Governo cobra na Justiça gastos do SUS com tratamento de apostadores
Por Yasmin Mota | 29/09/2026 10:23 e atualizado em 29/09/2026
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Resumo da notícia
- A AGU entrou na Justiça contra 17 plataformas de apostas esportivas, cobrando os gastos do SUS relacionados ao tratamento de problemas causados pelos jogos on-line.
- A ação, protocolada na Justiça Federal em Pernambuco, pede pelo menos R$ 1 bilhão por danos morais coletivos e a restituição em dobro dos valores apostados por pessoas com ludopatia.
- Segundo a AGU, os custos para o SUS superam a arrecadação de impostos das bets, estimada em cerca de R$ 50 milhões, e o modelo das plataformas pode favorecer o desenvolvimento de dependência em parte dos usuários.
A Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou nesta segunda-feira (28) que entrou na Justiça para cobrar os gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) com o tratamento dos danos causados pelos jogos on-line.
A ação civil pública foi protocolada na Justiça Federal em Pernambuco contra 17 plataformas de apostas esportivas e pede a reparação mínima de R$ 1 bilhão em danos morais coletivos.
A AGU também requereu à Justiça a restituição em dobro dos valores apostados por pessoas com ludopatia, sintoma que é caracterizado pelo vício compulsivo em jogos.
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O órgão citou que os gastos do SUS são maiores que os valores arrecadados pelo governo com os impostos pagos pelas bets, que repassariam cerca de R$ 50 milhões aos cofres públicos.
“As empresas demandadas privatizam proveitos expressivos decorrentes da captação financeira de milhões de apostadores, enquanto transferem para o SUS e para toda a sociedade o custo orçamentário decorrente do adoecimento coletivo”, argumentou a AGU.
A advocacia do governo também acrescentou que o modelo de negócio das plataformas é estruturado para maximizar o tempo de engajamento e o volume de apostas, mecanismos que favorecem o vício.
“Esses elementos, tecnicamente equivalentes aos utilizados em jogos de azar com potencial reconhecido de geração de dependência, produzem um efeito colateral sistemático: o adoecimento psíquico de parcela significativa dos usuários, sob a forma de ansiedade, quadros depressivos, transtorno do jogo e, em casos extremos, ideação suicida associada ao endividamento”, completou.
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