Governo brasileiro promete reação após Estados Unidos imporem tarifa de 25% e classifica medida como “marco lastimável”
Economia

Governo brasileiro promete reação após Estados Unidos imporem tarifa de 25% e classifica medida como “marco lastimável”

Governo brasileiro promete reação após Estados Unidos imporem tarifa de 25% e classifica medida como “marco lastimável” Foto: Roberto Stuckert

Resumo da notícia

  • Planalto classificou a sobretaxa de 25% imposta pelos Estados Unidos como um "marco lastimável" nas relações bilaterais e prometeu adotar medidas de resposta.
  • Executivo informou que acionará mecanismos legais, buscará novos mercados para exportações e adotará ações para reduzir os impactos sobre os setores afetados.
  • Governo negou irregularidades envolvendo Pix, plataformas digitais e meio ambiente, além de acusar a família Bolsonaro de colaborar com a narrativa usada pelos EUA.
O governo federal classificou como um episódio negativo para as relações entre Brasil e Estados Unidos a decisão do governo de Donald Trump de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Em nota divulgada nesta quinta-feira (16), o Palácio do Planalto afirmou que a medida representa um “marco lastimável” na relação bilateral e informou que adotará mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade para responder às novas cobranças.

A tarifa foi confirmada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) e passa a valer em 22 de julho. A cobrança é resultado de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, aberta após o governo norte-americano alegar que determinadas práticas brasileiras prejudicam empresas dos Estados Unidos.

Na manifestação oficial, o governo brasileiro rejeitou a decisão, afirmando que não há justificativa para a adoção de medidas unilaterais contra o país. O Planalto também ressaltou que, ao longo dos últimos 15 anos, os Estados Unidos registraram superávit na balança comercial com o Brasil, acumulando saldo positivo de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços. Segundo o comunicado, grande parte dos produtos norte-americanos ainda ingressa no mercado brasileiro sem cobrança de tarifas.

O Executivo também afirmou que manteve diálogo com Washington durante todo o processo e negou ter abandonado as negociações. Além disso, rebateu críticas feitas ao sistema de pagamentos Pix, às regras para plataformas digitais e às políticas ambientais brasileiras. O governo classificou como infundadas as acusações relacionadas ao Pix e ao desmatamento, destacando que o sistema de pagamentos instantâneos se tornou uma referência internacional em infraestrutura pública digital.

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Como resposta ao aumento das tarifas, o governo informou que atuará em três frentes: ampliar mercados para os produtos brasileiros, implementar ações de apoio aos setores atingidos e acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, além de levar o caso novamente ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Planalto afirmou que, por meio do Plano Brasil Soberano, buscará preservar empregos e minimizar os impactos sobre a indústria nacional.

A nota também faz críticas à família Bolsonaro, acusando seus integrantes de colaborar com a narrativa utilizada pelo governo norte-americano para justificar a investigação comercial. Segundo o Executivo, essas ações teriam sido motivadas por interesses eleitorais e representam um ataque à soberania brasileira.

A sobretaxa de 25% será aplicada aos produtos importados ou retirados de armazéns para consumo nos Estados Unidos a partir de 22 de julho. Mercadorias embarcadas antes dessa data poderão ficar isentas da cobrança, desde que cheguem ao território americano até 29 de julho. A nova tarifa será somada aos impostos de importação já existentes. 

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