Feira de Santana: bancários da Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil entram em greve
Por Hamurabi Dias | 09/09/2026 18:38 e atualizado em 09/09/2026
Foto: Reprodução
Resumo da notícia
- Bancários da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil em Feira de Santana iniciam greve por tempo indeterminado nesta quinta-feira (10).
- A paralisação ocorreu após a rejeição das propostas dos bancos, com 94,20% dos empregados da Caixa e 78,65% do Banco do Brasil votando contra os acordos.
- Na Caixa, um dos principais motivos da rejeição foi a proposta de mudanças no Saúde Caixa, que prevê aumento de custos e da coparticipação para trabalhadores, aposentados e dependentes.
Os bancários da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil da base do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana iniciam, nesta quinta-feira (10), greve por tempo indeterminado. A mobilização faz parte da Campanha Nacional dos Bancários 2026 e ocorre após a rejeição das propostas apresentadas pelos dois bancos para renovação dos Acordos Coletivos de Trabalho (ACTs).
A decisão foi tomada nas assembleias realizadas entre os dias 3 e 4 de setembro. Em Feira de Santana, 94,20% dos empregados da Caixa rejeitaram a proposta do banco, enquanto, no Banco do Brasil, a rejeição chegou a 78,65%. Os trabalhadores também aprovaram a deflagração da greve.
A paralisação desta quinta-feira (10) é mais um capítulo da mobilização da categoria em 2026. No último dia 20 de agosto, bancários de Feira de Santana já haviam realizado uma paralisação de 24 horas, aprovada por 96,50% dos participantes da assembleia. Na ocasião, a mobilização atingiu a categoria bancária de forma mais ampla e teve como objetivo pressionar por avanços nas negociações da Campanha Nacional.
Com a proposta geral da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) aprovada na maior parte das bases, o impasse se concentra principalmente nas negociações específicas dos bancos públicos. “Nós entregamos uma minuta de reivindicações contendo os principais anseios da categoria para a direção dos bancos públicos e para a FENABAN, no início do mês de julho. Nós tivemos 13 rodadas de negociações em uma mesa única, reunindo todos os bancos privados e bancos públicos do país e tivemos mais de 18 rodadas de negociação envolvendo os bancos públicos. Infelizmente, nós não conseguimos ver os grandes avanços”, disse Eritan Machado, presidente do Sindicato dos Bancários de Feira de Santana.
“Os bancos privados decidiram aceitar a proposta da renovação da Convenção Coletiva de Trabalho e, portanto, aceitando essa proposta, decidiram automaticamente não ir para a greve, o que não ocorreu com os empregados dos bancos públicos”, completou o represente sindical.
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Saúde Caixa está no centro da rejeição na Caixa
Na Caixa, um dos principais motivos para a greve é a proposta apresentada para o Saúde Caixa. O banco propôs uma mudança significativa no modelo de custeio do plano.
Para os empregados da ativa, a contribuição do titular passaria a variar conforme a faixa etária, começando em 2,7% da remuneração-base e chegando a 4,5%. Os dependentes também passariam a ter mensalidades diferenciadas pela idade, entre R$ 480 e R$ 660.
Para aposentados e pensionistas, a contribuição do titular subiria dos atuais 3,5% para 4,5% da remuneração-base, enquanto a mensalidade por dependente passaria de R$ 480 para R$ 660. O teto de comprometimento da renda familiar, atualmente em 7%, subiria para 9% da remuneração-base. A proposta também estabelece um piso de R$ 50 por usuário, mesmo quando o grupo familiar atingir o limite previsto.
Outra mudança envolve a coparticipação. O teto anual por grupo familiar passaria de R$ 3.600 para R$ 4.800, enquanto o valor cobrado em atendimento de pronto-socorro subiria dos atuais R$ 75 para R$ 150. Teleconsultas, internações e tratamentos oncológicos continuariam isentos de coparticipação.
A proposta ainda prevê recadastramento anual dos beneficiários e abertura de um período de 90 dias para que empregados atualmente fora do Saúde Caixa possam aderir novamente. Depois desse prazo, quem deixar o plano não poderia retornar posteriormente, diferentemente da regra atualmente existente.
Por outro lado, a Caixa informou que pretende colocar aproximadamente R$ 543 milhões para ajudar no equacionamento do resultado do Saúde Caixa em 2026 e iniciar, depois das restrições do período eleitoral, os procedimentos para ampliar, em 2027, o atual limite de participação do banco, hoje correspondente a 6,5% da folha. Uma elevação para 8%, segundo estimativas apresentadas pela empresa, representaria aproximadamente R$ 600 milhões adicionais.
Também houve encaminhamentos para a criação de um grupo de trabalho destinado a discutir Plano de Funções Gratificadas (PFG), Plano de Cargos e Salários (PCS), Processos Seletivos Internos (PSIs) e remuneração variável, além de reuniões específicas sobre os modelos Figital e Genesys.
Apesar desses pontos, a proposta foi rejeitada por ampla maioria. Para a representação dos trabalhadores, as mudanças no Saúde Caixa aumentam o peso financeiro do plano para empregados, aposentados e pensionistas e enfraquecem princípios históricos como solidariedade, mutualismo e pacto intergeracional. A Feebbase orientou a rejeição por considerar que os avanços registrados em outros pontos não compensam as perdas previstas no plano de saúde.
A rejeição ocorreu em escala nacional. Segundo a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), a proposta da Caixa foi rejeitada em 128 bases sindicais, sendo que 93 delas aprovaram greve por tempo indeterminado a partir de 10 de setembro.
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