Envelhecimento populacional em Feira de Santana abre espaço para cuidados especializados
Feira de Santana

Envelhecimento populacional em Feira de Santana abre espaço para cuidados especializados

Envelhecimento populacional em Feira de Santana abre espaço para cuidados especializados Foto: Jorge Magalhães

Resumo da notícia

  • Feira de Santana tem cerca de 80 mil pessoas com 60 anos ou mais, e a participação desse público na população passou de 8,7% em 2010 para aproximadamente 13% em 2022, segundo dados do IBGE.
  • O envelhecimento populacional amplia a demanda por serviços especializados de assistência, acompanhamento e mobilidade, enquanto muitas famílias enfrentam dificuldades para conciliar os cuidados com as responsabilidades profissionais e pessoais.
  • O crescimento da procura por cuidadores também abre oportunidades de empreendedorismo, mas o setor ainda enfrenta informalidade e falta de valorização, reforçando a importância de profissionais qualificados para garantir segurança e qualidade de vida aos idosos.

Importante entroncamento rodoviário e quarto maior polo comercial da Bahia, Feira de Santana começa a desenhar novos trajetos econômicos à medida que o envelhecimento se torna uma realidade cada vez mais presente no Brasil. Com uma população próxima de 80 mil pessoas com 60 anos ou mais, a cidade se depara com um desafio que ultrapassa a saúde: como garantir cuidado e assistência sem transferir toda a responsabilidade para as famílias?

A resposta a essa mudança demográfica também começa a aparecer no mercado. Conforme o número de idosos aumenta, crescem as necessidades relacionadas à assistência, acompanhamento, mobilidade e manutenção da autonomia, criando espaço para novos serviços, profissionais e modelos de negócio voltados à longevidade.

A transformação encontra respaldo nos próprios dados demográficos do município. Em 2010, o público da terceira idade representava 8,7% dos moradores de Feira de Santana. Em 2022, o percentual chegou a aproximadamente 13%, um crescimento superior a 63% em pouco mais de uma década. Os números foram divulgados pelo Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O avanço acompanha uma tendência nacional de envelhecimento da população, mas ganha contornos próprios no território feirense, um dos principais centros econômicos do interior baiano. Por um lado, a mudança impõe novos desafios para o cuidado e a assistência. Por outro, revela uma demanda que pode movimentar profissionais, empresas e empreendedores.

O envelhecimento também modifica a dinâmica das famílias. Com jornadas de trabalho, mudanças na composição dos domicílios e a necessidade de conciliar diferentes responsabilidades, o auxílio a um idoso nem sempre é absorvido exclusivamente pela rede familiar.

Karina Daltro | Foto: Divulgação

É nesse espaço que cresce a procura por especialistas na área. Para Karina Daltro, franqueada da Cuidare – rede de cuidadores de pessoas – em Feira de Santana e enfermeira com mais de 20 anos de experiência, os profissionais qualificados têm um papel essencial. O foco é trabalhar com técnicos em enfermagem o que garante a expertise necessária para fazer um direcionamento em situações de urgência e um maior conhecimento de práticas de segurança” ressalta.

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O mercado informal

O crescimento da demanda também coloca em evidência um mercado que ainda é marcado pela informalidade. Na cidade feirense, parte das famílias ainda recorre a pessoas conhecidas ou familiares para acompanhar idosos, enquanto a contratação de cuidadores nem sempre é percebida como uma necessidade.

Segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), mais de 5,1 milhões de famílias brasileiras já assumem os cuidados desse público. Para muitas delas, porém, a responsabilidade vem acompanhada de sobrecarga, esgotamento emocional e mudanças profundas na rotina e na estrutura.

Para Daltro, esse cenário reforça a importância de mudar a percepção sobre o trabalho do cuidador. “Essa área é muito voltada para uma pessoa conhecida ou um familiar. Ainda não temos a valorização do serviço. O trabalho deve ser enxergado não pelo preço, mas pelo valor”, afirma.

Com o cenário, o empreendedorismo ligado à longevidade ganha espaço. A criação de serviços especializados pode ajudar a dividir uma responsabilidade que, diante das alterações na rotina e do envelhecimento da população, se torna cada vez mais difícil de concentrar dentro de casa.

“Hoje, todos nós estamos muito voltados para o trabalho. Essa possibilidade de estar lá em tempo integral, dar estímulo, estar ao lado, fica prejudicada. Oferecemos não só o cuidado, mas tempo de qualidade para a família”, comenta Daltro.

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