Do lambe-lambe ao drone: a construção da memória feirense através das lentes
Feira de Santana

Do lambe-lambe ao drone: a construção da memória feirense através das lentes

Do lambe-lambe ao drone: a construção da memória feirense através das lentes Foto: Ilustração

Resumo da notícia

  • Do Lambe-Lambe à fotografia aérea: Carlos Alberto registra a transformação de Feira de Santana há cerca de 30 anos, enquanto Tiago Martins revela a cidade pelas alturas.
  • Duas gerações, diferentes perspectivas: fotografias 3x4, registros de rua e imagens feitas por drones mostram as mudanças urbanas e tecnológicas da Princesa do Sertão.
  • Fotografia como memória: os dois fotógrafos ajudam a preservar paisagens, histórias e identidades de Feira de Santana através das lentes.

Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia e um dos maiores entroncamentos rodoviários do Norte e Nordeste do país, completa 193 anos de história, cultura, identidade, acolhimento, e movimento nesta sexta-feira (18). A Princesa do Sertão se constrói pelo olhar: o olhar de quem passa e o de quem fica. É entre chegadas, partidas e permanências que a memória feirense é construída.

Neste aniversário de 193 anos, a história de Feira de Santana também pode ser contada por meio das fotografias do passado e do presente. Uma Feira vista do chão. Outra, pelas alturas. Entre fotografias antigas, como as tradicionais fotos 3×4 feitas na Praça do Lambe-Lambe, e registros realizados por drones na atualidade, a cidade muda de aparência, mas preserva marcas que ajudaram a construir a Princesa do Sertão.

De um lado, o olhar de Carlos Alberto, que há aproximadamente 30 anos encontrou na fotografia uma forma de sustentar a família. Começou registrando fotos 3×4 na Praça do Lambe-Lambe e, ao longo dos anos, acompanhou pelas lentes uma cidade que ganhava novos contornos e que hoje sobrevive nas fotografias guardadas na memória.

Do outro, as lentes de quem chegou depois e encontrou uma Feira transformada, maior e verticalizada, mas ainda repleta de paisagens, histórias e símbolos que despertam o desejo de registrar, pelas alturas, sua imensidão e beleza.

Foto: Arquivo Pessoal

Em entrevista ao Jornal Transbrasil, Carlos Alberto conta que a Praça do Lambe-Lambe, localizada na Praça Bernardino Bahia, tinha alta procura nos anos 90.

“Quando entrei no Lambe-Lambe, era um período em que era procurado. Fui pegando a prática, fazendo a clientela, que é bem conhecida”, afirmou Carlos.

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“Lance” de fotógrafo

Mesmo reconhecendo que a procura pelo serviço diminuiu, seu Carlos continua fotografando. Para ele, a profissão ultrapassa a questão financeira e representa uma atividade que ainda desperta prazer.

“Eu estou naquele lance, igual jogador de futebol: nunca para de jogar. Eu sei que caiu bastante, mas eu gosto do que faço”, declarou.

A lembrança da antiga fotografia de rua representa também uma parte da transformação urbana e tecnológica de Feira de Santana.

Assim como aconteceu em diversas partes do mundo, a popularização das câmeras digitais e, principalmente, dos smartphones mudou profundamente o mercado fotográfico feirense. Dessa vez, porém, o olhar ganhou as alturas e passou a ser registrado por drones.

Foto: Arquivo Pessoal

A prática, que vem conquistando espaço e gerando grande repercussão nas redes sociais, passou a fazer parte do trabalho do fotógrafo de 41 anos, Tiago Martins.

Nascido e criado em Salvador, Tiago chegou a Feira de Santana em 2016, de passagem, mas acabou ficando. Na cidade, encontrou acolhimento e passou a registrar, por meio da fotografia, diferentes paisagens que ajudam a construir a identidade feirense.

O pôr do sol, os monumentos, as ruas, os bairros e os diferentes cenários da cidade passaram a fazer parte de seu olhar e de seu trabalho.

Em entrevista, Tiago contou como começou a fotografar Feira de Santana e como descobriu, pelas lentes, novas formas de enxergar a cidade que escolheu para viver.

A atividade, que começou como uma forma de ocupar o tempo, acabou ganhando espaço nas redes sociais e conquistando a atenção do público.

Do bairro aos cartões-postais

O trabalho também ultrapassa os principais pontos turísticos. Tiago recebe pedidos de moradores interessados em ver seus próprios bairros e ruas registradas no alto.

“É engraçado. A pessoa chega e olha uma foto assim: ‘Olha a minha casa ali, olha a minha rua ali. Vem fotografar meu bairro’. Aí eu falo: ‘Vou sim, vou anotar aqui’”, relatou.

Além da arquitetura e dos espaços urbanos, o fotógrafo também busca registrar elementos naturais e momentos do cotidiano, como o pôr do sol e as mudanças no clima da cidade.

Foto: Tiago Martins/ @tm_videomaker

Segundo Tiago, a proposta é mostrar uma Feira de Santana que, muitas vezes, pode passar despercebida por quem vive diariamente no município. Por meio das lentes e das imagens produzidas do alto, ele procura revelar detalhes conhecidos pelos moradores, mas que ganham uma nova dimensão quando vistos de outra perspectiva.

Pelas lentes de Carlos Alberto e Tiago Martins, Feira de Santana aparece em diferentes tempos e perspectivas: do chão às alturas, do passado ao presente. Cada um com a tecnologia de seu tempo, mas com uma missão em comum: manter viva a memória da cidade.

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