Janeiro Branco e incontinência urinária masculina: o silêncio que adoece a mente
Saúde

Janeiro Branco e incontinência urinária masculina: o silêncio que adoece a mente

Janeiro Branco e incontinência urinária masculina: o silêncio que adoece a mente Foto: Divulgação

Resumo da notícia

  • A incontinência urinária masculina afeta entre 5% e 15% dos homens adultos, podendo chegar a 40% após cirurgia de próstata, mas ainda é cercada por vergonha e silêncio, impactando diretamente a saúde mental, tema central do Janeiro Branco.
  • A condição compromete autoestima, vida social, trabalho, relacionamentos e sexualidade, aumentando riscos de ansiedade, depressão e isolamento, devido ao medo constante de constrangimentos e à sensação de perda de controle.
  • O tratamento adequado melhora não apenas os sintomas físicos, mas também a qualidade de vida e o equilíbrio emocional; buscar ajuda médica e contar com apoio familiar é um ato de coragem e cuidado com a saúde integral.

A incontinência urinária masculina é mais comum do que muitos homens estão dispostos a admitir. Estimativas médicas indicam que entre 5% e 15% dos homens adultos convivem com algum grau de perda urinária. O índice aumenta significativamente com o avanço da idade e pode chegar a até 40% entre homens que passaram por cirurgia de próstata. Ainda assim, o problema segue cercado por silêncio, vergonha e sofrimento emocional, uma realidade que dialoga diretamente com a campanha do Janeiro Branco, dedicada à saúde mental.

Para o cirurgião urologista Eduardo Cerqueira, a dificuldade em falar sobre o tema está profundamente ligada à construção social da masculinidade. “Quando falamos em incontinência urinária masculina, estamos falando de qualquer perda involuntária de urina, seja aos esforços, ao tossir, rir ou até de forma contínua. O problema é que muitos homens associam isso à fragilidade, à perda de controle e até à perda da própria identidade masculina”, explica. Mais do que um desconforto físico, a incontinência urinária impacta diretamente a autoestima, a vida social, o desempenho profissional e a saúde emocional. Segundo Dr. Eduardo Cerqueira, sentimentos como vergonha, medo, ansiedade e tristeza são recorrentes entre os pacientes. “É muito comum que esses homens passem a se policiar o tempo todo, evitem sair de casa, recusem viagens, reuniões longas ou eventos sociais por medo de um episódio de perda urinária”, afirma.

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No ambiente de trabalho, a condição também pode se tornar um fator de sofrimento silencioso. “O receio constante de não encontrar um banheiro, de ter a roupa molhada ou de ser alvo de comentários gera um estado permanente de alerta, que pode evoluir para ansiedade crônica”, destaca o médico, acrescentando que a relação entre incontinência urinária e saúde mental é direta. Estudos e a prática clínica mostram que homens com perdas urinárias apresentam maior risco de desenvolver quadros de ansiedade e depressão, especialmente quando o problema não é tratado. “A sensação de perda de controle sobre o próprio corpo pode se transformar em uma sensação de perda de controle sobre a vida”, observa o cirurgião.

Os impactos também se estendem aos relacionamentos afetivos e à vida sexual. Muitos homens passam a evitar a intimidade por medo de constrangimentos, o que reforça o isolamento emocional. “Esse afastamento pode gerar conflitos no relacionamento e intensificar sentimentos de inadequação e culpa”, explica o especialista. O isolamento social, segundo o urologista, é um dos sinais de alerta mais importantes. “Quando o homem começa a se afastar de atividades simples do dia a dia, como caminhadas, encontros com amigos ou compromissos familiares, o sofrimento emocional tende a se agravar. É um ciclo que precisa ser interrompido”, alerta.

A boa notícia é que o tratamento da incontinência urinária costuma trazer benefícios que vão além do controle urinário. “Quando o paciente percebe melhora dos sintomas, a autoestima aumenta, a ansiedade diminui e a qualidade de vida melhora de forma global”, afirma Dr. Eduardo Cerqueira. O acompanhamento pode envolver tratamentos clínicos, fisioterapia do assoalho pélvico, medicamentos ou procedimentos cirúrgicos, dependendo do caso. O apoio da família e do  parceiro ou da parceira também faz diferença.

“Quando o homem se sente acolhido, sem julgamento, ele lida melhor com o problema e adere mais facilmente ao tratamento”, ressalta o médico. Em sintonia com o Janeiro Branco, Dr. Eduardo Cerqueira deixa um recado direto aos homens que convivem com a incontinência urinária em silêncio: “Vergonha não pode ser maior que o cuidado com a própria saúde. Incontinência tem tratamento, e saúde mental também. Procurar ajuda é um ato de coragem, não de fraqueza. É possível, sim, recuperar o equilíbrio emocional e viver com mais qualidade de vida”, salientou.

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