Câmara de Vereadores celebra 192 anos de Feira de Santana em sessão solene
Por Hamurabi Dias | 18/09/2025 23:47 e atualizado em 18/09/2025
Foto: Yasmin Mota
Resumo da notícia
- A Câmara de Vereadores celebrou os 192 anos de Feira de Santana com palestra do médico e pesquisador João Batista de Cerqueira, que trouxe fatos pouco conhecidos sobre as origens da cidade, destacando pioneiros, desbravadores e a importância da cidade como entroncamento histórico.
- Discursos de autoridades como o presidente da Câmara, Marcos Lima, e o prefeito José Ronaldo ressaltaram a vocação acolhedora de Feira, seu potencial econômico e cultural, além da necessidade de maior apoio dos governos estadual e federal.
- A solenidade contou com apresentações artísticas e a entrega de um quadro da heroína Maria Quitéria, reforçando o simbolismo da data e a valorização da memória histórica da “Princesa do Sertão”.
A ideia era direcionar um novo olhar sobre a história de Feira de Santana. E o médico, professor, pesquisador e escritor João Batista de Cerqueira conseguiu levar para a Câmara Municipal informações curiosas e muitas delas desconhecidas da historiografia sobre a cidade. A palestra foi durante a Sessão Especial comemorativa dos 192 anos de emancipação política, na tarde desta quinta-feira (18). A solenidade, que lotou a Casa da Cidadania, contou ainda com performances musicais e literárias
Emocionado por retornar à Casa Legislativa, onde exerceu mandato de vereador, João Batista disse que “pensar em fazer o bem, é o princípio fundamental da vida”, estendendo essa ideia à função pública. João Batista lembrou a instalação da primeira Câmara Municipal, em 18 de setembro de 1833, com uma composição de sete vereadores. À época, eram três freguesias, São José das Itaporocas, Santana do Camisão (Ipirá), Santíssimo Sacramento de Jesus (Irará).

Foto: Divulgação/CMFS
Ele começou a falar das origens da cidade destacando que “nunca é tarde para lembrar os pioneiros”. Citando o escritor francês Denis Fustel Coulanges, autor do livro Cidade Antiga, João Batista disse que o passado não desaparece. “O que precisamos é olhar o mesmo ambiente, de forma diferente”, ensinou, ao citar o Monsenhor Renato Andrade Galvão, figura grandiosa que tornou-se Cura da Catedral de Santana. “Ele olhou Feira com outros olhos”, afirmou, ao contar que coube ao religioso pesquisar a história e descobrir que houve desbravadores bem antes do que consta nos dados oficiais.
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“A civilização começou por volta de 1612, quando o mestre de campos Antônio Guedes de Brito herdou as terras da antiga Fazenda dos Tocós, fato anterior à chegada do casal Domingos Barbosa de Araújo e Ana Brandoa à Fazenda Santana dos Olhos D’Água, contou João Batista. Com a sua morte, em 1695, João Peixoto Viegas adquiriu três Sesmarias de sua herança e se mostrou um grande empreendedor, ao implantar as culturas do fumo e da mandioca, bem como a pecuária de corte. “ Uma dessas propriedades foi comprada por Domingos Barbosa e Ana Brandoa”, contou.
João Batista destacou ainda fatos importantes como a contratação do Major Pedro Gomes pelo então governador Geraldo Brasil, em 1657, para abrir uma estrada, de Cachoeira a Serra do Orobó, perto de Ruy Barbosa. “Os portugueses não permitiam que tivéssemos estradas, tínhamos veredas”, explicou. Mereceu destaque também a doação de 100 braças de terra, por Domingos Barbosa de Araújo, no Alto da Boa Vista, onde hoje é a praça Renato Galvão, e novos caminhos que surgiram depois, em direção ao Rio São Francisco. “Feira sempre foi entroncamento, desde o século XVI”, sentenciou o palestrante.
Diversidade e acolhimento
Um dos poucos vereadores feirenses, o presidente do Legislativo, Marcos Lima (União), ressaltou a importância do trabalho diário pelo crescimento da cidade e a melhoria da qualidade de vida da população. “São 192 anos e o objetivo é chegar aos 200 anos muito melhor”, disse o vereador que exerce o quarto mandato e que se orgulha de presidir a Casa. “Feira é uma cidade acolhedora, quem chega se encanta e investe”, afirmou, destacando o potencial da cidade e cobrando o retorno por parte dos governos estadual e federal.
“Essa terra trata tão bem a todos que ninguém quer ir embora”, disse o prefeito José Ronaldo, ao analisar uma cena que presenciou na missa pelo aniversário da cidade. Segundo ele, estavam no altar o Arcebispo Metropolitano Dom Dementino de Castro, que nasceu em Vitória da Conquista, o padre Paulo de Tarso, de Irará, e o padre Julivaldo, de Ouriçangas. Também citou o local de nascimento de vários vereadores e citou até os convidados que se encontravam na solenidade, e que são de várias partes do país. O próprio prefeito é natural de Paripiranga.
Definindo cidade “lugar de gente, mistura de raças e religiões”, José Ronaldo lembrou a sua chegada a Feira e Santana, pelas mãos de Faustino Dias Lima, e da relação de amor e respeito que tem com a cidade, ao pedir um presente de todos os feirenses, por nascimento ou adoção: “Não joguem lixo na rua. Se aprendermos a não fazer isso, nossa cidade será muito melhor”, defendeu. Na mesma linha do compromisso com a cidade que o adotou, o deputado estadual José de Arimatéia, que também foi vereador, fez uma oração em agradecimento.
Homenagem a heroína
Vídeo por Yasmin Mota
Durante a sessão solene, a Câmara Municipal recebeu uma obra de arte que retrata a heroína Maria Quitéria, que foi importante para a construção da história da ‘Princesa do Sertão’ e da Independência do Brasil na Bahia. O quadro foi produzido pela artista plástica Zezé Negrão.
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