COP30 cita afrodescendentes pela primeira vez em documentos oficiais
Por Yasmin Mota | 23/11/2025 23:26 e atualizado em 25/11/2025
Foto: Rafa Neddermeyer/COP30 Brasil Amazônia/PR
Resumo da notícia
- Pela primeira vez, documentos oficiais da conferência climática incluíram explicitamente afrodescendentes, reconhecendo sua vulnerabilidade e necessidade de participação em políticas climáticas.
- A ministra Anielle Franco e organizações como o Geledés celebraram o avanço, mas reforçaram que o reconhecimento deve se traduzir em ações concretas contra o racismo ambiental e em políticas que atendam periferias e territórios mais impactados.
- A inclusão é resultado de mobilização social e dá continuidade ao debate iniciado na COP16, criando base institucional para cobrar medidas de adaptação que priorizem grupos mais afetados pela crise climática.
A COP30, encerrada no sábado (22) em Belém, marcou a primeira inclusão explícita de afrodescendentes em documentos oficiais da conferência. O termo aparece em quatro textos aprovados — Transição Justa, Plano de Ação de Gênero, Objetivo Global de Adaptação e o Mutirão — todos publicados pela Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.
As diretrizes destacam a importância de garantir participação ampla de grupos historicamente vulnerabilizados, incluindo pessoas de ascendência africana, e reforçam que políticas climáticas devem respeitar direitos humanos, justiça social e equidade.
O reconhecimento acontece dias após o feriado da Consciência Negra e foi celebrado pela ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, que afirmou que “as populações afrodescendentes são as mais afetadas pelas mudanças climáticas”.
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Ela pondera, porém, que o avanço precisa se traduzir em ações concretas que considerem a realidade das periferias e territórios impactados pelo racismo ambiental. Organizações como o Geledés Instituto da Mulher Negra também comemoraram o resultado e destacaram que afrodescendentes são “protagonistas de soluções, saberes e práticas de resiliência”, defendendo que a inclusão abre caminho para políticas climáticas mais justas.
A pressão de movimentos da sociedade civil foi determinante para a novidade, que dá continuidade ao debate iniciado na COP16, na Colômbia, quando povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais tiveram participação reconhecida. Para entidades, a mudança não é simbólica: ela cria base para cobrar medidas de adaptação que priorizem quem mais sofre os efeitos da crise climática e requer acesso urgente a recursos e ações institucionais.
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