Festa de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos de Lençóis é registrada como Patrimônio Cultural do Brasil
Bahia

Festa de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos de Lençóis é registrada como Patrimônio Cultural do Brasil

Festa de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos de Lençóis é registrada como Patrimônio Cultural do Brasil Foto: Dossiê do registro/Iphan

Resumo da notícia

  • A Festa de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos de Lençóis foi registrada como Patrimônio Cultural do Brasil, decisão tomada durante reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro.
  • Realizada há mais de 150 anos em Lençóis, na Chapada Diamantina, a celebração ocorre entre 23 de janeiro e 2 de fevereiro e mistura catolicismo popular, religiões de matriz africana e tradições ligadas ao garimpo.
  • Entre os principais elementos culturais da festa estão a Marujada, Reisados, grupo das Baianas, Capoeira e o Jarê, expressão religiosa típica da Chapada Diamantina que também participa da celebração.

Uma manifestação cultural viva, vibrante e que funciona como ponte religiosa, cultural e histórica entre várias gerações. Assim pode ser classificada a Festa de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos de Lençóis, registrada na quarta-feira (11), como Patrimônio Cultural do Brasil. A decisão foi tomada durante a 112ª reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, realizada no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro.

A Festa acontece há mais de 150 anos, entre 23 de janeiro e 2 de fevereiro, e é uma das mais importantes expressões culturais da cidade de Lençóis, localizada na Chapada Diamantina. A celebração mistura elementos do catolicismo popular, das religiões de matriz africana e da cultura garimpeira, que marcou a formação do município. Diferente de outras festas do Senhor dos Passos no Brasil, geralmente mais penitenciais e voltadas ao sofrimento de Cristo, a festa em Lençóis tem um caráter alegre e celebrativo, sendo um momento de fé, agradecimento e encontro da comunidade.

“Em Lençóis, o Senhor dos Passos não é visto como o Cristo que sofre e é castigado como condenado ao suplício da cruz, mas como aquele que protege os garimpeiros e carrega, como eles, o fardo de uma vida dura, aqui representada pela cruz”, observou a relatora do parecer técnico, Desirée Tozi, que destacou também o caráter festivo da celebração. “Diferentemente das mais conhecidas celebrações do Senhor dos Passos existentes no país, como as de Florianópolis (SC), registrada como Patrimônio Cultural do Brasil em 2018, e as de São Cristóvão (SE), Recife (PE), Olinda (PE), Oeiras (PI), Pirenópolis (GO) e Belém (PA), a de Lençóis não ocorre durante a Quaresma como parte das celebrações vinculadas à Paixão de Cristo. Celebra, festeja e comemora a chegada da imagem do padroeiro dos garimpeiros à cidade, sendo, assim, um evento de louvor, que se desenrola num tom alegre e de congraçamento bem distinto do tom contrito, e mesmo fúnebre, das celebrações vinculadas à Paixão”, completa.

✅📲 AQUI A NOTÍCIA CHEGA PRIMEIRO: Seu novo portal de notícias de Feira de Santana e região! Entre no nosso grupo do WhatsApp e receba as principais notícias na palma da mão!

>> Siga o perfil oficial do T Notícias no Instagram para mais informações.

Irmandades religiosas

A devoção do Senhor dos Passos surge em Portugal no século 16, com as irmandades religiosas exercendo o papel de mobilizar pessoas para atividades devocionais e de atenção para com os desvalidos. São essas mesmas organizações que trazem a devoção ao Brasil nos primeiros tempos da colônia, mas, em Lençóis, cidade que surge e se desenvolve no contexto da mineração de diamantes no sertão da Bahia, essa prática teve início apenas no século 19. Segundo a tradição oral local, a festa em louvor ao Senhor dos Passos teria começado em 1852 com a chegada à cidade da imagem encomendada em Portugal por negociantes de diamantes.

Os principais bens culturais associados à Festa atualmente são a Marujada, os Reisados, o grupo das Baianas, a Capoeira e o Jarê. “A Festa do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos de Lençóis é ainda singular por ser uma festa católica organizada e liderada incontestavelmente por uma sociedade laboral e por abarcar e congregar adeptos de várias religiões, inclusive o Jarê, em si mesmo, uma expressão religiosa única e própria da Chapada”, concluiu a relatora Desirée Tozi.

Em novembro passado, o Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural aprovou o o tombamento do Terreiro Palácio de Ogum e Caboclo Sete-Serra, em Lençóis, considerado o templo de Jarê mais antigo ainda em funcionamento no Brasil. 

Acompanhe nas redes sociais: Band FMJovem Pan FM e TransBrasil FM. Também estamos presentes no grupo do WhatsApp.

* Os comentários não representam a opinião do veículo de comunicação; a responsabilidade é do autor da mensagem.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


O período de verificação do reCAPTCHA expirou. Por favor, recarregue a página.

BAND FM Salvador - 104.3 FM Ouça a Rádio
Departamento do Ouvinte Podcast
No ar
Programação