Lula indicará ao menos mais quatro ministros ao Supremo Tribunal Federal até 2030
Por Yasmin Mota | 26/10/2026 08:02 e atualizado em 26/10/2026
Foto: Ricardo Stuckert
Resumo da notícia
- Lula poderá indicar quatro ministros ao STF até 2030: além da vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, o presidente deverá escolher os sucessores de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, que atingirão a idade-limite de 75 anos durante o mandato.
- STF prepara análise de relatório sobre o caso Master: após as eleições, o presidente da Corte, Edson Fachin, pretende acelerar o julgamento de um relatório da Polícia Federal que menciona seis ministros ou pessoas próximas a integrantes do Supremo em mensagens e documentos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro.
- Nunes Marques pode se tornar novo foco de tensão: integrantes do STF avaliam que o ministro poderá ganhar destaque nas disputas internas relacionadas ao caso Master, diante de suspeitas de troca de favores e repasses ao filho. André Mendonça também enfrenta críticas pela condução dos processos, mas a PGR se posicionou contra a abertura de investigação contra ele.
Com a reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve chegar a 2030 tendo feito pelo menos 13 indicações para o Supremo Tribunal Federal. Além da vaga aberta no STF com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, o petista terá de escolher o sucessor de mais três ministros que se aposentarão ao longo da sua gestão.
Até 2030, completarão 75 anos, idade limite para permanecer na Corte, os ministros:
Luiz Fux: 26 de abril de 2028;
Cármen Lúcia: 19 de abril de 2029;
Gilmar Mendes: 30 de dezembro de 2030.
Em relação à vaga aberta há pouco menos de um ano, a expectativa é que a reeleição garanta ao petista fôlego político para aprovar seus indicados. O acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), é que a indicação seria após o segundo turno e a definição do novo mandato.
Com mais três indicações, Lula concluirá o seu quarto mandato com 70% da Corte indicada por ele. Lula repetirá um marco de quando deixou o segundo mandato, em 2010, deixando sete ministros indicados na composição da época.
O dia seguinte no STF
Com o fim das eleições, o objetivo do presidente do STF, Luiz Edson Fachin, é adiantar o julgamento de novo relatório da Polícia Federal que apresenta a citação de ao menos seis ministros do STF nas provas colhidas junto ao celular de Daniel Vorcaro, fundador do banco Master e pivô da principal crise interna da Corte.
As mensagens e contratos colhidos pelos investigadores revelam acertos financeiros em negócios com familiares ou pessoas próximas dos ministros Alexandre de Moraes, Nunes Marques e Dias Toffoli. Em outra esfera, as mensagens mencionam reuniões de Vorcaro com Gilmar Mendes e André Mendonça e registram conversas do banqueiro com Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux.
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Novo alvo
Dois ministros e quatro auxiliares de gabinetes avaliam que o foco do grupo de apoio a Moraes no Supremo deve trocar seu alvo. Se antes era André Mendonça pela confecção do relatório que expunha as relações do colega com Vorcaro, agora passa a ser o ministro Nunes Marques.
Esse grupo de ministro viu na condução do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pelo presidente uma atuação favorável à campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
A avaliação é que Nunes Marques está mais enrolado no caso Master do que Mendonça.
Contra Kassio há suspeitas de trocas de favores, com repasses ao filho do ministro e voto favorável aos interesses de Vorcaro.
Já sobre Mendonça pesam críticas acerca da condução dos processos —a PGR (Procuradoria-Geral da República) já se posicionou contra a abertura de investigação contra o relator dos casos Master e das fraudes do INSS.
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