Igreja manda padre Júlio Lancellotti deixar de transmitir missas na internet
Por Hamurabi Dias | 16/12/2025 18:32 e atualizado em 16/12/2025
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Resumo da notícia
- Padre Júlio Lancellotti anunciou que a missa transmitida pela internet foi a última, devido a uma ordem da Arquidiocese de São Paulo.
- A Arquidiocese não comentou oficialmente, mas a decisão foi dada pelo arcebispo Dom Odilo Scherer.
- Padre Júlio continua seu trabalho social, especialmente com a população em situação de rua, mas afirma receber a ordem com "resiliência e obediência".
No último domingo (14), o padre Júlio Lancellotti anunciou em sua missa na Paróquia São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, em São Paulo, que aquela seria a última transmissão da celebração na internet.
O sacerdote católico não explicou o motivo mas, segundo Denise Ribeiro, jornalista e voluntária que trabalha com o padre, o fim das transmissões é uma determinação da Arquidiocese de São Paulo. Ela conta que a ordem foi recebida na semana passada diretamente de Dom Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo.
Diante da comoção gerada pela carta, Lancelotti publicou uma nota nesta terça-feira (16) refirmando a suspensão temporária da transmissão via internet. Entretanto, ele diz que as missas continuam normalmente de forma presencial aos domingos, às 10h.
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Em grupos de WhatsApp católicos também circulou a informação de que Dom Odilo teria informado a transferência do padre Júlio da paróquia, onde está há 40 anos. Em seu comunicado, ele nega que isso vá acontecer: “Não procede a informação sobre a transferência da Paróquia São Miguel Arcanjo”.
Em contato com a Agência Brasil, o padre Júlio disse: “recebo [a notícia do fim das transmissões] com resiliência e obediência”.
A Agência Brasil buscou contato com a Arquidiocese de São Paulo por email e por telefone, mas o órgão não respondeu. O espaço segue aberto para a manifestação da Igreja.
Oprimidos
O padre Júlio Lancelotti é conhecido por seu trabalho junto à população em situação de rua, no qual promove acolhimento, assistência social e alimentação a quem necessita. O sacerdote ainda tem projetos de inclusão, acesso à leitura e à internet.
O religioso já foi bastante perseguido por políticos de direita. Em 2024, o vereador Rubinho Nunes propôs a criação de uma CPI para investigar o padre. O pedido foi negado.
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