Debate entre candidatos ao governo da Bahia; Muita farpa, pouca proposta
Por Dandara Barreto | 28/09/2022 11:39 e atualizado em 02/08/2024
Foto: Reprodução TV Bahia
A TV Bahia realizou o debate entre os candidatos ao governo do estado, na noite desta terça-feira (27). Este foi o último debate antes das eleições e o primeiro com a presença de todos os candidatos. Estiveram presentes os quatro postulantes ao Palácio de Ondina que melhor pontuam nas pesquisas: ACM Neto (UB), Jerônimo Rodrigues (PT), João Roma (PL) e Kleber Rosa (PSOL).
O líder nas pesquisas, ACM Neto, foi, conforme esperado, o alvo principal, especialmente dos candidatos Jerônimo Rodrigues e João Roma. Juntos, eles fizeram uma “dobradinha” a fim de isolar o ex-prefeito de Salvador. Sua autodeclaração como “pardo” no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) foi a crítica central dos seus oponentes. João Roma começou chamando-o de “Afroconveniente”, mas seu próximo passo foi a aposta na polarização nacional e depois de afirmar que irá ao segundo turno com Jerônimo Rodrigues, repetiu diversas vezes os feitos, o nome e o número do presidente Jair Bolsonaro.
Neto, por sua vez, apostou no tema Educação, principal fraqueza do seu adversário Jerônimo Rodrigues, que foi secretário da pasta por dois anos no governo Rui. A Bahia tem um dos piores desempenhos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), com nota 3,7%. Atacado, Jerônimo, pouco se defendia, preferia usar o espaço para “contra-atacar” a gestão de Neto enquanto prefeito e herdeiro político.
A pobreza de apresentação de propostas seguiu e teve um ápice: A troca de farpas dos compadres e ex-amigos João Roma e ACM Neto. Uma verdadeira lavagem de roupa suja. “Dá para acreditar que este homem me deu sua filha para eu batizar?” Disparou Neto. “Respeite minha família…Eu limpei o chão para você por vinte anos”, devolveu Roma.
Kleber Rosa, embora não tenha poupado críticas ao candidato Jerônimo Rodrigues, também mirou no ex-prefeito de Salvador. Enquanto os demais ironizavam a autodeclaração de Neto como pardo, ele fez a crítica mais contundente sobre o assunto. “O fato de o senhor, supostamente, defender políticas de inclusão racial, não te torna um homem negro. Outra coisa: pardo é negro. O senhor não pode dizer que é pardo e que não é negro, isso só mostra a sua ignorância sobre o assunto”. Afirmou.
Foi um debate morno, que evidenciou mais as fragilidades dos candidatos do que o que eles têm a oferecer aos 417 municípios baianos com os projetos dos seus almejados governos. Se o pleito do próximo domingo fosse para escolher em quem não votar, o baiano teria tirado mais proveito.
Por Dandara Barreto
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