Deepfake: Professora denuncia uso de IA para criar vídeos pornográficos falsos com sua imagem em Feira de Santana
Por Yasmin Mota | 05/08/2026 10:13 e atualizado em 05/08/2026
Foto: Ilustração/ IA
Resumo da notícia
- Uma professora de 47 anos, de uma escola particular de Feira de Santana, denunciou que teve a imagem manipulada por inteligência artificial e publicada em uma plataforma de conteúdo adulto.
- A vítima acredita que os vídeos tenham sido criados por adolescentes de 15 e 17 anos, possivelmente alunos ou ex-alunos, a partir de fotos retiradas de suas redes sociais. O caso é investigado pela Polícia Civil.
- A professora registrou boletim de ocorrência, reuniu provas e decidiu tornar o caso público para alertar sobre o uso criminoso da inteligência artificial e incentivar outras vítimas a denunciarem.
Uma professora de uma escola particular de Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, denunciou à Polícia Civil que teve a imagem manipulada por inteligência artificial (IA) e publicada em uma plataforma de conteúdo adulto.
A vítima, de 47 anos, acredita que o material tenha sido criado por adolescentes de 15 e 17 anos, possivelmente alunos ou ex-alunos, a partir de fotos retiradas de suas redes sociais.
Em entrevista à TV Subaé, afiliada da Rede Bahia na região, a professora contou que descobriu a existência dos vídeos no dia 20 de julho, após ser alertada por estudantes.
“Eu estava no meu ambiente de trabalho e algumas pessoas me alertaram afirmando que tinha um vídeo meu em uma plataforma de pornografia. Na hora, eu nem me atentei. Depois, me deu um estalo e eu fui ver o que estava acontecendo.”
Ao acessar o site, ela encontrou dois vídeos com sua imagem manipulada.
“Entrei e vi que tinham dois vídeos. No primeiro vídeo eu estava com a camisa da empresa, eram dez segundos de vídeo. Esse vídeo teve 15 mil visualizações. O segundo vídeo era uma imagem minha frontal com uma imagem fazendo sexo oral. Esse teve 12 mil visualizações. Na hora que eu vi, eu engasguei, faltou ar, faltou chão”, contou.
Após localizar as publicações, a professora fez capturas de tela, copiou os links e registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam). Ela também procurou a Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI), responsável pela investigação.
Segundo a vítima, a polícia aguarda a análise técnica para iniciar o rastreamento do endereço de IP utilizado na publicação. Até o momento, o responsável não foi identificado.
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A professora afirmou que, além de buscar responsabilização dos envolvidos, decidiu tornar o caso público para alertar outras pessoas sobre os riscos do uso criminoso da inteligência artificial.
“É um carrossel de sensações. É medo, é angústia, ansiedade, indignação, porque você não escolhe estar ali. Sua imagem foi pega, foi utilizada de um jeito que você jamais espera. Eu jamais esperaria estar aqui agora falando sobre isso, mas é necessário, porque as pessoas precisam entender que quem está naquele vídeo é, antes de tudo, uma pessoa.”
Ela acredita que a motivação não tenha sido sexual, mas de humilhação e constrangimento.
A professora também demonstrou preocupação com a possibilidade de os autores serem adolescentes e com a facilidade de acesso às ferramentas de inteligência artificial. Ela disse esperar que a denúncia ajude a conscientizar outras vítimas a procurarem a polícia.
“Eu também quero fazer dessa situação um alerta, uma voz, para mostrar que a gente não pode se calar. Quando a gente se cala, fortalece esse tipo de atitude. O certo é denunciar para que as pessoas entendam que a internet não é mais terra de ninguém e que existem consequências para esse tipo de crime.”
Informações: G1 Bahia
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