Entre homenagens e silêncio: maioria da bancada baiana evita debate sobre feminicídio no 8 de março
Por Coluna O Jogo e o Tabuleiro | 11/03/2026 15:15 e atualizado em 11/03/2026
Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil
Victor Limeira*
Análise das publicações dos 39 deputados federais da Bahia mostra que apenas um terço abordou diretamente o feminicídio, enquanto dois terços da bancada não utilizaram politicamente a data para tratar da violência contra mulheres.
O Dia Internacional da Mulher costuma mobilizar homenagens, discursos e reflexões sobre o papel das mulheres na sociedade. No entanto, também é uma data que revela como lideranças políticas escolhem se posicionar diante de temas estruturais como violência de gênero, desigualdade e representatividade.
Uma análise das publicações feitas pelos 39 deputados federais da Bahia no Instagram neste 8 de março mostra diferentes formas de abordagem da data. Oito parlamentares, o equivalente a 20,5% da bancada, não fizeram nenhuma postagem no feed relacionada ao Dia da Mulher.
Outro grupo expressivo, formado por 14 deputados, ou 35,9% da bancada, publicou mensagens genéricas, geralmente de caráter comemorativo ou familiar, sem abordar diretamente questões estruturais relacionadas à realidade das mulheres no país.
Já 13 parlamentares, representando 33,3% da bancada, trouxeram publicações com posicionamento direto sobre feminicídio ou violência contra mulheres, inserindo a data em um contexto mais amplo de debate público sobre segurança, direitos e políticas de proteção.
Além desses grupos, quatro deputados, o equivalente a 10,3% da bancada, adotaram outras abordagens. Dois destacaram devolutivas de ações legislativas relacionadas a pautas voltadas às mulheres. Uma deputada enfatizou a importância da representatividade feminina na política, enquanto outro parlamentar utilizou a data principalmente para divulgar agendas comemorativas.
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A análise também identificou que seis deputados defenderam o fim da escala 6×1, tema que vem ganhando espaço no debate público nacional. Embora não seja uma pauta exclusivamente feminina, a discussão dialoga diretamente com a realidade de muitas mulheres, especialmente pela questão da dupla jornada de trabalho, que combina atividades profissionais e responsabilidades domésticas.
Entre as próprias parlamentares da bancada baiana, outro dado chama atenção. Das seis deputadas federais do estado, cinco destacaram em suas publicações a importância da representatividade feminina na política, reforçando a discussão sobre a presença de mulheres nos espaços de poder.
Os números revelam um ponto central desta análise. Dos 39 deputados da Bahia, apenas 13 trataram diretamente da violência contra mulheres em suas publicações do 8 de março. Isso significa que dois terços da bancada baiana não utilizaram politicamente a data para abordar um dos temas mais urgentes da realidade feminina no país.
Em um contexto em que a violência contra mulheres segue como um dos principais desafios sociais do Brasil, o posicionamento público de representantes políticos também comunica prioridades. Nas redes sociais, hoje parte essencial da comunicação política, o que se publica, e o que se deixa de publicar, também é uma forma de posicionamento.
* Victor Limeira é jornalista, estrategista político e eleitoral.
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