Envelhecimento populacional em Feira de Santana abre espaço para cuidados especializados
Por Hamurabi Dias | 26/10/2026 17:59 e atualizado em 26/10/2026
Foto: Jorge Magalhães
Resumo da notícia
- Feira de Santana tem cerca de 80 mil pessoas com 60 anos ou mais, e a participação desse público na população passou de 8,7% em 2010 para aproximadamente 13% em 2022, segundo dados do IBGE.
- O envelhecimento populacional amplia a demanda por serviços especializados de assistência, acompanhamento e mobilidade, enquanto muitas famílias enfrentam dificuldades para conciliar os cuidados com as responsabilidades profissionais e pessoais.
- O crescimento da procura por cuidadores também abre oportunidades de empreendedorismo, mas o setor ainda enfrenta informalidade e falta de valorização, reforçando a importância de profissionais qualificados para garantir segurança e qualidade de vida aos idosos.
Importante entroncamento rodoviário e quarto maior polo comercial da Bahia, Feira de Santana começa a desenhar novos trajetos econômicos à medida que o envelhecimento se torna uma realidade cada vez mais presente no Brasil. Com uma população próxima de 80 mil pessoas com 60 anos ou mais, a cidade se depara com um desafio que ultrapassa a saúde: como garantir cuidado e assistência sem transferir toda a responsabilidade para as famílias?
A resposta a essa mudança demográfica também começa a aparecer no mercado. Conforme o número de idosos aumenta, crescem as necessidades relacionadas à assistência, acompanhamento, mobilidade e manutenção da autonomia, criando espaço para novos serviços, profissionais e modelos de negócio voltados à longevidade.
A transformação encontra respaldo nos próprios dados demográficos do município. Em 2010, o público da terceira idade representava 8,7% dos moradores de Feira de Santana. Em 2022, o percentual chegou a aproximadamente 13%, um crescimento superior a 63% em pouco mais de uma década. Os números foram divulgados pelo Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O avanço acompanha uma tendência nacional de envelhecimento da população, mas ganha contornos próprios no território feirense, um dos principais centros econômicos do interior baiano. Por um lado, a mudança impõe novos desafios para o cuidado e a assistência. Por outro, revela uma demanda que pode movimentar profissionais, empresas e empreendedores.
O envelhecimento também modifica a dinâmica das famílias. Com jornadas de trabalho, mudanças na composição dos domicílios e a necessidade de conciliar diferentes responsabilidades, o auxílio a um idoso nem sempre é absorvido exclusivamente pela rede familiar.
É nesse espaço que cresce a procura por especialistas na área. Para Karina Daltro, franqueada da Cuidare – rede de cuidadores de pessoas – em Feira de Santana e enfermeira com mais de 20 anos de experiência, os profissionais qualificados têm um papel essencial. O foco é trabalhar com técnicos em enfermagem o que garante a expertise necessária para fazer um direcionamento em situações de urgência e um maior conhecimento de práticas de segurança” ressalta.
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O mercado informal
O crescimento da demanda também coloca em evidência um mercado que ainda é marcado pela informalidade. Na cidade feirense, parte das famílias ainda recorre a pessoas conhecidas ou familiares para acompanhar idosos, enquanto a contratação de cuidadores nem sempre é percebida como uma necessidade.
Segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), mais de 5,1 milhões de famílias brasileiras já assumem os cuidados desse público. Para muitas delas, porém, a responsabilidade vem acompanhada de sobrecarga, esgotamento emocional e mudanças profundas na rotina e na estrutura.
Para Daltro, esse cenário reforça a importância de mudar a percepção sobre o trabalho do cuidador. “Essa área é muito voltada para uma pessoa conhecida ou um familiar. Ainda não temos a valorização do serviço. O trabalho deve ser enxergado não pelo preço, mas pelo valor”, afirma.
Com o cenário, o empreendedorismo ligado à longevidade ganha espaço. A criação de serviços especializados pode ajudar a dividir uma responsabilidade que, diante das alterações na rotina e do envelhecimento da população, se torna cada vez mais difícil de concentrar dentro de casa.
“Hoje, todos nós estamos muito voltados para o trabalho. Essa possibilidade de estar lá em tempo integral, dar estímulo, estar ao lado, fica prejudicada. Oferecemos não só o cuidado, mas tempo de qualidade para a família”, comenta Daltro.
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