Museu Casa do Sertão, em Feira de Santana, completa 47 anos
Por Hamurabi Dias | 03/07/2025 13:47 e atualizado em 03/07/2025
Foto: ASCOM/UEFS
Resumo da notícia
- Fundado em 30 de junho de 1978, o museu da UEFS é um importante espaço de preservação da cultura popular sertaneja e comemora seus 47 anos com atividades voltadas à comunidade universitária, reafirmando seu papel educativo e cultural.
- Criado por iniciativa da sociedade feirense nos anos 1970, com apoio de figuras como Raimundo Gama e Franklin Maxado, o museu surgiu para preservar a identidade sertaneja diante das transformações urbanas de Feira de Santana.
- O museu mantém um acervo significativo e realiza ações educativas voltadas à valorização da memória e da cultura regional. Hoje, se posiciona como espaço de resistência, inclusão e diálogo intergeracional sobre o Sertão.
O Museu Casa do Sertão, equipamento cultural da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS), celebra 47 anos de existência. Inaugurado em 30 de junho de 1978 com o propósito de preservar a memória da cultura popular sertaneja, o espaço segue vivo como um dos principais pontos de referência identitária do território baiano. Nesta data especial, o museu realiza atividades voltadas para a comunidade dos trabalhadores terceirizados da universidade, reafirmando seu papel como espaço de convivência, diálogo e fruição da memória.
“O Museu segue com o compromisso de articular memória, cultura e educação. É uma casa que preserva e recria o Sertão, especialmente para as novas gerações”, afirma o atual diretor do espaço, Cristiano Cardoso. Segundo ele, além de manter um acervo representativo da cultura sertaneja — como objetos do cotidiano, artefatos de couro, livros de cordel, obras de arte popular e arquivos bibliográficos —, o museu busca fomentar experiências de apropriação e ressignificação cultural.
Um sonho coletivo nascido nos anos 1970
A criação do Museu foi fruto da mobilização da sociedade feirense nos anos 1970, com protagonismo do Lions Clube de Feira de Santana, e contou com a atuação de nomes importantes como o professor Raimundo Gama, que também foi diretor do jornal Feira Hoje, e o jornalista Helder Alencar, editor do periódico e posteriormente procurador jurídico da UEFS, e do professor, jornalista e cordelista Franklin Maxado.
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No dia 30 de junho de 1978 foi realizada a solenidade de inauguração, marcada pela presença de autoridades municipais, estaduais e representantes de entidades educacionais e culturais. O então reitor da UEFS, Geraldo Leite, emocionado, descreveu a Casa do Sertão como “um presente magnífico que aprimora os conhecimentos sobre a própria região”. Também estiveram presentes o prefeito Colbert Martins da Silva, o representante do Conselho Estadual de Educação, Hélio Simões, entre outras figuras públicas.
A programação inaugural incluiu uma exposição de fotografias sobre o sertão, reunindo trabalhos de Antonio Carlos Carvalho, Antonio Magalhães, Elydio Azevedo, Egberto Costa, Luciano Passos e Rosa Maria, e o lançamento do livro ‘Eurico Alves, Poeta Baiano’, do artista plástico feirense Juraci Dórea. O conselheiro de cultura Hélio Simões declarou, na ocasião, que o museu era a “concretização do sonho de Eurico”.
Preservar para não esquecer
A historiadora Cristiana Oliveira, que já dirigiu a Casa do Sertão, lembra que o Museu surgiu em um período de profundas transformações urbanas em Feira de Santana. “Nos anos 1970, havia o receio de que a cidade, com a iminente transformação para metrópole, esquecesse suas raízes da feira-livre, vaqueiros e couro. O Museu surgiu com o antídoto da musealização contra o apagamento da identidade sertaneja”, explica.
Essa memória resiste no acervo e nas ações educativas realizadas ao longo dos anos. O espaço recebe visitas de escolas públicas e privadas, promovendo a interpretação crítica dos bens culturais, com foco na valorização do território e da ancestralidade regional.
A missão continua
Ao completar 47 anos, o Museu Casa do Sertão reafirma sua missão educativa, sociocultural e de pesquisa. Como instrumento de mediação entre a Universidade e a sociedade, o espaço se projeta para os desafios contemporâneos: conectar o passado ao presente, estimular novos olhares sobre a cultura sertaneja e promover inclusão por meio da arte, da memória e do conhecimento.
Nas palavras do diretor Cristiano Cardoso, “o Museu é um lugar-memória vivo, um laboratório para pensar o Sertão como espaço de resistência, criação e diálogo entre gerações”.
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