Mudança de data da Micareta em Feira de Santana para novembro divide opiniões
Por Hamurabi Dias | 13/05/2025 13:07 e atualizado em 13/05/2025
Foto: ACM
Por ser a maior festa popular de Feira de Santana, a Micareta sempre esteve no centro do debate, tanto do poder público, quanto na sociedade feirense. A última grande mudança na festa completou 25 anos, quando em 2000, a folia saiu da Avenida Getúlio Vargas, onde acontecia por mais de 60 anos, para a Avenida Presidente Dutra, onde é realizada atualmente. Em 2025, a tradição de abril deu espaço para o feriadão do Dia do Trabalhador (1º a 4 de maio) e dos quatro dias oficiais, a chuva foi foliã cativa em três dias pulando junto com milhares de feirenses e turistas.
Mesmo com a festa reunindo cerca de 915 mil foliões, ainda se debate o futuro da folia momesca. Durante o balanço final da Prefeitura de Feira de Santana, o prefeito José Ronaldo de Carvalho sinalizou a possiblidade de mudança. Se dependesse apenas do gestor municipal, a data seria novembro, mas as discussões estão abertas e o martelo ainda não foi batido. No entanto, mesmo colocando no holofote uma possível festa em novembro, essa hipótese já divide opiniões.
O cantor e compositor Roberto Kuelho avalia positivamente a mudança na data da festa e ainda voltou a propor um período de debates, uma espécie de ExpoMicareta. “É um momento importante para pensar nisso, principalmente porque a gente saiu de uma Micareta contou com chuvas, que em algum momento talvez tenha interferido no público, na quantidade de público, e eu vejo também de forma positiva o mês de novembro, porque realmente a gente está saindo da primavera, a gente está em plena primavera, que é uma estação que a gente tem temperaturas mais amenas”, disse o músico. “A Micareta, além da data, tem muitas coisas que podem ser observadas, muitas questões a serem postas na mesa, como planejamento, como tempo hábil para fazer determinadas coisas, tempo hábil para correr atrás de patrocínio. As grandes empresas costumam trabalhar com patrocínio de um ano para o outro, então normalmente você não vai conseguir um patrocínio com menos de oito meses”, completou.
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Já o professor, radialista e pesquisador da Micareta, Edilson Veloso, é contra a mudança da data da festa. “Mês de novembro, nós temos Enem, período eleitoral, período de chuva com trovoada. Outra questão, preço de bandas em novembro é bem maior do que abril. Falaram também em janeiro, a mesma questão do preço dos artistas, pois é nesse período que começa a efervescência pré-carnaval. E a concorrência, além de grande, chega a ser desleal. Se for para mudar, o melhor mês seria setembro, aí é passível de estudo também”, opinou o entrevistado.
Valter Lima, empresário e diretor do bloco ‘Lá vem elas’, com mais de 40 anos de desfile na folia, também foi consultado pela reportagem do T Notícias, sobre a mudança de data e se mostrou favorável. “É uma data que vai contribuir muito para a Micareta, por estar próximo à temporada de verão. É o período em que as bandas começam a fazer suas músicas preparando para o Carnaval. É um período que a cidade está cheia de gente, que as faculdades estão em plena atividade e normalmente são nesses ambientes que são fomentados os foliões”, resumiu.
Outro agente cultural envolvido na organização de bloco, o jornalista Reginaldo Tracajá, da comissão do bloco Zero Hora, se mostrou contra a mudança. “Essa proposta não é muito salutar. Eu acho que tem que se manter a Micareta no mês de abril. Só ver a questão de datas, não chocar muito no final de abril, porque já fica muito perto do São João. No início de abril, até a primeira quinzena de abril, seria uma grande data. Eu me preocupo muito com essa tentativa de mudança. E ela pode não ser bem sucedida”, comentou.
O ativista Val Conceição, da Associação Cultural Moviafro, que na Micareta organiza o Cortejo Moviafro, acredita que a proposta de mudança é interessante, precisa de debate, mas de antemão, é contra a data colocada em hipótese. “Não aprovamos a mudança para novembro, por vários motivos. Nós entendemos que novembro, final de ano, as pessoas estão se preparando para as férias, algumas famílias, festas de final de ano, o pessoal está se organizando para a virada do ano, que os gastos são maiores, escola de filhos no início do ano, enfim, é uma série de coisas que precisa ser levada em consideração, bem como a questão de outras festas que também acontecem no mês de novembro, festas semelhantes, como o Pré-caju, por exemplo. Então, nós acreditamos manter a festa para abril”, disse o entrevistado.
O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Feira de Santana (ACEFS), Genildo Melo, também foi convidado pela reportagem a se manifestar. O representante classista se mostrou favorável a mudança, o que pode trazer benefícios para organização e planejamento da festa. “Nós entendemos que estrategicamente poder ser uma mudança que pode trazer benefício. Em princípio a ACEFS participa das discussões contribuindo com sugestões e ideias com vistas à nova data, que poderá ser como foi anunciado pelo prefeito, no mês de novembro de 2026, cuja data eu entendo que permitirá a organização da festa a fazer o melhor planejamento estratégico com previsibilidade que possam gerar crescimento e resultados positivos”, disse Melo.
A reportagem foi produzida pelo jornalista João Guilherme Dias.
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