Fogo amigo, nem tanto
Por Coluna O Jogo e o Tabuleiro | 04/07/2025 08:13 e atualizado em 04/07/2025
Foto: Agência Senado
Por Victor Limeira*
Não há nada maior do que a força do tempo. Ele nos arrasta pra frente, tal qual a maré, e de maneira imperceptível vamos empilhando segundas e semanas até que nos vemos diante dele outra vez. Como disse Caetano Veloso: “É o tempo.”
A pandemia nos tirou um pouco esse referencial. Pelo menos tenho essa sensação. Também dizem que pode ser efeito colateral da falta de memória. A minha até que é boa, a de muita gente, pelo visto, não.
Voltemos a 2018, auge da união do PT com o PSD na Bahia. Naquele contexto, a chapa com Rui governador e Wagner senador abraçava a candidatura de Angelo Coronel ao Senado. Eu vi, ninguém me contou. Lá pelas tantas, quando a reeleição de Rui estava mais do que cristalina e a cadeira de Wagner bem garantida, todos os esforços se centraram em eleger Coronel, que disputou a segunda vaga com o saudoso Irmão Lázaro e levou. O resto é história.
Agora, num desses encontros implacáveis da vida com o tempo, eis que oito anos correram entre os dedos e a patente do Coronel é posta em cheque outra vez. A preferência é dele, afinal, está na cadeira. Mas também não era de Lídice da Mata, que dançou numa ciranda de outrora? É aquele ditado bem baiano: farinha pouca, meu pirão primeiro. Ou, pra ficar na hierarquia militar, soldado morto, farda noutro?
A chapa puro sangue parece promissora, mas balança a política baiana. Colocar três governadores numa disputa majoritária tem um peso enorme e chancela a inegável força do PT na Bahia. Por outro lado, deixa muito claro qual o projeto político será proposto para o estado no próximo ciclo, num cenário de predomínio do Partido dos Trabalhadores que já dura vinte anos, mas que agora coloca em xeque a união com o PSD, que vinha dando tão certo.
O partido de Otto e Coronel tem peso enorme no tabuleiro eleitoral do estado. Com grande presença no Legislativo nacional e estadual, além de deter o maior número de prefeituras, o PSD tem sido inegavelmente o fiel da balança.
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Do outro lado, ACM Neto diz preferir enfrentar a tríade do PT, numa tentativa de minimizar a força da eventual chapa. E espera, talvez numa bola dividida e com muitos acenos, trazer alguém de lá pra cá. Nada é impossível, já que doutor Otto bebeu muito das águas do Carlismo e, na última eleição, Neto conseguiu puxar pro seu lado João Leão. Fato é que tudo isso acontece num cenário de forte debandada de prefeitos da oposição e intensificação de agendas de Neto pelo interior. Daqui pra frente, ele é quem vai ter que dançar muito forró e botar cebo nas canelas pra fazer frente nessa disputa.
Em tempos de Copa do Mundo de Clubes, onde acompanhamos com entusiasmo a ressurreição do futebol brasileiro frente ao belicismo do futebol europeu, fica a lição de que nem sempre o melhor elenco leva a disputa. E num cenário com tantos caciques, tudo pode acontecer, inclusive nada.
Fato é que, até 2026, ainda tem muita água pra passar por baixo da ponte. O tabuleiro desse jogo está mais vivo do que nunca. Ainda que escondam as cartas, elas já estão todas na mesa. E haja caroço nesse angu.
Fiquemos com o Compositor de destinos, Tambor de todos os ritmos. Tempo, tempo, tempo…
* Victor Limeira é Jornalista e estrategista político.
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