projeto Melhor Prevenir, que promove ações fiscais conjuntas de diversos órgãos com acompanhamento dos pesquisadores. A ideia é coletar dados para embasar políticas públicas e ações do MPT na defesa dos direitos trabalhistas. O trabalho desenvolvido pelos pesquisadores coordenados pelo professor Cleber Cremonese conta com recursos destinados pelo MPT.
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