Lula chega à França para reunião do G7; governo federal vê chance de reunião com Donald Trump
Por Hamurabi Dias | 15/06/2026 17:31 e atualizado em 15/06/2026
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Resumo da notícia
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou à França para participar da reunião do G7, e o governo brasileiro avalia a possibilidade de um encontro com Donald Trump, embora não haja reunião bilateral agendada.
- O Brasil pretende defender no evento posições contrárias ao protecionismo e às medidas unilaterais de comércio, em meio às discussões sobre novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
- Entre os temas da cúpula está a inteligência artificial. Lula deve reforçar que o Brasil está aberto a empresas de tecnologia estrangeiras, desde que atuem em conformidade com a legislação brasileira.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegou nesta segunda-feira (15) em Évian-les-Bains, na França, para participar da reunião de líderes dos países do G7, marcada para esta terça-feira (16).
O governo trabalha com a possibilidade de um encontro entre Lula e o presidente dos Estados Unidos Donald Trump durante a reunião da cúpula. Mas não há reunião previamente marcada entre os presidentes.
A estratégia do Palácio do Planalto era garantir a chegada de Lula ainda nesta segunda, primeiro dia do evento, diante da possibilidade de Trump participar apenas da abertura da reunião, repetindo o que ocorreu no encontro do G7 realizado no Canadá no ano passado.
Não houve uma orientação de Lula para que seus auxiliares pedissem uma reunião bilateral com Trump. Também não houve nenhuma solicitação de encontro por parte da Casa Branca.
A falta de pedidos formais dos dois lados, no entanto, não é vista como um impeditivo para uma reunião.
O possível encontro ocorreria após uma nova ofensiva dos EUA contra produtos brasileiros que pode elevar a carga total a 37,5%, caso as medidas sejam implementadas.
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No governo, a avaliação é que:
• a proposta de uma tarifa adicional de 25%, justificada por Washington com base em supostas práticas comerciais desleais, ainda pode ser revertida por meio de negociação.
• já a sobretaxa de 12,5%, vinculada à alegação de falta de ações suficientes contra o trabalho forçado, é vista por integrantes da equipe brasileira como uma decisão praticamente consolidada.
O Brasil não integra o G7, porém, Lula tem sido convidado para encontros do grupo desde que retornou ao Palácio do Planalto, em 2023. O G7 reúne algumas das maiores economias do mundo: Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão.
Participação no G7
Lula deve adotar um tom crítico ao chamado protecionismo – por meio do qual um país ou um bloco adota medidas consideradas excessivas para proteger produtores locais em detrimento de estrangeiros – e o unilateralismo – termo usado na diplomacia para caracterizar medidas de um país contra outro sem que haja comunicações prévias ou negociações.
Segundo diplomatas, Lula passará o “recado” para os líderes do G7 de que é contra o tarifaço do governo americano sem apontar “o dedo na cara” do presidente dos Estados Unidos.
Na semana passada, o presidente da França, Emmanuel Macron, comandou uma reunião preparatória para o G7, e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o Brasil no encontro.
De acordo com fontes diplomáticas, Mauro Vieira fez justamente essa defesa, de que organismos com a OMC precisam ter mais força para atuar, considerando o cenário econômico global com medidas sendo adotadas de forma unilateral, a exemplo do tarifaço de Trump.
Almoço sobre inteligência artificial
Uma das agendas previstas no G7 é um almoço para debater o tema da inteligência artificial. Lula deve argumentar que o Brasil não persegue as plataformas digitais nem tem discriminação por uma outra outra plataforma.
O presidente deve dizer que o Brasil está aberto para receber as operações de empresas de tecnologia, desde que atuem conforme as leis brasileiras.
Em uma das recomendações sobre o tarifaço contra o Brasil, o Escritório do Representante Comercial americano (USTR, na sigla em inglês) justifica a medida alegando que, entre outros pontos, o Poder Judiciário brasileiro toma medidas contra empresas americanas de tecnologia.
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