Brasil articula proteção contra possível interferência dos Estados Unidos nas eleições, afirma The New York Times
Por Yasmin Mota | 01/10/2026 11:19 e atualizado em 01/10/2026
Foto: Divulgação
Resumo da notícia
- Segundo reportagem do The New York Times, o Brasil estaria articulando com Canadá, Japão, Austrália e países da União Europeia uma possível resposta conjunta a eventuais interferências estrangeiras nas eleições de 2026. A ideia, de acordo com o jornal, seria defender a integridade do processo eleitoral independentemente do resultado.
- O TSE já adotou medidas para combater desinformação e o uso indevido de inteligência artificial nas eleições. Entre elas estão um conselho sobre integridade informacional, regras para conteúdos gerados por IA e ações de cooperação com plataformas digitais.
- A reportagem também relaciona a preocupação brasileira à atuação do governo de Donald Trump em eleições na América Latina. Segundo o New York Times, autoridades brasileiras avaliam possíveis cenários de influência externa; o governo norte-americano nega que esteja tentando interferir na eleição brasileira.
Uma reportagem publicada pelo jornal The New York Times na segunda-feira (28) revelou que o governo brasileiro articula com outros países uma possível resposta conjunta a interferências estrangeiras nas eleições de 2026. Segundo o jornal, representantes do Canadá, Japão, Austrália e de países da União Europeia mantêm conversas com o Brasil para defender a integridade do processo eleitoral após a votação, independentemente do resultado.
Brasil reforça proteção do processo eleitoral
De acordo com o The New York Times, órgãos de inteligência brasileiros passaram a priorizar o combate à manipulação estrangeira nas redes sociais. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também criou novas medidas contra a desinformação e pediu a empresas como Google e Meta planos para combater vídeos e publicações enganosas produzidos com inteligência artificial.
O governo também iniciou ações para aumentar a confiança nas eleições entre a população, diplomatas e observadores internacionais. Em agosto, o TSE promoveu um workshop sobre o sistema eleitoral para mais de 80 diplomatas estrangeiros. A iniciativa inclui ainda campanhas com influenciadores digitais e um mascote inspirado na urna eletrônica.
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Preocupação envolve atuação de Donald Trump
O jornal relaciona a preocupação brasileira à atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em eleições de outros países da América Latina. Segundo a reportagem, candidatos de direita alinhados a Washington receberam apoio de Trump em disputas recentes na região. O governo americano, porém, rejeita as acusações de que esteja tentando interferir na eleição brasileira.
Ainda segundo a publicação, autoridades brasileiras disseram ao jornal que um eventual apoio dos Estados Unidos a Flávio Bolsonaro poderia vir acompanhado de novas medidas destinadas a prejudicar a imagem de Luiz Inácio Lula da Silva. No ano passado, Trump impôs sanções contra autoridades brasileiras e estabeleceu tarifas de 50% sobre produtos do país.
A reportagem foi baseada em entrevistas com mais de dez funcionários do governo e do setor eleitoral brasileiro, além de policiais, agentes de inteligência e diplomatas estrangeiros. O New York Times descreve as medidas como parte dos esforços do Brasil para reduzir os riscos de influência externa sobre a eleição.
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