Lei Antifacção: Câmara dos Deputados aprova Marco Legal de Combate ao Crime Organizado
Política

Lei Antifacção: Câmara dos Deputados aprova Marco Legal de Combate ao Crime Organizado

Lei Antifacção: Câmara dos Deputados aprova Marco Legal de Combate ao Crime Organizado Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Resumo da notícia

  • A Câmara aprovou por 370 a 110 votos o texto-base do PL 5582/2025, conhecido como Marco Legal de Enfrentamento ao Crime Organizado, que endurece penas, amplia apreensão de bens e cria novas regras para investigação e julgamento de crimes ligados a facções.
  • O parecer do relator Guilherme Derrite (PP-SP) gerou divisão: governistas afirmam que o texto “desconfigura” o projeto original do governo e prejudica a PF, enquanto defensores dizem que o endurecimento é necessário para combater o crime organizado.
  • A proposta segue agora para o Senado e inclui punições mais duras (até 40 anos, chegando a 66 para líderes), restrição de benefícios penais, regras de videoconferência para audiências de custódia, colegiado para julgar homicídios de facções e maior autonomia do MP via GAECO.

Por 370 a 110 votos, a Câmara dos Deputados aprovou na terça-feira (18) o texto-base projeto de lei de combate ao crime organizado (PL 5582/2025). Os deputados acataram o texto apresentado pelo relator, deputado Guilherme Derrite (PP-SP), que alterou trechos da proposta original encaminhada pelo governo federal. O relator apresentou cinco versões.

O projeto prevê penas mais duras para integrantes de facções criminosas e apreensão de bens de investigados.

Derrite defendeu que “o enfrentamento do crime organizado no Brasil exige legislação de guerra em tempo de paz”. Os parlamentares governistas, contrários ao parecer de Derrite, dizem que o projeto Antifacção foi desconfigurado e descapitaliza a Polícia Federal.

Deputados analisam agora os destaques, que podem mudar trechos do texto-base. O projeto segue depois para o Senado.

“Nós vamos lutar para retomar esse texto original. Vamos modificar no Senado para recuperar o propósito original do governo de combate à facção criminosa”, disse o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).

O parlamentar destacou que o projeto foi elaborado depois de mais de seis meses de estudo.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB -RJ) argumenta que o texto de Derrite acaba protegendo as organizações criminosas.

“O relatório inova com uma ação civil pública que acaba protelando o confisco de bens do crime organizado”, criticou. Para ela, prejudica a investigação da Polícia Federal ao descapitalizar a corporação. No parecer, relator encaminhou “o quinhão cabível à PF ao Fundo Nacional de Segurança Pública”.

Outra crítica do governo federal é que o parecer de Derrite só permitia ao Estado assumir o patrimônio do crime após o término da ação penal, o que poderia levar anos.

O deputado Kim Kataguiri (União Brasil – SP) concordou com o texto do relator de que a ação é necessária para recuperar os bens a serem apreendidos pela PF. “A gente ainda escuta discurso aqui de que nós estamos defendendo corruptos de colarinho branco, de que nós estamos defendendo o banqueiro”, criticou.

O texto aprovado prevê a apreensão prévia de bens do investigado em certas circunstâncias, com a possibilidade de perdimento dos bens antes da decisão final da Justiça.

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Penas de 40 anos

O texto aumenta as penas para membros de facção ou milícia para 20 a 40 anos, podendo chegar a 66 anos para os líderes das organizações criminosas.

O substitutivo também aumenta em 85% da pena o tempo necessário para progressão de regime. Fica proibida graça, anistia, indulto ou liberdade condicional para membros dessas organizações.

Autonomia do MP

O texto prevê a participação do Ministério Público nos casos de forças-tarefas que investiguem facções, por meio de Procedimentos Investigatórios Criminais liderados por Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO).

Organização ultraviolenta

O projeto traz a definição de organização criminosa ultraviolenta, apesar das críticas que apontaram que a criação de um novo tipo criminal poderia gerar um caos jurídico nos processos judiciais que tendem a beneficiar os criminosos.

Sobre audiência de custódia e julgamento de homicídios cometidos por membros de facção criminosa, o projeto prevê que as audiências de custódia sejam realizadas, “em regra, por videoconferência, salvo decisão judicial fundamentada em sentido contrário”.

Os homicídios cometidos por facções serão julgados, no primeiro grau de jurisdição, por um colegiado e não por um tribunal do júri.

Apoio de Motta

Antes da votação, os deputados federais governistas chegaram a solicitar que o Projeto de Lei Antifacção (PL 5582/25) fosse retirado da pauta de votação na Câmara, em vista de que o texto original teria sido “desconfigurado” pelo parecer do relator Guilherme Derrite. No entanto, foi mantida a votação por 316 votos favoráveis contra 110.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos -PB), argumentou que o texto seria a resposta “mais dura” da história da Câmara dos Deputados no enfrentamento ao crime organizado.

“Nós estamos dizendo que chefes de facções criminosas agora irão direto para os presídios federais, que os encontros com advogados serão gravados, que não terão visitas íntimas”, exemplificou.

Motta afirmou que o projeto original do governo federal trouxe pontos positivos, mas que foram necessários mais olhares de outros setores e bancadas.

A Câmara denominou o substitutivo como “Marco legal de enfrentamento ao crime organizado”.

Confira como cada membro da bancada baiana se posicionou:

Votaram a favor

Adolfo Viana (PSDB)

Alex Santana (Republicanos)

Antonio Brito (PSD)

Arthur Maia (União)

Capitão Alden (PL)

Claudio Cajado (PP)

Dal Barreto (União)

Diego Coronel (PSD)

Elmar Nascimento (União)

Félix Mendonça Jr. (PDT)

Gabriel Nunes (PSD)

João Leão (PP)

José Rocha (União)

Leo Prates (PDT)

Leur Lomanto Jr. (União)

Otto Alencar Filho (PSD)

Paulo Magalhães (PSD)

Raimundo Costa (Podemos)

Ricardo Maia (MDB)

Roberta Roma (PL)

Sérgio Brito (PSD)

Votaram contra

Alice Portugal (PCdoB)

Bacelar (PV)

Daniel Almeida (PCdoB)

Ivoneide Caetano (PT)

João Carlos Bacelar (PL)

Jorge Solla (PT)

Joseildo Ramos (PT)

Josias Gomes (PT)

Lídice da Mata (PSB)

Mário Negromonte Jr. (PP)

Waldenor Pereira (PT)

Zé Neto (PT)

Não votaram

Márcio Marinho (Republicanos)

Neto Carletto (Avante)

Paulo Azi (União)

Rogéria Santos (Republicanos)

Valmir Assunção (PT)

Abstenção

Pastor Isidório (Avante) 

Com informações da Agência Brasil.

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