Congelamento de óvulos ganha força entre brasileiras que adiam maternidade
Saúde

Congelamento de óvulos ganha força entre brasileiras que adiam maternidade

Congelamento de óvulos ganha força entre brasileiras que adiam maternidade Foto: Flickr/Keyle Nelson

Resumo da notícia

  • O congelamento de óvulos tem ganhado força entre brasileiras que adiam a maternidade por razões pessoais, profissionais ou de saúde. A taxa de fecundidade no país caiu para 1,55 filho por mulher, e a idade média do primeiro parto subiu para 28,1 anos, segundo o IBGE.
  • O procedimento é essencial para mulheres diagnosticadas com câncer de mama, já que quimioterapia e radioterapia podem comprometer a fertilidade. Especialistas recomendam o congelamento antes dos 37 anos, pois a taxa de sucesso é maior quanto mais jovem e maior o número de óvulos coletados.
  • A técnica amplia o controle das mulheres sobre o planejamento familiar e reduz a pressão do “relógio biológico”. Estudos indicam que bebês gerados a partir de óvulos congelados têm índices de saúde equivalentes aos de gestações naturais, comprovando a segurança do método.

Adiar a maternidade deixou de ser exceção e se tornou uma tendência crescente no Brasil. Neste Outubro Rosa, o alerta se amplia: além de atender mulheres que desejam esperar mais tempo para ter filhos por motivos pessoais ou profissionais, o congelamento de óvulos também é fundamental para pacientes diagnosticadas com câncer de mama que planejam engravidar no futuro, já que quimioterapia e radioterapia podem comprometer a fertilidade.

O Brasil vive hoje um cenário de fecundidade em queda. Dados do IBGE mostram que a taxa de filhos por mulher caiu para 1,55 em 2022, a menor da história, enquanto a idade média para o primeiro parto chegou a 28,1 anos. No mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que uma em cada seis pessoas adultas tem infertilidade. Esse quadro ajuda a explicar o crescimento do congelamento de óvulos, que quase dobrou no país entre 2020 e 2023, de acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A médica Wendy Delmondes, especialista em reprodução humana, destaca que a preservação da fertilidade tem se mostrado uma estratégia eficaz diante do envelhecimento reprodutivo e também no contexto oncológico. “O risco de infertilidade aos 40 anos é mais que o dobro em relação aos 35. Se deseja engravidar sem tratamento, deve-se tentar até os 32 anos. E para pacientes com câncer de mama, o congelamento de óvulos antes do início da quimioterapia é uma medida de precaução que aumenta as chances de realizar o sonho da maternidade no futuro”, explica.

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A médica ressalta que o congelamento de óvulos é uma alternativa que amplia as possibilidades de quem deseja esperar. “Muitas mulheres se sentem menos pressionadas, porque podem adiar a maternidade sem precisar decidir imediatamente. A maioria não se arrepende, mesmo quando não chega a utilizar os óvulos congelados”, afirma.

Foto: Médica Wendy Delmondes, especialista em reprodução humana | Divulgação

Pesquisas internacionais mostram que, embora muitas mulheres saibam que a fertilidade declina com a idade, poucas conhecem exatamente o momento em que esse processo se intensifica. Há ainda uma superestimação das chances de gravidez em idades mais avançadas, mesmo com as técnicas de reprodução assistida. “Os melhores resultados são obtidos quando o congelamento acontece antes dos 37 anos e com maior número de óvulos disponíveis”, orienta Delmondes.

O congelamento de óvulos, além de ampliar as possibilidades de planejamento, também representa uma transformação cultural. Se antes a maternidade estava sujeita a prazos biológicos rígidos, hoje a tecnologia permite maior liberdade de escolha. Estudos comprovam que os bebês nascidos a partir de óvulos congelados apresentam índices de saúde equivalentes aos de gestações espontâneas, reforçando a segurança do procedimento.

Na Bahia, especialistas observam um interesse crescente em técnicas de reprodução assistida, especialmente em Salvador, onde estão concentrados os principais centros especializados. O movimento segue a tendência nacional e reflete uma mudança de mentalidade: mais do que postergar a maternidade, trata-se de garantir autonomia sobre quando e como ser mãe.

“Cabe a nós, profissionais de saúde, oferecer informação clara e no tempo certo, para que cada mulher possa decidir de forma consciente sobre o seu futuro reprodutivo — seja porque ainda não encontrou o parceiro, não está preparada, deseja esperar mais um pouco ou precisa enfrentar um tratamento contra o câncer”, conclui.

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