Conselho de Paz: 23 países aceitam e 6 dizem não a Donald Trump; Brasil evita resposta direta
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Conselho de Paz: 23 países aceitam e 6 dizem não a Donald Trump; Brasil evita resposta direta

Conselho de Paz: 23 países aceitam e 6 dizem não a Donald Trump; Brasil evita resposta direta Foto: World Economic Forum/Valeriano Di Domenico

Resumo da notícia

  • Dos cerca de 60 países convidados por Trump, 23 aceitaram integrar o Conselho de Paz, seis recusaram e outros, como Brasil, China e Reino Unido, ainda analisam a proposta.
  • Diplomatas avaliam que o conselho pode enfraquecer a ONU, já que prevê mandato vitalício para Trump e pagamento de US$ 1 bilhão para assentos permanentes, com recursos sob seu controle.
  • Lula criticou a iniciativa, disse que a Carta da ONU está sendo “rasgada” e afirmou que o Brasil evita resposta direta, preferindo questionar o estatuto do conselho e defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, lançou na quinta-feira (22) o “Conselho de Paz”. Cerca de 60 países foram convidados a integrar a iniciativa. Desses, ao menos 23 já aceitaram o convite, e seis rejeitaram.

Contexto: O Conselho de Paz é uma estrutura criada por Trump para atuar na manutenção da paz e na reconstrução da Faixa de Gaza. A iniciativa também pode atuar em outros conflitos internacionais no futuro.

• Desde que Trump anunciou o conselho, diplomatas vêm dizendo que a medida pode enfraquecer as Nações Unidas como um todo.

• De acordo com uma cópia do estatuto do conselho obtida pela agência Reuters, Trump terá mandato vitalício como presidente do grupo.

• Países que desejarem um assento permanente precisarão pagar US$ 1 bilhão (R$ 5,3 bilhões). Os recursos serão administrados por Trump.

Países mais alinhados a Trump, como Argentina e Israel, estiveram entre os primeiros a anunciar adesão ao conselho. Por outro lado, nações europeias veem a iniciativa com preocupação. O Brasil ainda avalia a proposta — veja a posição de Lula mais abaixo.

Segundo a agência de notícias Bloomberg, a Itália foi convidada para ser um dos países fundadores, mas ainda não respondeu ao convite do governo americano.

Até agora, o Canadá é o único país que teve o convite cancelado por Trump. O presidente americano anunciou a decisão após uma troca de farpas com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, no Fórum Econômico Mundial.

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Veja a seguir quem já aceitou e quem recusou o convite de Trump.

Países que aceitaram

1. Armênia

2. Arábia Saudita

3. Argentina

4. Azerbaijão

5. Bahrein

6. Belarus

7. Bulgária

8. Catar

9. Cazaquistão

10. Egito

11. Emirados Árabes Unidos

12. Hungria

13. Indonésia

14. Israel

15. Jordânia

16. Kosovo

17. Marrocos

18. Mongólia

19. Paquistão

20. Paraguai

21. Turquia

22. Uzbequistão

23. Vietnã

Países que recusaram

1. França

2. Noruega

3. Eslovênia

4. Suécia

5. Espanha

6. Alemanha

Países que estão analisando

1. Brasil

2. Reino Unido

3. China

4. Croácia

5. Itália

6. Rússia

7. Singapura

8. Ucrânia

A posição de Lula

Nesta sexta-feira (23), o presidente Lula afirmou que o mundo vive um momento “muito crítico” do ponto de vista político e disse que a Carta da ONU está sendo “rasgada”. Ele também criticou o Conselho de Paz de Trump.

“Em vez de corrigir a ONU, como a gente reivindica desde 2003, com a entrada de novos países — como México, Brasil e países africanos — o que está acontecendo é que o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, como se ele sozinho fosse o dono da ONU”, disse.

O g1 apurou que o Brasil não tem pressa para responder ao convite de Trump. A expectativa é que, em vez de uma resposta direta, o governo envie pedidos de esclarecimentos técnicos sobre brechas jurídicas do estatuto do conselho.

O governo Lula pretende usar o debate em torno dos interesses e do modo de atuação do novo órgão unilateral criado por Trump como argumento para defender uma reforma imediata do Conselho de Segurança da ONU durante a Assembleia Geral da organização, prevista para setembro.

• A estratégia, segundo fontes da diplomacia, será convocar outros líderes para uma reforma que democratize o sistema da ONU.

• O Brasil deve alertar que, caso as mudanças não ocorram, o mundo será governado por modelos como o proposto por Trump.

Diplomatas enxergam o plano de Trump como um atestado da falência do atual sistema multilateral. Destacam ainda que o novo órgão só ganha tração porque o Conselho de Segurança não consegue mais resolver crises como a de Gaza.

“Se Trump parar o genocídio em Gaza, ele prova que a ONU não serve mais para nada no formato atual”, avaliou uma fonte ligada à diplomacia do Brasil.

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