Ministério Público recomenda suspensão de show de Natanzinho Lima na Bahia após contratação de R$ 800 mil
Por Yasmin Mota | 28/04/2026 08:30 e atualizado em 28/04/2026
Foto: Reprodução / Redes Sociais
Resumo da notícia
- O Ministério Público da Bahia recomendou a suspensão do contrato de R$ 800 mil para o show de Natanzinho Lima na 40ª Vaquejada de Formosa do Rio Preto, no oeste baiano.
- Segundo o MP-BA, o valor está acima da média paga ao artista por municípios da Bahia, que foi de cerca de R$ 604 mil em 2025, chegando a R$ 624 mil corrigidos para 2026.
- A prefeitura tem 10 dias úteis para responder e apresentar documentos. Caso não cumpra a recomendação, poderá sofrer medidas judiciais e responsabilização dos gestores.
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) recomendou a suspensão imediata do contrato firmado pela Prefeitura de Formosa do Rio Preto, no oeste do estado, para a apresentação do cantor sergipano Natanzinho Lima durante a 40ª Vaquejada do município. O show está previsto para acontecer na noite de 28 de maio e foi contratado por R$ 800 mil.
Segundo a recomendação assinada pelo órgão, na última quinta-feira (23), o valor pago ao artista ultrapassa os parâmetros de razoabilidade definidos pela Nota Técnica Conjunta, elaborada pelo MP-BA, Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA) e Tribunal de Contas dos Municípios (TCM-BA), que orienta a contratação de atrações artísticas em eventos festivos.
De acordo com o documento, dados do Painel de Transparência dos Festejos Juninos apontam que a média aritmética das 23 contratações de Natanzinho Lima por municípios baianos, em 2025, foi de R$ 604.347,82.
Com a atualização monetária pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), esse valor chegaria a R$ 624.703,60 em 2026.
O órgão destacou que contratos acima de R$ 700 mil representam apenas 1% das contratações artísticas identificadas nos festejos juninos da Bahia em 2025 e são considerados “outliers’, valores considerados discrepantes, exigindo maior rigor na análise da economicidade e da conveniência da despesa.
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Na recomendação, o Ministério Público pede a suspensão imediata do contrato administrativo e orienta que a prefeitura se abstenha de realizar qualquer pagamento relacionado ao ajuste até que a legalidade e a economicidade da contratação sejam comprovadas.
Além disso, o município deverá encaminhar a íntegra do processo de inexigibilidade de licitação, incluindo pareceres técnicos e jurídicos, pesquisa de preços, justificativa da escolha do artista, dotação orçamentária e contrato celebrado.
O MP também solicitou documentos que comprovem a saúde financeira da prefeitura, como Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO), Relatório de Gestão Fiscal (RGF), demonstrativo de disponibilidade de caixa, além de manifestação do controle interno sobre o impacto da despesa e comprovação de que o pagamento não comprometerá áreas prioritárias como saúde, educação e saneamento.
Outro ponto exigido é uma declaração do prefeito informando que o município não está em estado de emergência ou calamidade pública e que não há atraso no pagamento de servidores públicos ativos e inativos.
A Prefeitura de Formosa do Rio Preto tem um prazo de 10 dias úteis para informar se acatará ou não as medidas recomendadas e apresentar a documentação solicitada.
O MP-BA advertiu que a ausência de resposta ou a recusa sem justificativa poderá resultar na adoção de medidas judiciais e administrativas, inclusive com possibilidade de responsabilização dos gestores por improbidade administrativa ou crime contra a administração pública.
Informações: G1
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