Ministério Público Federal exige ação imediata após atentado contra ambientalistas na Chapada
Por Yasmin Mota | 09/05/2026 08:53 e atualizado em 09/05/2026
Foto: Roberto Barroso/ Agência Brasil
Resumo da notícia
- O Ministério Público Federal solicitou medidas urgentes após atentado contra ambientalistas em Itaetê, na Chapada Diamantina, incluindo proteção às vítimas, investigação rigorosa e criação de unidade de conservação ambiental.
- O ataque ocorreu entre 30 de abril e 1º de maio, quando homens armados invadiram a Pousada Toca do Lobo, fizeram ameaças a um casal de ambientalistas e afirmaram que eles estariam dificultando a atuação de mineradoras na região.
- Entre as medidas pedidas pelo MPF estão a ocupação do Posto Avançado Toca do Lobo pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, proteção a comunidades tradicionais e criação de um Refúgio de Vida Silvestre na Serra da Chapadinha.
O Ministério Público Federal (MPF) solicitou medidas urgentes após um atentado contra ambientalistas no município de Itaetê, na Chapada Diamantina (BA). As providências, requeridas aos órgãos estaduais e federais, incluem ações como a proteção imediata das vítimas e de comunidades ameaçadas, a investigação rigorosa do crime e a criação de uma unidade de conservação para preservar a biodiversidade.
Para os órgãos estaduais — que abrangem a Secretaria da Casa Civil da Bahia, Secretaria de Segurança Pública do Estado, Ministério Público do Estado da Bahia e Procuradoria-Geral do Estado — o MPF pede prioridade e rigor técnico nas investigações a fim de identificar e responsabilizar os executores e mandantes do atentado.
No âmbito federal, as entidades que receberam os requerimentos foram: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).
Entenda
Na madrugada de 30 de abril para 1º de maio, um grupo de seis a sete homens mascarados e fortemente armados invadiu a Pousada Toca do Lobo em Itaetê (BA) e rendeu um casal de ambientalistas.
Durante o período, os criminosos efetuaram disparos, destruíram equipamentos e teceram ameaças, alegando que o casal estaria “atrapalhando o progresso” e a entrada de mineradoras na região.
Segundo o procurador da República, Ramiro Rockenbach, “o atentado representa uma grave ameaça não apenas à integridade física dos ambientalistas, mas também ao direito coletivo ao meio ambiente equilibrado e à proteção das comunidades tradicionais que atuam historicamente na preservação da Serra da Chapadinha.”
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O MPF estabeleceu um prazo de 15 dias para que o MMA, ICMBio e MDHC prestem informações sobre as providências adotadas. As medidas solicitadas pela entidade inclui:
• Ocupação do local: que o MMA e o ICMBio ocupem o Posto Avançado Toca do Lobo para garantir a continuidade das atividades ambientais;
• Criação de Unidade de Conservação: a transformação da Serra da Chapadinha em um Refúgio de Vida Silvestre, categoria de proteção integral, é apontada como prioridade máxima;
• Proteção de pessoas: implementação de planos de segurança para os ambientalistas vítimas do ataque, além de proteção para comunidades tradicionais e camponeses que atuam como guardiães da floresta na região.
Pedidos anteriores
Em manifestações anteriores, o Ministério Público Federal já havia recomendado, em agosto de 2026, que o governo da Bahia o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) criassem uma unidade de conservação. A orientação era que o Estado não autorizasse supressão vegetal na região e cancelasse licenças concedidas a mineradoras sem a devida consulta prévia às comunidades tradicionais.
O objetiva da medida é proteger mais de 14 mil hectares da Serra da Chapadinha, situados entre os municípios de Itaetê, Ibicoara e Mucugê.
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