Investigada por supostas fraudes no IPTU de Salvador é presa ao desembarcar na Bahia; defesa contesta que mulher estava foragida
Por Hamurabi Dias | 22/09/2026 17:45 e atualizado em 22/09/2026
Foto: Divulgação/Ascom/PCBA
Resumo da notícia
- Uma mulher de 60 anos, investigada por suposta participação em fraudes no IPTU de Salvador, foi presa no sábado (19) ao desembarcar de um voo da Espanha no Aeroporto Internacional de Salvador.
- Segundo as investigações, ela seria uma das consultoras envolvidas na articulação das fraudes e nas tratativas com proprietários de imóveis para revisão do IPTU.
- A prisão ocorreu dois dias após a Operação Valor Venal, que já havia prendido quatro pessoas e afastado quatro servidoras da Secretaria Municipal da Fazenda. A defesa contesta que a mulher estivesse foragida e afirma que ela estava na Espanha acompanhando a mãe em tratamento de saúde.
Uma quinta pessoa investigada por participação no esquema de fraude no IPTU desarticulado pela Operação Valor Venal foi presa no sábado (19), no Aeroporto Internacional de Salvador. A mulher, de 60 anos, foi localizada por equipes da Polícia Civil dentro de uma aeronave, no momento em que retornava da Espanha.
A investigada é uma das duas consultoras apontadas nas apurações como integrantes da estrutura responsável pela articulação das fraudes. Segundo as investigações, ela atuava diretamente nas tratativas com proprietários de imóveis e na formalização dos contratos relacionados à revisão do IPTU. A mulher também é apontada como uma das líderes do grupo e articuladora do esquema.
A prisão ocorreu dois dias após a deflagração da Operação Valor Venal, realizada na quinta-feira (17), em Salvador. Na primeira fase da ação, quatro pessoas foram presas: dois despachantes, uma consultora e uma ex-servidora com vínculo terceirizado, apontada como responsável pela execução das alterações no cadastro imobiliário da Secretaria Municipal da Fazenda de Salvador (SEFAZ). Além disso, quatro servidoras da Secretaria Municipal foram afastadas das funções por determinação judicial.
Em nota [ver abaixo], a defesa da investigada contesta que a consultora viajou para a Espanha em julho, antes da deflagração da operação, para acompanhar sua mãe, de mais de 80 anos, que passou recentemente por um tratamento contra o câncer. A investigada passa por audiência de custódia nesta terça-feira (22), mas até a publicação desta reportagem não há decisão judicial pela manutenção ou não da prisão.
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Atuação no esquema
Segundo a apuração, os despachantes eram responsáveis pela captação de proprietários de imóveis e terrenos de alto padrão interessados na redução do IPTU. Após a contratação, os clientes eram encaminhados para as consultoras, que participavam das negociações e formalizavam os contratos.
As duas consultoras são apontadas como responsáveis por uma parcela significativa da articulação com os proprietários e pela condução das operações que resultavam nas alterações dos dados dos imóveis. Segundo as investigações, elas também ficavam com a maior parte dos valores pagos pelos clientes.
Fraude no IPTU
As investigações apontam que o grupo atuava na alteração de informações cadastrais de imóveis no sistema da SEFAZ, modificando dados como ano de construção e outros atributos utilizados no cálculo do valor venal. As mudanças provocavam a redução do valor atribuído às propriedades e, consequentemente, do IPTU devido.
Entre dezembro de 2024 e janeiro de 2026, cerca de 700 imóveis foram beneficiados pelas alterações, com reduções de até 90% no valor venal. No mesmo período, a investigação identificou ocultação patrimonial superior a R$ 1,2 bilhão, considerando a diferença entre os valores reais dos imóveis e aqueles registrados no sistema após as alterações fraudulentas. O município deixou de arrecadar aproximadamente R$ 20 milhões em razão das fraudes, segundo as investigações.
A Operação Valor Venal é realizada pelo Núcleo Especializado no Combate aos Crimes Econômicos e Contra a Ordem Tributária (NECCOT), unidade vinculada ao Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DRACO-LD).
NOTA À IMPRENSA
Defesa de investigada na Operação Valor Venal contesta alegação de fuga e esclarece viagem à Espanha.
Os advogados criminalistas Ivan Jezler Júnior e Ciro Brito, responsáveis pela defesa de uma das investigadas na Operação Valor Venal, que apura um suposto esquema de descontos irregulares de até 90% no IPTU de imóveis de luxo em Salvador, contesta a versão de que sua cliente estaria foragida.
Segundo a defesa, a investigada viajou para a Espanha em julho, antes da deflagração da operação, para acompanhar sua mãe, de mais de 80 anos, que passou recentemente por um tratamento contra o câncer.
O advogado esclarece que a defesa, assim que soube da deflagração da operação, entrou previamente em contato com a delegacia, informou a data de retorno da investigada ao Brasil e comunicou sua disposição de se apresentar às autoridades. Dessa forma, sustenta que não houve tentativa de fuga ou de ocultação de seu paradeiro, nem sequer foi a mesma “encontrada” pela polícia.
“A própria defesa informou às autoridades quando ela retornaria ao Brasil e se colocou à disposição para sua apresentação. Não houve tentativa de fuga. É importante que os fatos sejam esclarecidos para evitar interpretações equivocadas sobre a conduta da investigada, que vem colaborando com as investigações até a comprovação de sua inocência”, afirma Ivan Jezler.
A audiência de custódia da investigada está prevista para esta terça-feira (22). A defesa acompanha os desdobramentos do caso e reforça que os esclarecimentos serão prestados às autoridades competentes.
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