Brasil aciona OMC para contestar tarifas impostas pelos Estados Unidos
Economia

Brasil aciona OMC para contestar tarifas impostas pelos Estados Unidos

Brasil aciona OMC para contestar tarifas impostas pelos Estados Unidos Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Resumo da notícia

  • O governo brasileiro solicitou a abertura de consultas na Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar tarifas impostas pelos Estados Unidos, alegando que as medidas violam as regras do comércio internacional e o GATT 1994.
  • O Brasil questiona uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, decorrente de investigação específica contra o país, e outra de 12,5%, aplicada após investigação envolvendo 60 economias sobre restrições a produtos ligados ao trabalho forçado.
  • As tarifas podem atingir cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras aos EUA, afetando setores como máquinas, madeira, calçados, móveis, confecções e óleos.

O governo brasileiro acionou oficialmente a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra os Estados Unidos ao solicitar, nesta segunda-feira (27), a abertura de consultas no sistema de solução de controvérsias da entidade. A medida questiona duas tarifas impostas pelo governo americano com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Em nota, o Ministério das Relações Exteriores informou que o Brasil considera as sobretaxas incompatíveis com as regras do comércio internacional e com os compromissos assumidos pelos Estados Unidos no âmbito do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio de 1994 (GATT 1994), além de contrariar as normas da própria OMC para resolução de disputas.

Uma das medidas contestadas resultou de uma investigação direcionada ao Brasil e estabeleceu uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Durante o processo, os Estados Unidos analisaram temas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e ações de combate ao desmatamento ilegal.

A segunda sobretaxa, de 12,5%, surgiu de uma investigação envolvendo 60 economias. Nesse caso, o foco foi a existência e a aplicação de restrições à importação de produtos fabricados, total ou parcialmente, com uso de trabalho forçado.

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O pedido de consultas marca a primeira fase do mecanismo de solução de controvérsias da OMC. Nesse estágio, os países tentam chegar a um entendimento por meio de negociações antes da possível criação de um painel internacional para julgar o caso.

Segundo o Itamaraty, a iniciativa busca demonstrar que as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos desrespeitam as normas multilaterais que regem o comércio internacional.

As novas tarifas anunciadas pelo governo americano deverão atingir cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras para o mercado dos Estados Unidos, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A pasta informou que a sobretaxa acumulada de 37,5% incide sobre aproximadamente 16,5% das vendas brasileiras ao país.

Entre os produtos afetados estão máquinas e equipamentos, diferentes tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e peças do setor de confecções.

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