Infância na Fliquinha ganha novas fronteiras com pontes entre mundos e gerações
Bahia

Infância na Fliquinha ganha novas fronteiras com pontes entre mundos e gerações

Infância na Fliquinha ganha novas fronteiras com pontes entre mundos e gerações Foto: Diêgo Silva

Resumo da notícia

  • A programação infantil da FLICA 2026, em Cachoeira, reuniu os escritores Daniel Munduruku e Fernanda Takai em debates sobre literatura, ancestralidade, diversidade cultural e preservação ambiental.
  • Fernanda Takai apresentou o livro “Quando Curupira Encontra Kappa”, que aproxima lendas brasileiras e japonesas em uma história sobre a defesa do meio ambiente, enquanto Daniel Munduruku destacou a importância da literatura indígena na formação das crianças e no fortalecimento do vínculo com a natureza.
  • Os criadores de conteúdo Gabriel Dearo e Manu Digilio também participaram da programação, mostrando como vídeos no YouTube, livros e peças teatrais podem se complementar para incentivar o hábito da leitura entre crianças e adolescentes.

Mesas com os renomados autores Daniel Munduruku e Fernanda Takai discutiram como a literatura infantil conecta culturas, ultrapassa limites geográficos e traduz a ancestralidade e o meio ambiente para os pequenos leitores durante a Feira Literatura Internacional de Cachoeira (FLICA), iniciada na quinta-feira (5) e que segue até domingo (8), na histórica cidade de Cachoeira, no Recôncavo Baiano.

Em um mundo cada vez mais conectado por telas, a literatura infantil reafirma o seu papel como uma poderosa ponte de conexão humana e cultural. Durante a 14ª edição da Festa Literária, o espaço Fliquinha transformou-se em um território de diálogo global, acolhendo debates profundos e sensíveis conduzidos pelo escritor indígena Daniel Munduruku e a cantora, compositora e escritora Fernanda Takai.

Partindo de vivências e recortes de mundo totalmente distintos, os autores mostraram como as páginas de um livro são capazes de cruzar oceanos, interligar países e incentivar no imaginário das crianças a semente da empatia global e do respeito à Terra.

Nesse intercâmbio de saberes, Fernanda Takai encantou os leitores ao compartilhar o universo de suas criações literárias infantis. No debate, esteve o seu livro de 2023, “Quando Curupira Encontra Kappa”. A obra promove uma costura cultural ao unir o folclore brasileiro ao imaginário japonês. Na história, o Curupira, guardião das matas brasileiras, une forças com o Kappa, criatura mística das águas na tradição japonesa, em defesa do meio ambiente.

“Meu nome é Fernanda Barbosa Takai. Barbosa vem da minha mãe, que é filha de português, e do meu pai, Takai, que é filho de japoneses. Então eu escrevi uma história contando o encontro das lendas japonesas com as lendas do Brasil, no meio da Amazônia. Porque a Amazônia está aqui no Brasil, mas ele é importante para o mundo inteiro. E esse livro foi escrito em português e japonês”, afirmou.

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Ancestralidade e Natureza

Abrindo os caminhos com a força da literatura de matriz indígena, Daniel Munduruku    encantou o público infantojuvenil em uma jornada poética na mesa “Infância, a primavera da vida”. O autor destacou que a infância é o momento exato em que o ser humano mais se assemelha à natureza: aberto ao florescimento, à curiosidade e ao pertencimento à terra.

Na Fliquinha, Munduruku enfatizou que as histórias tradicionais e o contato com a literatura não são apenas entretenimento, mas ferramentas vivas para conectar as crianças urbanas à pulsação das florestas, unindo o passado ancestral ao futuro. “As crianças têm direito à literatura, e claro, também o direito à alegria escrita por autores e autores indígenas, que trazem, nas suas abordagens também formas diferentes de olhar, porque não é apenas uma abordagem consumista, uma abordagem de relatos egoístas, mas é também uma visão sistêmica de pertencimento, coisas que o mundo está perdendo, exatamente, porque está muito preso a uma lógica consumista”.

Das telas aos livros

A força das telas e do universo digital como aliados na formação de novos leitores foi um dos grandes destaques da Fliquinha 2026. Fenômenos  no YouTube com o canal As Aventuras de Mike e na literatura infantojuvenil brasileira, os criadores de conteúdo Gabriel Dearo e Manu Digilio agitaram o público ao compartilhar como o trabalho nas plataformas migrou com sucesso para as prateleiras de livros, criando um ecossistema multiplataforma que dialoga diretamente com a nova geração por meio do humor e da interatividade. “É muito incrível e gratificante saber que o nosso trabalho está fazendo esse propósito de incentivar a leitura e está transformando crianças em leitores que às vezes não eram leitores”, afirmou Manu Digilio.

Gabriel Dearo, por sua vez, destacou que o trabalho produzido por eles complementa um ao outro.  “O nosso conteúdo no YouTube é o conteúdo que vai fazer as pessoas quererem um livro, uma história em quadrinhos, que vai levar as pessoas para o teatro. E muitas vezes acontece ao contrário. Pessoas que leem os livros depois conhecem a gente no YouTube. Então a gente vê como um ecossistema de produção de conteúdo. Uma coisa vai alimentando a outra e o principal é ser divertido. Então se o livro for divertido, as crianças vão ler. Se o vídeo for divertido, as crianças vão ler. E se o teatro for divertido, também as crianças vão ler. Então nosso objetivo é esse. Então vamos fazer um conteúdo bem 360 que uma coisa vai alimentando outra”, completou Gabriel Dearo.

A 14ª edição da FLICA é uma realização do Ministério da Cultura através da Lei Federal de Incentivo à Cultura – Lei Rouanet , com o Patrocínio da Petrobras, apoio da EMBASA, SEBRAE, Prefeitura Municipal de Cachoeira, Governo do Estado, Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA) e Secretaria da Fazenda (Sefaz). É contemplado também pelo Projeto Bahia Literária, iniciativa da Fundação Pedro Calmon (FPC), unidade vinculada da SecultBA, e da Secretaria Estadual de Educação (SEC). A produção é da Schommer Produções.

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