Lula diz que reunião com Donald Trump foi “ótima” e abriu negociação “imediata” de tarifaço e sanções
Por Yasmin Mota | 27/10/2025 07:51 e atualizado em 27/10/2025
Foto: Ricardo Stuckert / PR
Resumo da notícia
- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o presidente Donald Trump neste domingo (26/10), em Kuala Lumpur, na Malásia, no primeiro encontro formal entre ambos. O foco principal foi negociar a suspensão da tarifa de 50% sobre importações brasileiras e discutir sanções contra autoridades do Brasil.
- Segundo o chanceler Mauro Vieira, a conversa foi "descontraída e positiva", com promessa de continuidade das negociações entre as equipes ainda no mesmo dia. Trump elogiou a trajetória política de Lula e demonstrou interesse em "ótimos acordos para ambos os países".
- Apesar de Trump mencionar Jair Bolsonaro em conversa prévia com jornalistas, o assunto não foi tratado diretamente na reunião. Lula reforçou o desejo de estreitar laços com os EUA e buscar relações econômicas estáveis e cooperativas.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu neste domingo (26) com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia.
Em postagem no Twitter, Lula disse que a reunião foi “ótima” e acrescentou que as negociações continuam “imediatamente” para buscar soluções para a tarifa de 50% às importações brasileiras e também para sanções contra autoridades impostas por Trump citando o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Brasil.
Foi o primeiro encontro formal entre os dois, que mantinham relação distante desde o início do governo Trump. A situação se agravou em julho, quando Washington anunciou o tarifaço contra o Brasil. Mas o diálogo melhorou a partir de setembro, quando ambos tiveram breve contato durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York, o que abriu as negociações para o encontro bilateral.
Nas primeiras declarações após o encontro, o chanceler brasileiro Mauro Vieira detalhou que as conversas continuariam ainda neste domingo entre as duas equipes para uma possível suspensão da tarifa de 50%.
No entanto, houve apenas uma ligação entre ele e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, em que foi marcada uma reunião de negociação para às 8h de segunda-feira, no horário da Malásia (19h de domingo no horário de Brasília).
“Os dois presidentes tiveram uma conversa muito descontraída, alegre até”, disse Vieira a jornalistas.
“O presidente Trump declarou admirar o perfil da carreira política do presidente Lula, já tendo sido duas vezes presidente da República, tendo sido perseguido no Brasil e tendo se recuperado, provado a sua inocência e voltado a se apresentar e vitoriosamente conquistado o seu terceiro mandato”, seguiu Vieira.
O chanceler afirmou ainda esperar que “em pouco tempo agora, em algumas semanas, concluir uma negociação bilateral que trate de cada um dos setores da atual tributação americana ao Brasil.”
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Em uma rápida conversa com jornalistas antes do início da reunião, Trump disse ser “uma honra estar com o presidente do Brasil”.
“Acredito que seremos capazes de fazer ótimos acordos para os dois países”, disse ele.
Já Lula, também nessa conversa prévia, havia prometido “boas notícias” após a reunião. “O Brasil tem todo o interesse de ter uma relação extraordinária com os Estados Unidos, não há nenhuma razão para qualquer desavença entre os dois países”, disse ele.
“Na hora em que dois presidentes se sentam e cada um coloca o seu ponto de vista, os seus problemas, a tendência é encaminhar um acordo”, complementou Lula.
O presidente do Brasil ainda disse que tinha uma longa pauta de assuntos que gostaria de discutir com Trump.
O presidente dos EUA afirmou que ele e Lula “chegarão a uma conclusão rapidamente”.
Ao ser questionado sobre se a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seria assunto da reunião, Trump não confirmou nem descartou essa possibilidade.
“Eu sempre gostei do Bolsonaro. Me senti mal com o que aconteceu com ele. Ele está passando por muita coisa”, comentou ele.
Depois do encontro, o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Rosa, disse que a questão de Bolsonaro não foi discutida diretamente e que Trump não mencionou o aliado na conversa. Disse, no entanto, que Lula abordou as sanções contra autoridades brasileiras.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho de Jair e um dos articuladores do tarifaço e das sanções, comemorou no X o fato de Trump ter mencionado Bolsonaro na conversa prévia, o que teria deixado Lula “claramente incomodado” em sua visão. “Imagine o que foi tratado a portas fechadas?”, escreveu.
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