Conselho Federal de Medicina publica resolução que proíbe aplicar anestesia para fazer tatuagem
Por Yasmin Mota | 28/07/2025 11:02 e atualizado em 28/07/2025
Foto: Reprodução/ Redes sociais
Resumo da notícia
- O CFM proibiu a aplicação de sedação, anestesia geral e bloqueios anestésicos em procedimentos de tatuagem feitos com fins estéticos. A medida visa garantir a segurança dos pacientes, após casos de complicações, como a morte de um influencer em Santa Catarina.
- Segundo o CFM, não há evidências suficientes sobre a segurança do uso de anestesia em tatuagens. Além dos riscos anestésicos, há preocupação com a maior absorção de pigmentos e metais pesados, o que pode causar efeitos tóxicos acumulativos e até risco de câncer.
- A única exceção é para tatuagens com indicação médica, como reconstruções pós-cirúrgicas. Nesses casos, o procedimento deve ser feito em ambiente hospitalar, com avaliação prévia, equipe especializada e infraestrutura adequada.
O CFM (Conselho Federal de Medicina) aprovou resolução proibindo o uso de anestesia para a execução de tatuagens. O texto foi publicado nesta segunda-feira (28) e já está valendo em todo o país.
José Hiran Gallo, presidente do conselho, diz que a medida visa garantir a segurança dos pacientes. Em janeiro deste ano, um influencer morreu ao fazer o procedimento em Santa Catarina.
Conforme a resolução, obtida com exclusividade pela Folha de S.Paulo, o médico não poderá realizar sedação, anestesia geral ou bloqueios anestésicos periféricos para procedimentos de tatuagem, independentemente da extensão ou localização do desenho.
Fica prevista exceção apenas para casos em que a tatuagem possui indicação médica, a exemplo de procedimentos reconstrutivos –como a pigmentação da aréola mamária após cirurgia em caso de câncer de mama.
O relator da resolução, conselheiro federal Diogo Sampaio, afirma que a realização de tatuagens tem crescido exponencialmente, fenômeno acompanhado pela participação de médicos, em especial anestesiologista. Isso, diz ele, traz grande preocupação.
“A participação médica nesses contextos, especialmente envolvendo sedação profunda ou anestesia geral para a realização de tatuagens, configura um cenário preocupante, pois não existe evidência clara de segurança dos pacientes e à saúde pública”, comenta.
Há ainda outro problema, afirma Sampaio: ao viabilizar a execução de tatuagens de grande extensão corporal, que seriam normalmente intoleráveis, os anestésicos elevam demasiadamente o risco de absorção sistêmica dos pigmentos, metais pesados (cádmio, níquel, chumbo e cromo) e outros componentes das tintas.
Esses metais, segue o relator, têm efeitos tóxicos cumulativos que podem ser prejudiciais e ainda não estão completamente elucidados, como migração linfática de pigmentos com retenção em linfonodos, toxicidade crônica, reações inflamatórias persistentes, granulomas, alergias e possível risco carcinogênico.
✅📲 AQUI A NOTÍCIA CHEGA PRIMEIRO: Seu novo portal de notícias de Feira de Santana e região! Entre no nosso grupo do WhatsApp e receba as principais notícias na palma da mão!
>> Siga o perfil oficial do T Notícias no Instagram para mais informações.
Sampaio ressalta que o CFM estabelece condições mínimas de segurança para a prática anestésica e determina que tais procedimentos ocorram exclusivamente em estabelecimentos assistenciais de saúde que disponham de infraestrutura adequada para o atendimento imediato de eventuais intercorrências.
“Os ambientes onde as tatuagens são usualmente realizadas com fins não médicos, via de regra, não cumprem tais requisitos, sendo desprovidos das condições materiais e humanas indispensáveis à segurança do ato anestésico”, diz ele.
Em casos excepcionais nos quais a tatuagem possui caráter reparador, a participação do anestesiologista deve seguir critérios rigorosos: o procedimento deve ocorrer em ambiente de saúde com infraestrutura adequada, incluindo exames e avaliação pré-anestésica, monitoramento contínuo, equipamentos de suporte à vida e equipe treinada para intercorrências.
Na Bahia, um caso recente chamou atenção e viralizou nas redes sociais. O cantor Igor Kannário adicionou algumas novas tatuagens ao corpo, mas para fazer os riscos o pagodeiro recorreu a sedação. O artista se submeteu ao procedimento sob efeito de sedação.
Acompanhe nas redes sociais: Band FM, Jovem Pan FM e TransBrasil FM. Também estamos presentes no grupo do WhatsApp.
leia também