Esporotricose: saiba mais sobre doença em pets, transmissão em humanos e riscos à saúde
Saúde

Esporotricose: saiba mais sobre doença em pets, transmissão em humanos e riscos à saúde

Esporotricose: saiba mais sobre doença em pets, transmissão em humanos e riscos à saúde Foto: Freepik

Resumo da notícia

  • Doença fúngica considerada uma das principais zoonoses urbanas do país, afeta principalmente gatos e pode ser transmitida a humanos, estando desde 2025 na lista de notificação compulsória.
  • O contágio ocorre por arranhões, mordidas ou contato com feridas e solo contaminado; provoca lesões na pele em animais e humanos, sendo frequentemente confundida com infecção bacteriana.
  • O diagnóstico ainda é difícil e o tratamento é longo, sem vacina disponível; a orientação é evitar contato direto com animais feridos, usar proteção e procurar veterinário e médico ao surgirem sintomas.

Um alerta recente do Conselho de Medicina Veterinária lançou uma preocupação sobre uma doença pouco conhecida em animais de estimação e muitas vezes de difícil diagnóstico quando transmitida para humanos: a esporotricose. A doença foi classificada como “um dos principais desafios sanitários urbanos relacionados a zoonoses no Brasil”, representando um impacto significativo na saúde animal e humana. 

Mesmo não sendo exclusiva em felinos, os gatos são os mais afetados e desempenham papel central na cadeia de transmissão. A preocupação com a zoonose é sustentada também com a inclusão da esporotricose humana desde 2025 na lista nacional de doenças de notificação compulsória, com registro obrigatório no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).

Em Feira de Santana, a família do empresário Bruno Aguiar, que reside no bairro Jardim Cruzeiro, conviveu de perto com o problema. Segundo Bruno, ao adquirir uma gata da raça persa, ele notou a presença de outros felinos ao redor do imóvel onde mora e tempo depois, uma ferida no rabo do animal de estimação, que a principio não despertou preocupação, até que a filha do entrevistado começou a apresentar feridas no braço, semelhantes a uma micose.

“De repente eu comecei a criar também [‘feridas’], minha esposa, minha sogra e meu filho. Então era a gata, a gente pega a gata e ela arranha e automaticamente pegava o fungo. Até então a gente não sabia que era o fungo”, comentou Aguiar.

Uma das queixas de Bruno foi tanto no diagnóstico da zoonose no animal, quanto na família. Segundo tutor, as primeiras tentativas de tratar a felina não foram eficazes. “Não foi dado o diagnostico correto para a gata, a gata foi piorando e aí começou o corpo da gente a aparecer também, aí foi preocupante. A gente voltou de novo no médico, o médico tornou a não saber o que estava acontecendo”, disse.

“Alguns médicos não estão sabendo dar o diagnóstico. A cabelo da minha filha caiu. Pagamos para fazer a raspagem [na gata] e acabamos identificando o fungo. Fizemos exames médicos, com a gata também. A doença faz os gatos ficarem feridos, sofrendo”, disse. “Não foi um tratamento rápido, foram muitos remédios e pomadas. A coisa foi séria, quem tem gato não está sabendo o que fazer”, completou.

O médico veterinário Luciano Muritiba em entrevista ao Grupo Lomes de Comunicação tratou de alertar: “Não é uma doença específica, como muitas pessoas falam, dos felinos é uma doença que pode acometer os humanos, é uma zoonose que está trazendo muitos problemas a nível municipal, a nível de saúde para os seres humanos, então ela pode ser transmitida dos animais para os humanos, assim como também dos humanos para os animais. A gente retrata sempre o gato, porque é o principal transmissor. Essa doença também pode ser transmitida de humano para humano, de um cão para um humano, de um felino, no caso dos gatos, tanto para outro cão, para outro felino, para outro humano”, disse o especialista.

Com vasta experiência em Feira de Santana, o veterinário chegou a comentar que há anos não era verificado esta zoonose na cidade. “Hoje é considerada uma zoonose muito preocupante, não só em Feira de Santana e região, mas em todo o território nacional. Lembrando que é uma doença que há cinco, seis anos, não existia na região de Feira de Santana”, afirmou.

Os gatos desempenham papel central na cadeia de transmissão da esporotricose, em razão da alta concentração do fungo em lesões cutâneas, garras e nas cavidades oral e nasal. “Os gatos têm o hábito de enterrar as fezes e também de arranhar as árvores para demarcar o território. Pode ser que aquela terra, aquela árvore esteja contaminada com esse fungo”, disse Muritiba sobre um dos meios de transmissão.

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Já com relação aos sintomas, o veterinário alerta: “são feridas, principalmente na orelha, na região da cabeça. Podendo estar em todo o corpo, principalmente nas patas também. É muito confundida com uma infecção bacteriana, porque ela provoca prurido [coceira], ela provoca umidade naquele local”, comentou.

Sobre a queixa de Bruno a respeito da dificuldade em diagnosticar a zoonose em humanos, Luciano concordou com o empresário. Os sintomas da esporotricose em humanos podem surgir entre poucos dias e até três meses após a infecção. Geralmente, a doença se manifesta inicialmente como um pequeno nódulo indolor que, com o tempo, pode aumentar de tamanho e evoluir para uma ferida aberta.

“As pessoas confundem muito, inclusive os médicos tem uma dificuldade em diagnosticar nos seres humanos, porque a princípio eles pensam as características de ser uma doença bacteriana e não fúngica. O tratamento é demorado, com medicamentos específicos para tratamento. Em média três meses usando medicamentos diários para se tratar”, disse.

O atendimento médico deve ser procurado assim que surgirem lesões, nódulos, úlceras ou feridas que não cicatrizam, especialmente quando há histórico de contato com animais doentes ou com solo e material orgânico possivelmente contaminados pelo fungo.

E porque gatos são mais acometidos?

Segundo o veterinário, o felino é um animal, principalmente os errantes, que vive em rua, também em colônia, brigam muito, o que resulta na transmissão tanto para outro animal como para humano através da mordedura e da arranhadura. “Não necessariamente a pessoa tem que ser arranhada ou mordida por um gato para pegar a esporotricose, é bom salientar, às vezes a pessoa manuseia algum objeto, alguma terra que tenha esporo e ali tem uma lesão na pele, ele se contamina e geralmente o gato leva a culpa, devido a deficiência no controle que é difícil controlar essa zoonose nos felinos”, disse.

“Aquela pessoa que vê um animal com feridas, principalmente nas patas, focinho, orelha, lógico que tem que ajudar, mas primeiro procure um médico veterinário para fazer o exame antes de manuseá-lo. Se for manusear algum animal com esse tipo de problema, usar sempre luva e buscar um acompanhamento de um médico veterinário”, resumiu.

Existe vacina?

Não. Segundo o veterinário, não existe uma vacina contra esporotricose. “Não existe vacina para esse tipo de doença e algumas pessoas tendem a abandonar esses animais. Existe tratamento, muitas pessoas desistem de cuidar, às vezes até querem sacrificar pela doença, mas não, existe um tratamento, tem que ter um acompanhamento do médico veterinário para que tenha êxito no tratamento e o animal tenha uma vida também tranquila e saudável”, disse.

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