Milhares de baianos celebram 2 de Julho nas ruas de Salvador
Por Hamurabi Dias | 02/07/2025 12:35 e atualizado em 02/07/2025
Foto: Thuane Maria/GOVBA
Resumo da notícia
- O bairro da Lapinha foi palco das comemorações dos 202 anos da Independência da Bahia, com desfiles, casas enfeitadas, crianças fantasiadas e homenagens ao Caboclo e à Cabocla — símbolos da luta do povo baiano contra as tropas portuguesas em 1823.
- As festividades destacaram personagens históricos como Maria Quitéria, Joana Angélica e Maria Felipa. A população e autoridades, como o governador Jerônimo Rodrigues e o prefeito Bruno Reis, reforçaram o valor cívico da data e a importância de preservar e ensinar essa história nas escolas.
- Povos indígenas e quilombolas, que foram protagonistas na luta pela independência, continuam presentes nas celebrações. Representantes como Aguinaldo Pataxó Hã Hã Hãe ressaltaram o papel histórico de seus povos e a importância da visibilidade e reconhecimento cultural.
Casas enfeitadas, crianças fantasiadas e homenagens aos símbolos da independência do Brasil na Bahia: no dia 2 de julho, o bairro da Lapinha, em Salvador, se transforma em uma verdadeira festa. Nesta quarta-feira (2), milhares de baianos foram às ruas para comemorar a expulsão definitiva dos portugueses em solo brasileiro, que aconteceu no estado.
Apesar do famoso grito de “independência ou morte” as margens do rio Ipiranga, em 7 de setembro de 1823, foi só nove meses depois que o último baluarte português foi expulso do Brasil. Há 202 anos, o povo baiano lutou contra os lusitanos em Salvador e no recôncavo do estado.
O dia é, como de costume, marcado pelo desfile do Caboclo e da Cabocla, símbolos históricos que representam a luta popular – feita por indígenas, negros e mestiços, que enfrentaram as tropas portuguesas na fronte de batalha.
ambém símbolo de fé, muitas pessoas prestaram homenagens ao Caboclo e à Cabocla. Com animação, fantasias e muito orgulho, baianos e baianas celebraram a data durante todo o desfile, que sai do Largo da Lapinha até o Barbalho.
Em entrevista ao g1, José Dirson Argolo, restaurador de obras de arte e professor aposentado da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia (Ufba), contou que restaura o Caboclo e a Cabocla, a carruagem e outros monumentos ligados à Independência do Brasil na Bahia desde 1997.
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“Eu faço com profissionalismo e quase como um dever cívico, sendo baiano e cidadão de Salvador. Eu vejo que a preservação desses dois ícones da Independência da Bahia é extremamente importante para a nossa memória e história. É sempre comovente participar do desfile e ver a alegria do povo baiano e a imensa devoção ao Caboco e à Cabocla”, destacou o restaurador.
No bairro do Santo Antônio Além do Carmo, que faz parte do cortejo das celebrações do 2 de Julho, a casa de Clélia Santana Leite vira um verdadeiro cenário da Independência do Brasil na Bahia.
Ela e outras duas crianças homenageiam Maria Quitéria, Joana Angélica e Maria Felipa, consideradas heroínas na luta para que os portugueses fossem expulsos da Bahia, além dos caboclos, símbolos de liberdade.
“Há 35 anos nós homenageamos a Independência da Bahia, com personagens importantes. Minha mãe faz aniversário hoje e completa 85 anos. Para toda a família, é um orgulho imenso, porque além de participar da Independência, trazendo toda a história, a gente tem a felicidade de ter a presença de uma guerreira, que nos criou e nos mostrou, que, ser mulher é ser, principalmente, guerreira”, relatou Clélia.
Em coletiva de imprensa, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) falou que participa das celebrações do 2 de Julho desde a infância, quando era integrante de fanfarras nas apresentações.
“Fui crescendo e, cada vez mais, me consolidando como um cidadão que tem consciência do que é o 2 de Julho. Agora, como governador, forçar para que a gente possa garantir o cumprimento do currículo, com livros didáticos e a capacitação de professores para explicar para crianças, adolescentes e jovens o significado dessa data”, falou o governador.
O prefeito Bruno Reis (União Brasil) disse que o 2 de Julho retrata a essência do povo baiano.
“Essa data representa nossa história, o nosso modo de ser, o povo autônomo, independente, que de forma soberana não se curva diante das dificuldades. A Independência da Bahia inspira a gente para enfrentar os obstáculos do dia a dia e enfrentar os desafios”, afirmou o gestor municipal.
Indígenas lutaram pela Independência do Brasil na Bahia
Há 202 anos, indígenas e quilombolas lutaram pela Independência do Brasil em cidades baianas, como Salvador. Neste 2 de Julho, eles seguem marcando presença na data, agora em comemoração.
O indígena Aguinaldo Pataxó Hã Hã Hãe, coordenador geral do grupo Movimento Unido dos Povos e Organizações Indígenas da Bahia (Mupoiba), disse que indígenas de diversas partes do estado acompanham as celebrações do 2 de Julho e destacou a importância da data para a história.
“É um movimento crucial para a gente, onde nossos povos, participaram lado a lado dos guerreiros para tornarem a nossa Bahia independente. Já participamos há anos, para termos visibilidade e para que a sociedade baiana e brasileira compreenda os valores dos nossos povos para que a Bahia fosse independente hoje”, destacou o indígena.
Com informações do g1 BA.
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