Lula assina decreto que altera taxas do vale-alimentação e refeição; confira o que muda
Por Yasmin Mota | 12/11/2025 11:12 e atualizado em 13/11/2025
Foto: Ricardo Stuckert
Resumo da notícia
- O presidente Lula assinou decreto que regulamenta mudanças no vale-refeição e alimentação, criando um teto de 3,6% para taxas cobradas de restaurantes e reduzindo o prazo de repasse para 15 dias.
- A medida estabelece interoperabilidade entre bandeiras de cartões, proíbe práticas abusivas e obriga empresas a orientar trabalhadores e seguir as normas do PAT.
- O governo afirma que as mudanças não alteram o valor recebido pelos trabalhadores, mas devem aumentar o número de estabelecimentos que aceitam os vales e estimular o comércio alimentar em todo o país.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou, nesta terça-feira (11), o decreto que regulamenta as mudanças no vale-refeição e alimentação. Entre as principais alterações estão a criação de um teto na taxa cobrada pelas empresas e a redução do prazo de repasse dos valores aos lojistas.
As principais mudanças são:
• criação de um teto de 3,6% na taxa cobrada de restaurantes por empresa de vale-refeição. As empresas terão 90 dias para se adequar a essas regras;
• foi instituída a interoperabilidade, permitindo que qualquer maquininha de cartão passe a aceitar vales de todas as bandeiras. O prazo para essa regra começar a valer é de 360 dias;
• prazo máximo de 15 dias para repasse dos valores pagos – entra em vigor em 90 dias. Atualmente, esse prazo é de até 30 dias após a transação, em média, podendo chegar a 60 dias.
• determinação para que os sistemas de pagamento com mais de 500 mil trabalhadores deverão migrar para o modelo de arranjo aberto em até 180 dias (veja mais abaixo).
• proibição de práticas consideradas abusivas como: deságios, descontos, benefícios indiretos, prazos incompatíveis com repasses pré-pagos; e vantagens financeiras não relacionadas à alimentação, com vigência imediata;
• obrigação das empresas beneficiárias de orientar os trabalhadores e cumprir todas as normas do programa;
o decreto também contém regras de transição, proporcionais ao tamanho das empresas.
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Segundo o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT), essas taxas hoje em dia chegam a 15%. O governo avalia que a medida vai aumentar a quantidade de estabelecimentos que aceitam essas formas de pagamento.
“Esse decreto é bom para supermercados brasileiros, grandes, pequenos e médios, é bom para restaurantes, grandes, pequenos e médios, bom para padarias, hortifruti, quem vende frutas nesse Brasil inteiro. Se é bom para todo mundo, é bom para o trabalhador também”, afirmou Lula após a assinatura.
As mudanças não influenciam no valor repassado aos trabalhadores, que continuam os mesmos. O valor também continua sendo destinado apenas aos gastos com alimentação dos trabalhadores.
O Ministério do Trabalho e Emprego, órgão responsável pelo Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), ficará a cargo da fiscalização.
O PAT é um programa de adesão voluntária que dá benefícios fiscais às empresas que possuem políticas de alimentação, por exemplo, a oferta de vale-alimentação e refeição.
O decreto foi assinado em uma reunião no Palácio da Alvorada. Além de Lula e Marinho, participaram o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), e os ministros Fernando Haddad (PT), da Fazenda, e Rui Costa, da Casa Civil.
O limite para as taxas foi estabelecido porque a avaliação é de que o índice praticado hoje leva muitos estabelecimentos a não aceitarem o recurso.
O decreto deve ser publicado no “Diário Oficial da União” na edição desta quarta-feira (12).
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