2 de Julho: multidão toma ruas de Salvador em celebração aos 203 anos da Independência da Bahia
Salvador

2 de Julho: multidão toma ruas de Salvador em celebração aos 203 anos da Independência da Bahia

2 de Julho: multidão toma ruas de Salvador em celebração aos 203 anos da Independência da Bahia Foto: Feijão Almeida/GOVBA

Resumo da notícia

  • Milhares de pessoas participaram do tradicional cortejo cívico entre a Lapinha e o Campo Grande, com fanfarras, filarmônicas, grupos culturais e homenagens aos heróis e heroínas da luta pela Independência.
  • Personagens como Maria Quitéria, Maria Felipa, Joana Angélica e outros símbolos da resistência baiana foram celebrados durante a programação, que destacou o papel decisivo da Bahia na consolidação da Independência do Brasil.
  • As comemorações incluíram alvorada, hasteamento das bandeiras, desfile, apresentações culturais, Marujada da Independência, cerimônias no Campo Grande e o tradicional Encontro de Filarmônicas, encerrando a celebração dos 203 anos do 2 de Julho.

“Nasce o sol a Dois de julho. Brilha mais que no primeiro”. Os primeiros versos do Hino ao Dois de Julho ganharam ainda mais significado na manhã desta quinta-feira (2), quando um forte sol iluminou as ruas de Salvador durante as comemorações pelos 203 anos da Independência da Bahia.

Milhares de pessoas acompanharam o tradicional cortejo cívico, que reuniu fanfarras, filarmônicas, grupos culturais, manifestações populares e homenagens aos heróis e heroínas da luta pela libertação do Brasil.

A data marca a expulsão definitiva das tropas portuguesas do território baiano, em 2 de julho de 1823, quase 10 meses após a proclamação da Independência feita por Dom Pedro I, em 7 de setembro de 1822. Para muitos historiadores e baianos, foi esse o momento que consolidou, de fato, a independência brasileira.

Enquanto a maior parte do país já reconhecia o Brasil como uma nação independente, a Bahia ainda enfrentava intensos confrontos entre brasileiros e portugueses. A luta começou antes mesmo da proclamação nacional, em 19 de fevereiro de 1822, e terminou apenas com a retirada das tropas lusitanas de Salvador.

Ao longo do percurso entre a Lapinha e o Campo Grande, o desfile foi acompanhado por uma multidão. Crianças, idosos e famílias inteiras se espalharam pelas calçadas para assistir à passagem dos carros do Caboclo e da Cabocla, das fanfarras escolares, filarmônicas, grupos culturais e representantes de diversas manifestações populares que celebram a data todos os anos.

No bairro do Santo Antônio Além do Carmo, um dos cenários mais emocionantes da manhã chamou a atenção de quem passava. Uma casa decorada com as cores do Brasil se transformou em um pequeno palco para celebrar a história da Independência. Em frente ao imóvel, mulheres caracterizadas como Maria Quitéria, Joana Angélica, Maria Felipa, Catarina Paraguaçu e as tradicionais caboclas baianas cantavam o Hino ao Dois de Julho, arrancando aplausos e emocionando moradores e visitantes.

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Entre elas estava a cantora e maestrina Célia Zaim, caracterizada como Maria Quitéria. Há anos, ela percorre escolas públicas e particulares ensinando o Hino ao Dois de Julho e contando a história da Independência da Bahia.

“A gente percebe que apenas 3% dos baianos sabem cantar o nosso hino. Por isso, comecei a visitar escolas para ensinar não só a música, mas também a história que existe em cada estrofe”, contou.
Segundo Célia, cada trecho do hino homenageia personagens e símbolos fundamentais da guerra pela Independência. Ela afirma que escolheu vestir a personagem de Maria Quitéria justamente para aproximar as novas gerações da história baiana.

“Até hoje eu vou de Maria Quitéria por onde passo, para que essas gerações vejam que a Bahia é elemento principal na história do Brasil”, afirmou.

A celebração também despertou lembranças em quem participou do cortejo. Depois de muitos anos sem comparecer ao desfile, Edenailde Araújo decidiu voltar ao Dois de Julho levando o filho, Reinaldo Nonato.

“Há muitos anos, eu vinha nessa festa com meus pais. Hoje eles já não estão mais aqui, mas decidi voltar. É a primeira vez que trago meu filho, que é especial. Estou achando maravilhoso e relembrando os momentos que vivi com eles”, disse, emocionada.

Enrolado na bandeira da Bahia e exibindo tatuagens do mapa e da bandeira do estado nos dois braços, Eduardo Pinheiro também acompanhava a festa com orgulho.

“É a festa mais importante do mundo. Temos que valorizar todo o trabalho que tiveram para nos libertar. É Bahia acima de tudo e o resto é resto”, afirmou.

A verdadeira Independência

Os poucos portugueses que permaneceram no Brasil após o 7 de Setembro concentraram forças na então província da Bahia. Depois de meses de batalhas em diversas cidades, os baianos conseguiram expulsá-los, transformando o Dois de Julho em uma das datas mais importantes da história do estado.

A importância da celebração para o cenário nacional ganhou ainda mais reconhecimento com a aprovação, no Senado, de um projeto de lei que torna Salvador, simbolicamente, a capital do Brasil durante o dia 2 de julho.

As guerras da Independência na Bahia tiveram forte participação popular. Negros libertos e escravizados, ganhadeiras, professores, profissionais liberais, senhores de engenho e diversos outros grupos sociais se uniram para pôr fim ao domínio português.

Os combates mobilizaram milhares de moradores de cidades como Cachoeira, São Félix e Salvador. Dessa mobilização surgiram personagens que entraram para a história, como Maria Quitéria, Maria Felipa, Joana Angélica, João das Botas, Corneteiro Lopes, Tambor Soledade e o cacique Bartolomeu Jacaré, entre outros heróis e heroínas da Independência.

“Nunca mais, nunca mais o despotismo. Regerá, regerá nossas ações”. Os versos do Hino ao Dois de Julho seguem ecoando como símbolo da resistência baiana e da luta pela liberdade.

Programação

A programação oficial das comemorações começou ainda na madrugada desta quinta-feira, com alvorada e queima de fogos no Largo da Lapinha, local simbólico por ter sido palco de importantes batalhas durante a campanha da Independência.

Por volta das 8h, foram iniciadas as cerimônias cívicas, com o hasteamento das bandeiras por autoridades e execução do Hino Nacional pela Banda de Música da Marinha do Brasil.

Em seguida, foi iniciado o tradicional desfile cívico, com participação dos carros do Caboclo e da Cabocla, Caboclos de Itaparica, fanfarras municipais, estaduais e da Região Metropolitana de Salvador (RMS), filarmônicas e grupos populares.

O cortejo fez homenagens aos heróis da Independência, com paradas em frente ao Convento da Soledade, à Ordem Terceira do Carmo e à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos.

A festa ainda conta com a Marujada da Independência, no bairro de Santo Antônio Além do Carmo. O evento começou às 11h e tem previsão de término para o início da noite.

À tarde, às 16h, as celebrações seguem no Campo Grande, com hasteamento das bandeiras, execução dos hinos militares, deposição de coroas de flores no Monumento ao Dois de Julho e acendimento da Pira do Fogo Simbólico pelo atleta Antônio Lourenço Pereira, conhecido como “Trem de Ferro”, homenageado desta edição.

A programação será encerrada às 17h30, com o tradicional Encontro de Filarmônicas, sob direção artística do maestro Fred Dantas e o show do cantor Mário Bezerra, acompanhado da Oficina de Frevos e Dobrados.

Com informações do g1 Bahia.

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