Defensoria Pública inicia revisão processual de cerca de 1.800 mulheres no Conjunto Penal de Feira de Santana
Feira de Santana

Defensoria Pública inicia revisão processual de cerca de 1.800 mulheres no Conjunto Penal de Feira de Santana

Defensoria Pública inicia revisão processual de cerca de 1.800 mulheres no Conjunto Penal de Feira de Santana Foto: Divulgação/DPE-BA

Resumo da notícia

  • A Defensoria Pública da Bahia iniciou um mutirão para revisar os processos de cerca de 1.800 pessoas privadas de liberdade no Conjunto Penal de Feira de Santana, maior unidade prisional do estado.
  • Mais de 20 defensores, servidores e residentes jurídicos analisam individualmente os processos para verificar penas, progressão de regime, remição, detração e possíveis medidas em favor dos internos.
  • A ação começou pelo pavilhão feminino e segue até 28 de agosto, de segunda a sexta-feira. O objetivo é identificar problemas processuais, garantir direitos e atualizar informações sobre o cumprimento das penas.

A Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE/BA) iniciou na última terça-feira (11) um mutirão para revisar a situação processual de cada uma das cerca de 1.800 pessoas privadas de liberdade no Conjunto Penal de Feira de Santana, o maior do Estado. A iniciativa faz parte do projeto Dignidade e Justiça no Sistema Prisional, da Especializada Criminal e de Execução Penal da DPE/BA, que leva a Unidade Móvel de Atendimento para ampliar a assistência jurídica nas unidades prisionais da Bahia. O mutirão segue até 28 de agosto. 

“Nestas três semanas, a intenção é atender a toda a unidade. É um grande desafio porque aqui são quase 1.800 internos e internas. Nossa ideia é não deixar ninguém esquecida e esquecido e fazer o máximo possível para regularizar as situações processuais e garantir direitos”, afirmou o coordenador da Especializada Criminal e de Execução Penal, Daniel Nicory, que está à frente do mutirão com o também coordenador André Maia.

O desafio dos mais de 20 defensores (as) públicos (as), servidores(as) e residentes jurídicos que vão atuar no mutirão é consultar, individualmente, os processos e analisar se há sentença, se a execução das penas está ocorrendo de acordo com o que foi determinado pela Justiça e se existem medidas que precisam ser adotadas pela defesa.  

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Primeiro dia 

O primeiro dia começou com o atendimento às mais de 100 internas do Pavilhão Feminino. Conceitos como progressão de regime, remição, detração, cálculo, redução da pena e livramento condicional foram os mais abordados neste início e seguem ao longo de todo o mutirão. 

Uma das primeiras atendidas foi Regina*, de 35 anos, que confiou na Defensoria desde o primeiro dia em que foi presa. “Eu não tinha dinheiro para pagar advogado e a Defensoria me atendeu. Foi a melhor opção! Sei tudo sobre meu processo, sei que faltam 9 anos, 6 meses e 10 dias para eu cumprir minha sentença e sei que, se trabalhar ou estudar aqui, tenho direito a remição da pena”, aprendeu. 

Segundo Regina, quem vive privada de liberdade aprende a fazer cálculos nos dedos. Conta os meses. Conta os dias. Conta o tempo para voltar para casa. Enquanto ela já tem esse cálculo da pena na mente, outras internas receberam o cálculo impresso durante o mutirão e leram atentamente cada prazo ali descrito.  

“Em alguns casos, uma informação que não foi atualizada pode fazer muita diferença no cumprimento da pena. O cálculo serve também para verificar se todas as informações relativas ao cumprimento da pena estão corretamente registradas no processo”, explicou o coordenador André Maia. 

Para Jaqueline*, essa calculadora representa a possibilidade concreta de saber exatamente quanto tempo ainda falta para sair dali e reencontrar a mãe e as filhas, após cinco meses presa por ter sido considerada cúmplice do namorado no furto de uma motocicleta.  

“Quando a gente está aqui, precisa encontrar alguma coisa para continuar acreditando que a vida vai seguir. A gente olha para todos os lados e só vê grade e parede. Essa calculadora ajuda a contar e a sonhar”, contou, mesmo não tendo perdido a esperança após ter o pedido de prisão domiciliar negado pela Justiça. “Seu caso é passível de recorrer à redução da pena”, ouviu de uma das servidoras durante o mutirão. 

Dignidade e Justiça no Sistema Prisional  

Além dos coordenadores André Maia e Daniel Nicory, este primeiro dia do mutirão contou com o reforço do coordenador da 1ª Regional da DPE/BA – Feira de Santana, João Gabriel Soares de Mello, da defensora Thaís Lopes Rocha e de servidores(as) e residentes jurídicos de Salvador e Feira de Santana.  

“O trabalho desenvolvido por este projeto Dignidade e Justiça no Sistema Prisional nos ajuda a compreender melhor a realidade de cada unidade prisional do Estado da Bahia, a planejar estratégias de atuação e a identificar onde a Defensoria precisa concentrar, ainda mais, seus esforços”, ressaltaram os coordenadores. 

Em Feira de Santana, a Unidade Móvel da Defensoria permanecerá por três semanas, até o dia 28 de agosto, sempre atendendo de segunda a sexta-feira, das 9 às 16h. 

*Nomes fictícios para preservar as identidades das internas

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