Hospital Clériston Andrade registrou mais de 3 mil atendimentos por acidente de trânsito em 2025; veja ranking dos principais locais
Por Hamurabi Dias | 28/01/2026 17:40 e atualizado em 28/01/2026
Foto: Divulgação
Resumo da notícia
- O HGCA registrou 3.339 atendimentos por acidentes de trânsito em 2025, aumento de quase 7%, com predominância de vítimas de motocicletas, em sua maioria homens jovens.
- Acidentes de trânsito são a principal causa de politraumatizados, geram sequelas graves e altos custos ao SUS, reforçando a necessidade de educação e fiscalização no trânsito.
- O Anel de Contorno lidera os acidentes em Feira de Santana, seguido pelo Centro e Av. João Durval; entre outros municípios, Santo Estêvão, Coração de Maria e a BR-324 concentram mais atendimentos.
Referência no atendimento a vítimas de traumas em toda a região Centro-Leste da Bahia, o Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) sediou, nesta semana, uma coletiva de imprensa com o tema violência no trânsito, reunindo autoridades da saúde, trânsito e representantes da sociedade civil. Durante o encontro, foram apresentados dados que reforçam a gravidade do cenário: 3.339 atendimentos a vítimas de acidentes de trânsito em 2025, o que representa um aumento de quase 7% em relação ao ano anterior.
De acordo com a diretora-geral do HGCA, Cristiana França, os acidentes de trânsito seguem como a principal causa de entrada de pacientes politraumatizados na unidade. “Hoje, cerca de 80% dos pacientes politraumatizados atendidos no Clériston Andrade são vítimas de acidentes de trânsito, com predominância absoluta dos acidentes envolvendo motocicletas. É uma demanda que cresce a cada ano e que impacta diretamente a capacidade assistencial do hospital”, afirmou.
Segundo a diretora, em média 80% dos atendimentos por acidentes de trânsito estão relacionados a motociclistas, sendo a maioria homens, com idade entre 16 e 35 anos, faixa etária considerada economicamente ativa. “Quando esses jovens não vão a óbito, muitos ficam com sequelas graves e permanentes, como perda de mobilidade. Isso gera um impacto profundo não apenas para a família, mas para toda a sociedade”, destacou Cristiana França.
Outro dado que chama atenção é o perfil das vítimas oriundas de municípios vizinhos e distritos rurais. “Observamos que muitos pacientes que chegam de outras cidades apresentam traumas cranianos graves, em grande parte pela não utilização do capacete. Esse é um ponto que precisa ser amplamente debatido, porque o uso do equipamento de proteção individual salva vidas”, reforçou.
Além do impacto humano, a diretora ressaltou os custos elevados para o Sistema Único de Saúde. “Um paciente politraumatizado internado na UTI custa, em média, quase R$ 5 mil por dia. Nas enfermarias, um paciente ortopédico custa cerca de R$ 1 mil por dia, enquanto na neurocirurgia esse valor pode chegar a R$ 2 mil diários, devido à complexidade e à tecnologia envolvida. Recursos que poderiam estar sendo direcionados para outras melhorias na assistência à população”, explicou.
Para Cristiana França, o hospital representa a última ponta de um problema que começa no trânsito. “O Clériston é a última porta dessa cadeia. Por mais que o Estado invista em tecnologia, equipamentos e estrutura hospitalar, não queremos corredores cheios. Queremos menos acidentes, menos vítimas e mais qualidade de vida. Isso só será possível com educação e fiscalização efetiva no trânsito”, pontuou.
O superintendente municipal de Trânsito, Ricardo Cunha, destacou a importância do envolvimento da imprensa no enfrentamento à violência viária. “A imprensa é uma aliada fundamental nas ações de fiscalização e educação no trânsito. Informar, conscientizar e dar visibilidade a esses dados ajuda a sensibilizar a população e fortalece o trabalho dos órgãos de fiscalização”, afirmou.
Durante a coletiva, Ricardo Cunha também anunciou a realização de um Congresso de Trânsito em Feira de Santana, que dará início a uma discussão ampliada sobre mobilidade e segurança viária no Nordeste. “Feira de Santana será o ponto de partida desse debate regional, reunindo especialistas e autoridades para pensar soluções integradas”, disse.
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Representando o setor produtivo, a coordenadora da Câmara de Mulheres Empreendedoras de Feira de Santana, Leidiane Queiroz, reforçou o compromisso dos empresários com a redução dos acidentes. “O empresariado da cidade está empenhado em colaborar com as autoridades e apoiar ações que visem diminuir os acidentes de trânsito. Segurança viária também é desenvolvimento, porque impacta diretamente a economia e a vida das pessoas”, afirmou.
Leidiane destacou ainda o papel social da Câmara. “Apoiamos iniciativas que promovem o desenvolvimento da cidade e o fortalecimento da sociedade como um todo, valorizando lideranças femininas e gestores comprometidos com a vida, como é o caso da diretora do HGCA”, concluiu.
O debate realizado no HGCA contou ainda com a participação de forças de segurança e órgãos de emergência, como a Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Secretaria Municipal de Trânsito, reforçando a necessidade de ações integradas, contínuas e preventivas para enfrentar a violência no trânsito em Feira de Santana e região.
PRINCIPAIS LOCAIS
O Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA) também mapeou os locais onde mais ocorrem acidentes em Feira de Santana e que resultaram em pacientes que deram entrada na unidade de saúde em 2025. A região da Avenida Eduardo Fróes da Mota, conhecida como Anel de Contorno liderou o ranking, com 72 atendimentos. Em segundo lugar, a região denominada como Centro, com que resultou em 68 atendimentos e em terceiro lugar, a Avenida Joao Durval Carneiro, uma da mais importantes da cidade, com 37 atendimentos. Foram registrados 31 locais.

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Referência regional no atendimento de traumas, pactuado com 127 municípios, o Hospital Geral Clériston Andrade também absorve a demanda de outros municípios. Quem liderou o ranking em 2025 foi o município de Santo Estêvão com 82 atendimentos, Coração de Maria, em segundo lugar, com 80 atendimentos e BR-324, com 76 atendimentos. Foram 26 cidades com registros de atendimentos em 2025.

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