Lula defende América Latina independente contra “fala grossa” externa
Por Hamurabi Dias | 19/10/2025 13:46 e atualizado em 19/10/2025
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Resumo da notícia
- Durante evento em São Bernardo do Campo (SP), o presidente Lula defendeu a criação de projetos educacionais conjuntos entre países da América Latina para fortalecer a independência regional e evitar interferências externas.
- Lula destacou que nenhum país se desenvolve sem investir em educação e mencionou a criação da Universidade da América Latina, em Foz do Iguaçu, como parte do esforço para formar uma doutrina latino-americana integrada.
- As declarações ocorrem em meio à escalada de ações dos Estados Unidos contra a Venezuela, incluindo ataques militares e operações secretas da CIA. O governo venezuelano e organizações latino-americanas condenaram as medidas, classificando-as como ameaças à paz regional.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que projetos comuns de educação envolvendo todos países da América Latina garantirão mais independência para a região. Dessa forma, segundo o presidente, se evitará que “presidente de outro país” ouse falar grosso com o Brasil.
A declaração foi neste sábado (18) durante evento com estudantes da Rede Nacional de Cursinhos Populares (COPO), em São Bernardo do Campo (SP).
Ao falar que não existe país no mundo que tenha se desenvolvido sem antes investir na educação, Lula disse que este é um desafio que abrange vários outros países.
Ele lembrou que, por esse motivo, o governo brasileiro está desenvolvendo várias parcerias com países africanos; países de língua portuguesa; e com países da América Latina.
“Fizemos também a Universidade da América Latina em Foz do Iguaçu. Queremos formar uma doutrina latino-americana, com professores e estudantes latino-americanos, para sonhar que nosso continente um dia seja independente, e que nunca mais um presidente de outro país ouse falar grosso com o país, porque não vamos aceitar”, disse o presidente.
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Venezuela
A fala de Lula ocorre em meio a ações anunciadas pelos Estados Unidos contra a Venezuela, sob a justificativa de combate ao tráfico de drogas. Segundo a imprensa norte-americana, o Exército do país já teria lançado seis ataques contra embarcações, assassinando dezenas de pessoas.
Na quarta-feira (15), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou ter autorizado a CIA, agência de inteligência norte-americana, a conduzir operações secretas na Venezuela.
Em resposta, o governo Maduro declarou que os EUA estão trabalhando por uma “mudança de regime” na Venezuela, e prometeu denunciar as ações no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
Durante plenária nacional nessa semana, a Central Única do Trabalhadores (CUT) brasileira aprovou moção de repúdio à postura dos Estados Unidos e afirmou que trata-se de uma ameaça à paz de toda a América Latina.
Na sexta-feira, organizações sociais e cidadãos de Trinidad e Tobago se manifestaram em frente à Embaixada dos EUA contra o assassinato de dois pescadores trinitários por embarcações militares americanas, um incidente descrito como um “ato de agressão injustificado”.
De acordo com informações da Telesur, a tragédia, que ocorreu sob o pretexto de uma operação “antidrogas”, provocou um debate sobre o apoio do governo trinitário à escalada militar de Washington no Caribe.
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