Jornalista e escritor Zuenir Ventura morre aos 95 anos no Rio de Janeiro
Por Hamurabi Dias | 22/09/2026 16:00 e atualizado em 22/09/2026
Foto: Divulgação
Resumo da notícia
- O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu aos 95 anos nesta terça-feira (22), em casa, no Rio de Janeiro, em decorrência de uma pneumonia.
- Membro da Academia Brasileira de Letras desde 2014, Zuenir teve mais de seis décadas de carreira e ficou conhecido por obras como “1968 – o ano que não terminou” e “Cidade Partida”.
- Ao longo da carreira, recebeu os prêmios Esso e Vladimir Herzog e também atuou em reportagens especiais, livros, documentários e na defesa dos direitos humanos.
O jornalista Zuenir Ventura morreu aos 95 anos nesta terça-feira (22). Durante mais de seis décadas de atuação no jornalismo, Zuenir construiu uma obra marcada pela cobertura de episódios políticos e temas sociais relevantes do país. Zuenir deixa a mulher, Mary Ventura, e os dois filhos, o jornalista Mauro Ventura e a editora Elisa Ventura.
“Morreu esta manhã, em casa, aos 95 anos, em decorrência de uma pneumonia, o jornalista e Acadêmico Zuenir Ventura. Seu corpo será velado amanhã na Academia Brasileira de Letras e enterrado no mausoléu da ABL no Cemitério São João Batista”, comunicou em nota a Academia Brasileira de Letras (ABL).
A nora de Zuenir, Ana Roditi, disse que o jornalista morreu dormindo, sem dor e sem sofrimento. “O corpo estava muito fraco, mas ela ainda reconhecia a família e os amigos próximos. Conversava e fazia comentários divertidos sobre o próprio envelhecimento”.
Imortal da Academia Brasileira de Letras, ele era o sétimo ocupante da Cadeira n.º 32, sendo eleito no dia 30 de outubro de 2014, na sucessão do Acadêmico Ariano Suassuna.
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Natural de Além Paraíba, interior de Minas Gerais, Zuenir Ventura foi pintor de parede, office-boy, jogador de basquete, arquivista, professor universitário e jornalista. Teve como professores grandes literatos, como Manuel Bandeira, Alceu Amoroso Lima e Cleonice Berardinelli.
A proximidade com alguns de seus mestres abriu portas para o início da carreira. Celso Cunha, professor da Faculdade de Jornalismo, convidou-o para dar aulas de português, enquanto Hélcio Martins o indicou para um emprego no arquivo da “Tribuna da Imprensa”, onde começou a dar os primeiros passos na profissão.
“1968 – o ano que não terminou”
Em 1988, Zuenir Ventura lançou o livro “1968 – o ano que não terminou”. A obra serviu também de inspiração para a minissérie “Os anos rebeldes”, produzida pela TV Globo. O capítulo “Um herói solitário” inspirou o filme O homem que disse não, que o cineasta Olivier Horn realizou para a televisão francesa.
No início de 1989, Zuenir Ventura foi ao Acre como repórter especial para investigar o assassinato de Chico Mendes. Da cobertura surgiu uma série de reportagens premiada e uma história pessoal que ele costumava citar como uma das heranças mais marcantes daquela experiência.
Em entrevista, o jornalista contou que acabou assumindo a tutela de Genésio, então principal testemunha do caso. O menino, de 13 anos, permanecia sob proteção policial, mas continuava ameaçado pelos responsáveis pelo crime. Segundo Zuenir, havia um plano para matá-lo.
Após conversar com um coronel e buscar uma solução para garantir sua segurança, levou o garoto para viver com sua família. “Um dia, cheguei com o Genésio debaixo do braço, apresentei para minha mulher e meus dois filhos. Ele ficou sob minha tutela até os 18 anos”, relembrou.
‘Cidade Partida’
Publicado em 1994, “Cidade Partida” tornou-se uma das obras mais marcantes de Zuenir Ventura. Vencedor do Prêmio Jabuti, o livro examina a violência, a desigualdade e a profunda divisão social do Rio de Janeiro a partir da experiência do jornalista em Vigário Geral, cenário da chacina que matou 21 pessoas em 1993. A obra consolidou-se como uma referência na reflexão sobre os contrastes e conflitos que marcam a cidade.
Zuenir venceu os dois maiores prêmios de jornalismo do Brasil: o Prêmio Esso e o Vladimir Herzog – cujo troféu foi entregue pela viúva do jornalista, amigo assassinado durante a ditadura.
Em 2008, ele recebeu da ONU um troféu especial por ter sido um dos cinco jornalistas que “mais contribuíram para a defesa dos direitos humanos no país nos últimos 30 anos”.
A convite de João Moreira Salles, Zuenir Ventura ampliou sua atuação para o audiovisual. Ele participou da codireção de “Um Dia Qualquer”, lançado em 2000, e assinou o roteiro de “Paulinho da Viola: Meu Tempo é Hoje”, documentário dirigido por Izabel Jaguaribe que chegou aos cinemas em 2003.
Com informações do g1.
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