Maria Quitéria: do passado heroico às homenagens no FLIFS 2026
Por Hamurabi Dias | 01/07/2026 18:12 e atualizado em 01/07/2026
Foto: Sidarta Gautama
Resumo da notícia
- No 2 de Julho, o festival destaca a heroína feirense como um dos símbolos da identidade visual da 19ª edição, ao lado de Lucas da Feira, valorizando a história, a bravura e a resistência de Feira de Santana.
- Com o tema "Feira é o Mundo", a arte criada por Sidarta Gautama homenageia Maria Quitéria como símbolo do protagonismo feminino, da memória histórica e da representatividade.
- Reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia, o FLIFS será realizado de 25 a 30 de agosto, no Centro de Convenções de Feira de Santana, promovendo literatura, cultura e formação de novos leitores.
Neste 2 de Julho, data que marca a consolidação da Independência do Brasil na Bahia, o Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (FLIFS) destaca a figura de Maria Quitéria como um dos ícones da 19ª edição do evento. A heroína, filha de Feira de Santana e primeira mulher a sentar praça em uma unidade militar no Brasil, integra a identidade visual do festival ao lado de Lucas da Feira, como parte da homenagem a símbolos que representam a força e a história da cidade.
A escolha de Maria Quitéria para compor a identidade visual do FLIFS 2026, que tem como tema “Feira é o Mundo”, celebra a bravura, o pioneirismo e a resistência da mulher sertaneja. Mais do que resgatar o passado, a homenagem conecta a história de Feira de Santana ao protagonismo e às lutas sociais atuais, especialmente no que se refere à representatividade feminina.
A coordenadora do FLIFS e historiadora, Cristiana Oliveira, explica que Maria Quitéria encarna valores diretamente associados à cidade de Feira de Santana. “Maria Quitéria encarna valores que a gente pode associar à própria cidade de Feira de Santana, no sentido de bravura e resistência. O sertanejo ou a sertaneja é, antes de tudo, um forte. A determinação de Quitéria em cortar os cabelos, vestir a farda do cunhado, adotar um nome de homem e ir para as trincheiras da Independência da Bahia reflete esse espírito de povo batalhador que Feira de Santana e o povo baiano têm em todo o seu processo de formação histórica”, afirma.
A identidade visual do FLIFS 2026 foi concebida pelo artista e ilustrador feirense Sidarta Gautama, conhecido por trabalhos de caricatura, design e publicidade. A criação une tradição e contemporaneidade ao promover o diálogo entre a xilogravura e a Pop Art.
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Pioneirismo e vanguarda
Outro aspecto destacado por Cristiana Oliveira é o pioneirismo de Maria Quitéria, que rompeu barreiras ao se tornar a primeira mulher a servir em uma unidade militar no Brasil. “Maria Quitéria é reconhecida como a primeira mulher a integrar o Exército Brasileiro. Ela representa uma terra que sempre se orgulhou de sua vanguarda econômica, cultural e política do interior do estado. Ao assumir esse compromisso de luta pela Independência do Brasil na Bahia, ela apresenta também esse elemento de vanguarda de se colocar na infantaria das lutas cotidianas”, ressalta.
A coordenadora também enfatiza o papel de Maria Quitéria como símbolo contemporâneo. “Ela não é apenas uma figura militar do século XIX, mas se torna bandeira de lutas da contemporaneidade. Ela é uma referência histórica dentro da construção dos femininos e do ser mulher, ser mulher sertaneja”, destaca.
A presença de Maria Quitéria na identidade visual do FLIFS também reforça o compromisso do festival com a preservação da memória histórica e com a pauta da representatividade. O evento, que ao longo de 19 edições já trouxe discussões centrais sobre narrativas femininas, amplia seu reconhecimento à luta das mulheres ao homenagear a heroína feirense.
“O FLIFS, ao destacar em sua identidade visual as figuras de Maria Quitéria e de Lucas da Feira, transmite um compromisso de identidade e de preservação da memória a partir da figura da heroína ilustre do Brasil. É uma associação que fortalece a construção de que o espaço do FLIFS não é apenas físico, mas simbólico e cultural, representando essa percepção histórica dessa figura feminina que luta usando os próprios braços e o próprio corpo pela garantia de independência e de autonomia”, conclui Cristiana Oliveira.
A memória de Maria Quitéria está presente em diversos pontos da cidade, como o distrito que leva seu nome, o Paço Municipal Maria Quitéria e a Avenida Maria Quitéria, reforçando a relevância da heroína para a identidade feirense.
Sobre o FLIFS
O Festival Literário e Cultural de Feira de Santana (FLIFS), reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial da Bahia, é um dos maiores eventos literários do estado. Realizado anualmente desde 2007, o festival promove o livro, a leitura e as diversas manifestações culturais, com destaque para a formação de novas gerações de leitores, contação de histórias, cordel, oficinas, lançamentos de livros e apresentações musicais. O FLIFS foi a primeira feira literária da Bahia e completa 19 anos de história em 2026.
A realização é da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e do Sesc Feira de Santana. A organização conta com a parceria da Arquidiocese de Feira de Santana, Prefeitura Municipal de Feira de Santana, Secretaria Estadual de Educação (NTE 19), Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) e Instituto Federal da Bahia (IFBA) – Campus Feira. O patrocínio é da Câmara Municipal de Feira de Santana e da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). O apoio é da Fundação Pedro Calmon e do Governo do Estado da Bahia. Em 2026, o FLIFS ocorrerá entre 25 e 30 de agosto, com estrutura ampliada no Centro de Convenções de Feira de Santana.
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